* Por Lays Fortes

Ser mãe é, sem dúvidas, uma das maiores dádivas concedidas às mulheres. Pelo menos é assim que penso, claro. Certamente alguém discordará de mim, e está tudo bem. O ponto que quero tocar é que, no combo de sentimentos que é ser mãe, existem alguns que constantemente vêm à tona: insegurança, culpa, preocupação e pressão social.

Não vou mentir que já estive nessa posição de apontar o dedo. O legal da vida é que a todo momento estamos aprendendo, principalmente a não julgar os outros — pelo menos era para ser assim.

Diversas vezes julguei as mulheres que engravidam e, alguns meses após o parto, colocam os bebês nas creches para voltar a trabalhar. “Para que engravidar se não poderá cuidar? Quando chegar a minha vez, não será assim”, pensava.

E, é claro, o mundo girou e chegou a sua vez de aprender. Aos 15 anos, engravidei e tive o meu primeiro e único filho (até o momento). Após os seis meses da amamentação, coloquei ele em uma escolinha para voltar aos estudos, afinal, estava no segundo ano do ensino médio. 

Após a formatura, entrei no mercado de trabalho e me deparei com o desafio que é ter um emprego e cuidar de um filho, simultaneamente. Já deixo aqui a minha admiração a nós, mães e trabalhadoras, porque não é fácil. 

De fato, a jornada é dupla: além do trabalho, precisamos educar, alimentar, dar atenção, ajudar com o dever de casa. Para mais, temos que levar a escola, ao médico, estar presente nas reuniões de pais. É atividade que não acaba mais! Isso porque não entrei na pauta de ser mãe solteira, mas essa fica para um próximo texto. 

A verdade é que além do estresse, ainda sofremos preconceitos, falta de entendimento e empatia no mundo corporativo. Uma pesquisa da empresa Vagas.com aponta que 52% das mães que trabalham dizem ter passado por constrangimentos no mercado de trabalho devido à gravidez ou licença-maternidade. 

Isso acontece porque algumas pessoas no mundo corporativo acreditam que as mães serão profissionais menos dedicadas, faltarão mais que outros colaboradores ou irão desfrutar do direito a temida licença maternidade. 

Mesmo com todos os julgamentos e desafios, te digo: vale a pena! Diversas vezes olhei para o meu filho e me senti culpada por não passar tempo suficiente com ele, ou após um dia longo de trabalho, não ter paciência para brincar. Mas sei que tudo que faço é buscando uma vida mais confortável e melhor. É nele que penso quando estou cansada, querendo desistir de tudo. 

A boa notícia é que não precisamos ter culpa! Um estudo feito pela Universidade de Harvard e mais outras duas concluiu que filhos de mães que trabalham fora se tornam adultos tão felizes quanto aqueles cujas mães se dedicaram inteiramente à maternidade.

Além disso, mães que trabalham fora estimulam as filhas a conseguir cargos melhores e a estudar mais, revela o mesmo estudo.

Para você que está lendo: tire este peso do ombro, faça o seu melhor e sinta orgulho da sua trajetória! Estamos juntas nessa! 


LaysLays Fortes é graduanda em Comunicação Social, faz parte do time de Conteúdo da Hubify, startup membro do Cubo Itaú, ama escrever e acredita que a comunicação move o mundo.