Valuation tornou-se um dos aspectos mais polêmicos no meio startup. Uns (geralmente os investidores) dizem que o valuation está muito alto (que as empresas estão achando que valem demais). Outros (especialistas e críticos) dizem que isso pode estourar a bolha. Ainda outros (os empreendedores, parte mais interessada) acreditam realmente que seu negócio vale mais do que podem comprovar.

Precificar o valor presente de uma empresa iniciante pode ir muito além de habilidades contábeis. Precificar o valor futuro incide em um paradoxo: há coisas que podem ser extrapoladas e medidas em sua projeção, outras podem ser comparadas com outras empresas e outros mercados, e essa mistura dá uma impressão de confiabilidade dos números, mas na verdade é nesse futuro que residem as expectativas (e cada um com a sua).

Já publicamos aqui uma entrevista com especialista explicando e defendendo a metodologia do “fluxo de caixa descontado”. Já publicamos também artigo de bancário investidor anjo explicando por que o mais importante é o feeeling. Este post não pretende ser um guia de precificação, mas pretende compartilhar dois fatos que ouvi serem discutidos recentemente.

Gui Affonso, empreendedor que construiu vários negócios tradicionais no passado e investiu pessoalmente R$ 600 mil na startup Qranio, afirma publicamente que rejeitou a proposta inicial do empreendedor Samir Iásbeck – mandou fazer a lição de casa, trabalhar, exercitar os números. Um belo dia, o empreendedor retornou dizendo que tinha vencido uma competição, conseguido isso e aquilo, aprendido aquilo e aquele outro… e pedindo o mesmo valuation. Aí, diz o investidor, que fez a contra-proposta: “falei que investiria no dobro do valuation, pois o empreendedor já era claramente outro, tinha amadurecido, e isso é o que mais conta; também, a empresa ia acabar precisando buscar mais investimento e o empreendedor não poderia ficar depois sem um equity interessante”, explicou. “Usei o bom e velho Teorema de Chutágoras”, pontuou.

Aí, Bernardo Portugal, advogado societário e integrante da Abvcap, falou que isso era exceção e pediu que um empreendedor, que recebeu investimento de fundos (portanto, mais certinhos e amarrados), contasse a sua experiência. Diego Gomes, co-fundador da RockContent, contou que, na segunda rodada de investimentos da empresa, já de posse dos unit economics da operação, tudo foi calculado certinho. “Mas na primeira rodada, quando era bem capital semente mesmo, estágio inicial, não tinha como calcular a sério, foi no chute mesmo, foi um valor proposto com base no feeling”.

É tipo chupar o dedo e levantar no ar para ver em que direção o vento sopra.