O avanço devastador de incêndios florestais na Europa, que forçou a desocupação de centenas de milhares de pessoas nos últimos dias, evidencia a urgência de uma mudança radical na matriz de risco global. Isso porque o que tem se mostrado é que o verdadeiro catalisador da destruição não reside apenas nas faíscas que consomem biomas inteiros, mas na indiferença crônica de lideranças que tratam a crise ambiental como mera externalidade passageira.
Acredito que ignorar os dados científicos consolidados por órgãos internacionais de pesquisa sobre o clima compromete irreversivelmente mais do que o meio ambiente, chegando a afetar também a estabilidade dos mercados financeiros, transformando eventos extremos em perdas catastróficas para cadeias logísticas globais. “O custo da inação econômica diante do colapso ecológico já supera o investimento necessário para a mitigação“, afirmou Ricardo Abramovay, professor titular da Universidade de São Paulo.
E caso o empresariado e os formuladores de políticas públicas persistam na incredulidade estrutural, o sistema poderá enfrentar, em breve, choques de oferta intransponíveis e uma quebra sistêmica de ativos imobiliários e agrícolas. isso porque a complacência corporativa vista na gestão de riscos climáticos coloca em risco a insolvência de portfólios inteiros, subestimando a volatilidade de um planeta em transformação acelerada.
Até que a sociedade reconheça o desafio e começe a agir seriamente sobre isso, a aposta de que vivemos uma normalidade climática vai continuar cobrando seu preço, com o custo da indiferença queimando, literalmente, os pilares da economia real.



