sábado, 10 de outubro de 2026

Como manter a saúde financeira de uma startup? CEO da Contabilizei explica

Vitor Torres, CEO Contabilizei
Como manter a saúde financeira de uma startup? CEO da Contabilizei explica

Por Bruna Galati

Mais de 11 mil startups estavam ativas no Brasil em 2022, segundo um levantamento da Cortex. Suas estratégias fizeram com que o vale da morte fosse driblado e para que isso fosse possível, eles também tiveram que olhar para o setor contábil – infelizmente, muitas empresas iniciam suas atividades sem dar atenção para esse setor e não conseguem se manter no mercado.

Segundo Vitor Torres, CEO e fundador da Contabilizei, a saúde financeira de uma startup, de forma geral, é como em outras empresas: existem as obrigações contábeis, fiscais e legais, tanto com investidores quanto com os governos municipais, estaduais e federal.

“A gestão financeira é essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio para que haja um crescimento sadio e contínuo, onde é necessário adotar ferramentas de controle, pagamento, recebimento e garantia das obrigações sempre em dia”, explica Vitor para o quadro “How to…”.

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Como é feito o serviço contábil em startup?

Vitor explica que quando uma empresa é pequena, normalmente ela terceiriza a frente de contabilidade. “É o caso dos nossos clientes, que são os micros e pequenos empreendedores brasileiros, somos responsáveis pela contabilidade deles dentro do regime Simples Nacional ou Lucro”.

Uma startup começa pequena e, geralmente, ainda está aprendendo a cuidar da própria gestão financeira, por isso é indicado ter uma auditoria externa, que valide os controles internos, os processos e os números da startup para ajudar a identificar pontos de melhoria.

À medida que uma empresa vai crescendo, ela adota o Lucro Real – o que significa que já está faturando o suficiente para começar a internalizar a área contábil.

O CEO da Contabilizei indica construir um departamento estruturado que cuidará da contabilidade da startup. Por exemplo, na Contabilizei, existe uma estrutura própria e interna que está dedicada a gestão financeira corporativa – a vice-presidência administrativa e financeira que cuida das frentes contábeis, tributárias, ficais, controladoria e área jurídica. Porém, a empresa também trabalha com uma consultoria externa para auditar seus processos e mostrar a lisura dos balanços. “Receber um parecer sem nenhuma ressalva traz uma tranquilidade grande porque ressalta a nossa maturidade”, explica.

Por que gestão financeira é importante?

O empreendedor explica que ter uma gestão financeira é importante para assegurar a saúde de uma organização e garantir a sua sustentabilidade a curto, médio e longo prazo. Com a gestão financeira adequada, eficiente, transparente e idônea, a startup consegue cuidar do fluxo de caixa de maneira apropriada, honrar os pagamentos dos fornecedores conforme o acordado e manter os salários dos colaboradores em dia.

“Para que uma empresa tenha sucesso e perenidade, é preciso que o planejamento financeiro esteja bem definido, com suas projeções de custos, investimentos e receitas confiáveis, trazendo ao empresário uma visão fidedigna de sua startup, com metas e expectativas tangíveis e possíveis.”

Sem o olhar apropriado para a área, a startup não consegue a confiança de investidores e perde a credibilidade no mercado, uma vez que a falta de sustentabilidade financeira da organização é uma questão de má gestão. Na diligência ou em qualquer auditoria externa, o CNPJ é verificado se existem processos judiciais, trabalhistas, tributários e cíveis. Tudo isso mostrará o estilo de gestão da companhia e se existir alguma irregularidade comprometerá a reputação da startup.

“Tanto os investidores como os clientes analisam a imagem de uma empresa por meio de canais de reclamação, na procura em mecanismos de buscas, na repercussão na mídia ou em redes sociais, tudo isso junto a verificação dos dados privados, que atende a auditoria externa”, explica Vitor.

Dicas para ter uma boa gestão financeira

Uma das principais dicas para uma organização fazer e cuidar da sua gestão financeira é estruturar a área e segregar as funções, afirma Vitor. “Temos visto movimentos de demissão no mercado em razão da falta de planejamento, da não adoção de processos claros e em uma época em que os investimentos eram abundantes. Tudo isso pode ser desencadeado em razão da falta de gestão financeira”.

As startups precisam sustentar o crescimento fazendo projeções realistas e com mais criticidade – determinadas crises não são previstas, mas é preciso estar preparado para elas. E segundo o CEO, a gestão do fluxo de caixa de uma companhia é essencial para suportar o crescimento ao longo prazo.

Planejamento fiscal e contábil X startup

É preciso ter o gerenciamento documental das movimentações, registrando todas as entradas e saídas da empresa, uma vez que para a tomada de decisão é preciso informações escrituradas e aptas para auxiliar o empresário a identificar a situação econômica e financeira da empresa.

Planejamento tributário X startup

A adequação tributária é necessária para que a startup esteja enquadrada em um regime adequado, evitando o recolhimento de impostos maior do que realmente é necessário. A legislação tributária brasileira tem aspectos complexos, o que dificulta o entendimento e a aplicação das leis da melhor forma possível. Assim, devido a essa complexidade, é necessário o auxílio do contador para identificar qual o melhor regime tributário para a startup.

Conformidade tributária e trabalhista X startup

Além de atender à legislação para a abertura da empresa e gerenciar os documentos, é preciso atender à legislação tributária, observando quais as obrigações legais que a empresa deve respeitar para não ter o CNPJ baixado ou suspenso, ou mesmo não conseguir emitir a certidão negativa. Estas obrigações legais podem ser divididas em esferas: estadual, municipal, federal, trabalhista e previdenciária. Abaixo algumas dessas obrigações legais:

  • Emissão de notas fiscais de serviços ou vendas;
  • DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte);
  • Folha de Pagamentos;
  • Escrituração Contábil;
  • Sped fiscal;
  • DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais);
  • e-Social.

“Tudo isso pode alterar conforme o regime tributário da empresa ou até mesmo pelo faturamento. Nesse sentido, vale checar quais são as obrigações legais em que a empresa está enquadrada e entregar as mesmas dentro dos prazos estabelecidos pela legislação vigente”, explica Vitor.

Por fim, Vitor explica quais são os principais sinais de uma gestão financeira saudável

  • Planejamento e gestão do fluxo de caixa, que é o principal item para uma startup conseguir manter a sua sustentabilidade e honrar seus compromissos;
  • Ter a mentalidade de estruturar bem os departamentos internos corporativos e segregar as funções das áreas para sustentar o apoio ao negócio e o crescimento da companhia;
  • Atrair e reter talentos de acordo com os valores da startup, selecionando pessoas com diversas experiências para agregar no time;
  • Implantar um sistema integrado de ERP para trazer uma melhoria contínua dos processos e demonstrar maturidade;
  • Contratar uma auditoria externa de renome para validar de forma isenta os balanços e demonstrativos financeiros da startup.

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