sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Somos a única empresa de turismo que vai passar pela pandemia sem prejuízos”, diz CEO da MaxMilhas

Na foto está Max Oliveira, CEO da MaxMilhas
Max Oliveira, CEO da MaxMilhas
Dentro do segmento de prestação de serviços, o turismo foi um dos mais afetados pela pandemia, mas como foi para a MaxMilhas?

Em 2019, os brasileiros fizeram quase 30 milhões de viagens. Um ano depois, todos foram pegos de surpresa com o isolamento social em consequência da pandemia e grande parte dos passeios foram cancelados. A Organização Mundial do Turismo (OMT) informou que o setor perdeu US$ 935 bilhões em receitas, o que representa 10 vezes mais o prejuízo registrado em 2009, quando o mundo sofria o impacto da crise econômica.

Dentro do segmento de prestação de serviços, o turismo foi um dos mais afetados pela pandemia, mas como foi para os empreendedores que vivenciaram essa experiência em suas empresas? Para entender as estratégias elaboradas pelo setor, o Startupi entrevistou Max Oliveira, CEO da MaxMilhas.

Segundo o cofundador, depois de um crescimento escalável e sem grandes problemas, a empresa avistou um sinal de alerta ainda em maio de 2019, quando a companhia aérea Avianca Brasil fez seu último voo e deixou o mercado nacional, mas antes já havia cancelado diversas viagens. Os clientes pediram cancelamento e reembolso de suas passagens e a primeira reação da MaxMilhas foi devolver o dinheiro para todos. Mal sabia a companhia que mais adiante um vírus afetaria de forma sem precedentes esse setor.

Antenado nas primeiras notícias sobre o coronavírus, que estava causando o fechamento dos estabelecimentos, Max pensou em antecipar os recebidos dos bancos e adquirentes para uma possível emergência. Em uma empresa B2C (Business-to-consumer), o comprador paga seu produto em parcelas no cartão de crédito e a companhia pode pedir na agência financeira para sacar esse dinheiro antes da data dos pagamentos.

“Com as informações sobre o Covid-19, pensei em retirar o dinheiro do caixa por precaução, mas no dia seguinte, quando fui botar em prática, o Brasil parou e os bancos e adquirentes congelaram os pagamentos. O nosso dinheiro acabou de um dia para o outro, estávamos recebendo só cancelamento e parou de entrar venda”, explica Max, que reflete sobre os aprendizados após a crise da Avianca.

O empreendedor percebeu que não seria possível reembolsar todos, uma vez que não teria dinheiro suficiente. Com sorte, uma semana depois o governo liberou uma medida que permitia que as empresas de turismo pagassem os reembolsos 12 meses depois, com cobrança de juros, ou desse crédito para o cliente usar sua passagem nos próximos 18 meses.

“Isso deu fôlego para o turismo, mas foi muito difícil porque continuamos sem dinheiro. Tive uma semana para tomar todas essas decisões, tinha um pouquinho no caixa e saí negociando com o escritório, com a Amazon, com todo mundo que você imaginar, mas infelizmente teve que chegar em funcionários”, comenta ele, triste, sobre o desligamento de 167 colaboradores – 40% do time. Para contribuir com a MaxMilhas, alguns até receberam o FGTS em parcelas e o restante dos profissionais tiveram redução de 25% a 50% do salário.

MaxMilhas e as estratégias de bootstrapping

A MaxMilhas foi lançada em 2012, com o investimento de R$ 28 mil de Max Oliveira. Quase 10 anos depois, a startup continua em “bootstrapping”, o que significa que ela se mantém sem receber aportes externos. Esse histórico também permitiu que a companhia soubesse agir em um momento de dificuldade financeira. “As nossas vendas caíram 90% e nós não tínhamos a mesma quantidade de colaboradores para tocar os projetos, mas por ser uma bootstrapping, sempre fomos muito eficientes quando o assunto é corte de gastos. Em setembro, depois de 6 meses, chegamos no nosso break even e paramos de gerar novos prejuízos”, conta Max.

O empreendedor conta que no primeiro ano de pandemia, as estratégias da MaxMilhas eram voltadas para a sobrevivência. Já em 2021, foi possível começar a investir e voltar com as recontratações, mesmo não dando lucro. Foram cerca de 269 pessoas contratadas durante o ano, superando em 43,8% o número de colaboradores contratados em 2019.

“Contratamos muitas pessoas para o setor operacional, porque tinham muitos reembolsos para serem processados, créditos para serem utilizados e dúvidas dos clientes. Contratar para resolver cancelamento da pandemia não gerou receita, mas era necessário”.

Em maio de 2021, a MaxMilhas fez sua primeira aquisição, a compra da Lance Hotéis, startup que oferece a possibilidade de reservar hospedagem em resorts e hotéis com negociação de preço, com o objetivo de se tornar uma plataforma que otimiza a busca de clientes interessados em viajar. Outra estratégia, para continuar vendendo mesmo com as restrições da pandemia, foi criar o “Max Experiências”, pacotes onde os clientes podiam escolher a data para viajar.

Próximos passos pós pandemia

“Em 2022, vamos consolidar os dados da pandemia e acredito que seremos a única empresa de turismo a passar sem prejuízos, porque o nosso caixa não foi afetado. Por exemplo, com aquele tanto de passagens canceladas, nós recebemos as milhas de volta e eu tinha duas opções, ou pedir o dinheiro de volta para o vendedor ou revendê-las. O bom é que o vendedor já está pago, então o dinheiro só vai entrar, vamos sair da pandemia no zero a zero”, explica Max que afirma que as vendas atualmente já superaram a média mensal de 2019, pré-pandemia.

Pós-pandemia, o CEO acredita que o setor de turismo ainda tem muito a explorar e evoluir na tecnologia, principalmente para facilitar o acesso a passagens aéreas, pacotes de viagens e hospedagens, com valores mais acessíveis.

“Hoje as pessoas pesquisam por muito tempo passagens aéreas, é um processo silencioso e doloroso. Estamos fazendo um produto que não é preciso pesquisar passagem, eu entendo seus interesses e consigo fazer esse processo para você de forma mais rápida, fluída e até divertida. Isso é uma grande revolução, isso vai mudar o setor de turismo que tem muito para evoluir”, complementa fundador da MaxMilhas.

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