* Por Fernando Dulinski
Julho e agosto marcam o início do planejamento orçamentário nas empresas, momento em que lideranças definem prioridades e alocam recursos para o próximo ano. Nesse processo, uma discussão mudou radicalmente de patamar: a cibersegurança.
Os números refletem essa transformação. Segundo dados da Cisco, nove em cada dez empresas aumentaram seus investimentos na área nos últimos dois anos. Contudo, pesquisa da PwC aponta que apenas 2% das organizações alcançaram um nível abrangente de resiliência cibernética. O paradoxo é claro: as empresas entenderam a necessidade de investir, mas muitas ainda não transformaram esse orçamento em capacidade real de proteger e expandir seus negócios.
Durante muito tempo, a segurança da informação foi tratada como um custo puramente operacional. Justificava-se pela aquisição de ferramentas ou conformidade regulatória e, em momentos de contenção, era uma das primeiras áreas a sofrer cortes. Hoje, essa lógica caducou.
Em um mercado onde vendas, operações e parcerias dependem de ecossistemas digitais, a continuidade do negócio está atrelada à confiança. Quando essa confiança é quebrada, os impactos vão além da TI: afetam receitas, interrompem operações e abalam a reputação da marca.
Por isso, a cibersegurança, antes pensada apenas como uma defesa, agora é fator de competitividade. Grandes corporações, investidores e cadeias globais de suprimento já exigem maturidade cibernética como pré-requisito para fechar contratos. Em suma: a segurança digital passou a abrir portas para novos negócios.
Nas discussões orçamentárias, a pergunta não é mais “quanto custa investir em segurança?”, e sim “quanto custa interromper uma operação crítica ou perder a confiança do mercado por um incidente evitável?”.
Mas investir mais não significa, necessariamente, investir melhor. O aumento de orçamento não garante maturidade se os recursos ficarem restritos à compra de software. A verdadeira resiliência exige equilíbrio entre tecnologia, governança, resposta a incidentes e, sobretudo, pessoas. É aqui que a alta gestão e o RH se tornam chave: a segurança precisa engajar os colaboradores, influenciar treinamentos e integrar a cultura organizacional.
O planejamento orçamentário é a oportunidade ideal para romper o modelo antigo. Mais do que definir valores para infraestrutura, é a hora de decidir quais capacidades estratégicas a empresa quer desenvolver para operar com resiliência e conquistar o mercado.
Empresas não crescem apenas porque inovam; crescem porque conseguem sustentar essa inovação com confiança.
*Fernando Dulinski é CEO do Cyber Economy Brasil



