Em 2021, foram injetados por investidores-anjo brasileiros R$ 1 bilhão em startups, tendo um aumento de 17% em comparação com o ano anterior. O número de investidores também apresentou um aumento de 13%, e hoje, são 7.834 investidores-anjo no Brasil. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento-anjo e apoia o empreendedorismo inovador no país.

A pesquisa também levantou a perspectiva dos investidores para 2022 que esperam ter um aumento de 10%, embora positiva, a expectativa é ainda insuficiente para a demanda das startups. “O investimento em startups precisa de estímulo e apoio para crescer e atingir todo seu potencial, que deveria ser R$ 10 bilhões ao ano, proporcionalmente ao efetuado outros países”, comenta Cassio Spina, presidente e fundador da Anjos do Brasil.

“Como pessoas físicas, o investidor-anjo compara esse investimento de maior risco com os demais ativos de seu portfólio, aplicando análises de risco retorno e deixando de investir todo seu potencial. Embora nenhum investidor-anjo faça esse tipo de aporte somente por retorno financeiro e tenham sempre um propósito maior ao investir, é certo que o impacto da macroeconomia e volatilidade de ativos tem um impacto no volume aportado nas startups ao longo do ano”, argumenta.

O volume de investimento no Brasil é apenas 0,7% do que é investido em startups nos Estados Unidos, que soma aproximadamente US$ 29 bilhões anualmente. “Apesar da evolução que tivemos na última década no volume de investimento-anjo, ainda estamos muito aquém do que nosso potencial. Considerando a relação do PIB dos países é de cerca de 7 vezes, o investimento-anjo no Brasil deveria ser de pelo menos R$ 10 bilhões. Para que o Brasil atinja todo seu potencial é necessária a criação de políticas públicas de fomento ao investimento em startups conforme recomendação da OCDE, que é aplicada em diversos países, incluindo todos os BRICS, exceto pelo Brasil”, revela Cassio Spina.

Perfil dos investidores-anjo brasileiros

A pesquisa inclui pela segunda vez um levantamento de raça ou cor dos respondentes que aponta que a maioria do investidores-anjo brasileiros são brancos (91%), com 3% se declarando pretos, pardos ou indígenas e 4% amarelos. Esse dado, associado com a participação de apenas 16% de mulheres no universo de investidores traz um sinal de evolução lenta no ecossistema brasileiro.

Maria Rita Spina Bueno, diretora executiva da Anjos do Brasil, afirma que a diversidade é um requisito para a inovação, é fundamental que todas as pessoas se envolvam em ações para aumentar a participação dos mais diversos perfis no universo de startups e investimento. “A ação individual e coletiva precisa estar no sentido de estímulo a diversidade”, define.