Ficar parado no trânsito parece perda de tempo. Buscar otimizar esse tempo perdido foi o que Leandro Freire, Fabrício Batista, Felipe Blini e Rakell Simon tentaram fazer ao criar o BizuBuzú, em Brasília. O aplicativo voltado para educação acaba de ganhar o Desarrollando América Latina, no Chile e vai ser acelerado pela Socialab. A ideia é que o usuário faça cursos enquanto está no ônibus a caminho do trabalho e a partir das atividades que concluir, ele começar a ser indicado para empregos.

Leandro Freire, um dos fundadores, falou com o Startupi e comenta a aceleração do Socialab e a origem do sonoro nome BizuBuzú.

 

Como surgiu a ideia do BizuBuzú?

Eu e Fabrício estávamos num momento de brainstorm criativo, buscando algum projeto que fizesse sentido para nós dois. Percebemos que os dois tinham interesse em comum por educação, e uma vontade forte de encontrar profissionais qualificados. Quando paramos para analisar o motivo de muitos trabalhadores não se qualificarem, identificamos que sua rotina em geral é muito dura, tendo que acordar muito cedo pra enfrentar trânsito até conseguir chegar ao trabalho, se repetindo o processo no retorno para casa, não sobrando tempo para que consigam consumir conteúdo profissionalizante. Mas o projeto ficou no campo das ideias até participarmos do Desarrollando America Latina (DAL) aqui em Brasília, mas que ocorre simultaneamente em toda América Latina, onde o Felipe Blini e a Rakell Simon se integraram ao projeto, e lá tivemos a oportunidade de desenvolver um modelo de negócios durante o final de semana. Com base em abordagens como Design Thinking e Business Model Generation, apoiado por vários mentores durante o evento, desenvolvemos a visão de que o trânsito não é o problema em si, mas o tempo perdido nele. Então visamos fornecer conteúdo profissionalizante, onde a partir dos módulos estudados o usuário pode receber ofertas de empregos, pois o BizuBuzú também será uma plataforma de busca de profissionais para empresas que precisam recrutar pessoas, tendo uma base de análise que se complementa ao currículo em si, já que a medição do BizuBuzú se baseará muito mais em ações dos usuários na ferramenta do que no que ele informa sobre seu passado e suas pretensões.

Como funciona o Bizu Buzú?

O usuário acessa a plataforma, encontra opções de curso, se inscreve e começa a receber lições curtas que sempre serão seguidos de algum quiz, assim o conteúdo será assimilado em situações do cotidiano. A cada acerto em determinado curso, sua posição no ranking da sua região é atualizada. Sempre que empresas nos procurarem em busca de profissionais, iremos indicar os melhores ranqueados de determinada habilidade para uma entrevista presencial. Como nosso objetivo é fazer com que os usuários aproveitem seus tempos ociosos, o celular se mostra o melhor device para utilizar o BizuBuzú. O ônibus é o ambiente comum que mais visualizamos como maior consumidor de tempo potencialmente desperdiçado, só na cidade de São Paulo mais de 17 milhões de pessoas gastam, em média, 67 minutos/dia em transporte público. Mas as pessoas poderão utilizar o BizuBuzú em qualquer momento que tiverem um tempo livre.

Vocês já possuem quantos alunos?

O BizuBuzú está desenvolvendo a fase Beta, estamos compilando os conteúdos que potenciais usuários mostraram ter mais interesse para disponibilizar na plataforma, iterar com os primeiros adotantes e, posteriormente, lançar a plataforma para o público –a princípio na Google Play. Neste momento estamos contando com apoio do pessoal da Thought Works para orientação no desenvolvimento da ferramenta.

Como vocês vão monetizar o serviço?

Identificamos que a melhor forma de monetizar o serviço é através de indicação de profissionais para entrevista de emprego. Já estamos negociando com uma empresa nordestina especializada em oferecer serviço terceirizado de recrutamento e seleção, e empresas com grande volume de giro de funcionários de Brasília.

Por que o nome BizuBuzú?

São duas gírias muito utilizadas no Brasil, que possuem uma certa semelhança fonética. Bizú é usado para algo que se aproxima de “gabarito”, uma dica certeira. Enquanto buzú é uma forma descontraída e carinhosa para ônibus. Resolvemos brincar com esta semelhança para batizar este projeto.

Vocês foram escolhidos pelo Desarrollando América Latina para serem acelerados pela Socialab. Como foi a experiência?

O DAL propõe um hackaton para desenvolvimento de projetos com pegada social sob algum tema pré-determinado. Este ano as temáticas eram Educação e Justiça. Nos classificamos na etapa regional, na nacional e competimos na etapa final, onde os 3 primeiros colocados de toda América Latina receberiam como premiação um processo de aceleração por 3 meses na SociaLab, e os próximos 3 uma aceleração remota. Ficamos entre os 3 da América Latina e estamos arrumando as malas para nos mudar para Santiago.

O processo de aceleração da Socialab é bastente interessante e se baseia em 5 etapas: 1) Co-criação em campo com potenciais usuários; 2) Elaboração de indicadores que podem medir nosso impacto social; 3) Capacitação em metodologias e abordagens de inovação e empreendedorismo (Business Model Generation, Lean Startup, Design Thinking etc); 4) Busca por financiamento do projeto; 5) Elaboração de planos de comunicação e financeiro. Lá teremos acesso à oficina de trabalho da SociaLab, que se assemelha a um co-working, onde todos que circulam por lá trabalham de alguma forma com projetos sociais.

Vocês já receberam investimento externo?

Nós acreditamos no Bootstrap, o primeiro recurso que estamos recebendo é uma ajuda de custos como parte da premiação do DAL para termos condições de viver pelos três meses de aceleração em Santiago. Ainda não buscamos investimento, nossa busca atual é por validar nossas hipóteses.

Quais são os próximos passos da empresa?

Buscar parceiros interessados em fornecer conteúdo profissionalizante, testar a melhor forma de fornecê-los para os usuários e testar o modelo de negócio fechando o ciclo de empresas buscando por profissionais na plataforma e nos remunerando. Pela concessão do conteúdo pelo qual aquele profissional teve a chance de uma entrevista, utilizaremos parte da remuneração para repassar aos conteudistas.