facebookdevelopergaragesaopauloEle tem 25 anos, jeito informal e um sucesso gigantesco: a ideia que ele teve se transformou em um dos serviços web mais usados no mundo e dizem que foi um dos pilares principais da eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos.

O nome dele é Mark Elliot Zuckerberg, o brinquedinho dos ovos de ouro que ele criou chama-se Facebook e ele vai vir para o Brasil dar uma palestra (a ser transmitida via web) e uma oficina nesta terça-feira, 4 de agosto (veja links e informações nos próximos parágrafos).

E daí­? O que essa vinda significa para ele e o Facebook? E para os usuários basileiros? E para o mercado brasileiro de web e comunicação? Se você ainda não se importa com isso, está na hora! Afinal, “no que você está pensando agora?” Eu respondo: bem-vindo ao “Guia do Facebookeiro Tupiniquim”!

  • Se você quer saber da palestra no Fórum do Empreendedor, da FGV em São Paulo apenas para alunos: será transmitida abertamente via web às 11h do dia 4 de agosto, terça-feira, neste link;
  • Se você quer saber da oficina Garage Day: tambem será em São Paulo nesta terça-feira 4 de agosto, das 17h às 20h, mas apenas para os desenvolvedores que já se inscreveram (as vagas já estão esgotadas há dias, veja as informações).
  • Se você está curioso sobre os impactos do fenômeno Facebook, para se questionar como isso realmente afeta o mercado brasileiro e a sua vida, leia adiante.

Aviso: termina aqui a parte simples, direta e objetiva deste post (ao menos o quanto se espera de um blog). A parte a seguir é a compilação de análises feitas por diversos especialistas, exposta a partir da minha visão profissional. Deixe a sua perspectiva ali embaixo nos comentários, no formulário de contato ou no meu mail! Bem-vindo ao Guia do Facebookeiro Tupiniquim!

O Facebook se tornou o centro da experiência de uso da Internet mundo afora

Sabe a Rede Globo? ɉ o grupo de mídia que obtém a maior parte da atenção dos brasileiros. Assim como o Orkut, que é a rede social com o maior número de brasileiros participantes (e o Brasil é o país com o maior número de usuários de Orkut). Podemos fazer uma comparação, dizendo que para a web brasileira o Orkut equivale à Rede Globo. Tanto que ele vem sendo considerado a porta de entrada na web para a massa de internautas brasileiros – e, em boa parte dos casos, o uso dessa rede social consiste em quase todo o uso que esse público faz da web.

O fato aqui é que o Facebook é, no mundo, o que o Orkut é no Brasil: tem pelo menos 230 milhões de usuários ativos. Entendeu? Veja outros dados oficiais, ou de especialistas ou comparados em outras matérias que mencionam o Facebook no Startupi. Enquanto cada vez mais as redes sociais são usadas como centro de interação e de marketing (consistindo nos melhores equivalentes online para a vida social), o Facebook é tido não apenas como a porta de entrada na web para a maioria dos usuários de rede social do mundo, mas o centro da experiência internética deles (quase tudo o que fazem na Internet gira em torno do Facebook está integrado a ele). Generalizando, digamos que, se você morasse na Internet, seu endereço brasileiro é o Orkut (por enquanto) e o Facebook no resto do mundo.

Sim, o Facebook tem seu lado ruim, inclusive no Brasil. Já enfrentou muita polêmica negativa devido aos Termos de Uso (que violavam a autoridade do usuário enquanto dono do conteúdo publicado por ele). A mudança na interface também encontrou restrições. Mesmo assim, e especialmente por pegar o motivo do Twitter “o que você está fazendo?” e transformá-lo em “o que você está pensando?”, e ainda por permitir a integração de diversos serviços web, o Facebook conseguiu toda essa ascensão. Parece que só falta o Facebook conquistar o topo no Brasil? Somos a próxima fronteira do Facebook?

Existe um personagem por trás disso e ele está chegando ao Brasil: para pegar carona ou para dar carona ao brasileiro?

Mark Zuckerberg, Mr. FacebookO evento Facebook Garage Day São Paulo tem como slogan o chamado Venha entender, discutir e aprender a Facebookar€. Mas não se trata de uma oficina sobre como fazer seu cadastro, configurar seu perfil, adicionar seus amigos, entre outros. O evento é para desenvolvedores e interessados em integrar seu website ou aplicativo com a Plataforma Facebook. Significa que Mark Zuckerberg (o loiro sorridente da foto ao lado, que ele usava em seu perfil… no Facebook) tem interesse direto na qualidade, quantidade e inovação das ferramentas de interação que os desenvolvedores criam a partir do código que a rede social liberou.

Significa que, mesmo o Facebook não aderindo ao padrão OpenSocial (desenvolvido e adotado por outros sites e redes sociais), ele permite que desenvolvedores usem o código e implementem novas funcionalidades por meio de aplicativos sociais. Significa que a interface do Facebook é muito mais sofisticada, fluida e diluída (ou complexa e caótica) que a do Orkut (que é mais “pedagógica” para os participantes que não são tão experientes em web, ideal para as multidões da inclusão digital). Significa que causas, marcas, eventos, serviços, produtos e empresas tem muito mais oportunidades de se relacionarem e engajarem participantes com compartilhamento de conteúdo e valores (quaisquer interessem a ambos).

Como o Brasil é um dos países que mais cedo (early adopters), com mais intensidade (heavy users) e mais quantidade (massive users) abraça as mídias sociais, o Facebook quer ser amigo dos brasileiros (“me add?”). E, claro, ajudar os desenvolvedores a proporcionarem experiências interessantes é um excelente caminho, tanto para o Facebook como os usuários, os desenvolvedores e os patrocinadores. Falar com o público jovem e formador de opinião em escolas de empreendedorismo também ajuda a encantar o público sobre “como o cara é bom e fez uma coisa boa” (o que aumenta o interesse da mídia, dos usuários, dos desenvolvedores e dos patrocinadores).

O homem da rede social poderosa versus a rede social do poderoso

Em 2007, o lí­der do Orkut (no caso, a rede social do Google tem o nome de quem a criou, Orkut Büyükkökten – na foto ao lado) esteve no Brasil. Mas veio para entender o sucesso, não explicitamente para catequizar, evangelizar. Mas, convenhamos, a vinda dele também teve este efeito. Lembro de o ter entrevistado num chat online com jornalistas e é claro que o uso aumentou depois da repercussão. O que o Orkut (a rede social do Google) deixou de fazer: investir na plataforma e no suporte mais próximo aos desenvolvedores de OpenSocial. Mesmo assim ele conta com muitos aplicativos. Vamos ver como vai ser com o Facebook: será que ele vai crescer enquanto contêiner de aplicativos ao aprender com o brasileiro, ou ao ensinar?