A The Yield Lab, gestora americana, está levantando seu terceiro fundo na América Latina que deve chegar a US$ 50 milhões. O objetivo é investir em agtechs, especialmente no Brasil, que trabalhem com software no modelo B2B e sejam escaláveis, tenham receitas recorrentes e sejam fundadas por empreendedores que conhecem o mercado de atuação.

“Queremos investir em pré-seed ou seed que tenham soluções validadas no mercado. Para investir na startup, parte importante do nosso due dilligence é conversarmos com o cliente [da startup] para entender se aquela solução realmente resolve problemas dos fazendeiros”, explica Kieran Gartlan, managing partner da gestora, em entrevista ao Startupi.

Cerca de 40% do valor do Opportunity Fund, como é chamado, irá para startups brasileiras, porque a gestora entende que o Brasil é um grande player no mercado latino-americano e é berço de grandes nomes relevantes no cenário das agtechs. Serão cinco anos de investimento, mais cinco anos para o exit de cada investida, e o ticket médio dos investimentos pode variar entre US$ 200 mil e US$ 1,5 milhão.

Escolha das startups

Além de conversar com os clientes para entender se a startup está pronta para receber um aporte, a The Yield Lab tem uma estratégia de buscar parceiros para ajudá-los na procura pelas startups. Sua principal parceria no Brasil é com o AgTech Garage, hub de inovação de Piracicaba, no interior de São Paulo. Diversas startups são reunidas na plataforma do hub, virando um ótimo catálogo para o fundo de investimento.

“Nos últimos anos também mapeamos o mercado e conhecemos bastantes startups, especialmente as que querem expandir para fora do Brasil”, explica Gartlan. Esse é o terceiro fundo da gestora na América Latina. Os dois primeiros tinham um valor menor de US$ 5 milhões e investiram na área do agronegócio. Cinco das investidas foram startups brasileiras, como TerraMagna e Seedz.

Kieran Gartlan explica que o modelo de investimento utilizado pela gestora, conhecido como “grassroots”, faz com que a The Yield Lab comece os aportes com um fundo pequeno, com investidores físicos, fazendeiros ou players estratégicos dentro da indústria, que podem ajudar as startups com know-how, o famoso smart money. “Além do dinheiro investido no fundo, os investidores ajudam com outros desafios das startups para escalar. Essa fase, de seed até Series A, é um grande desafio, porque o agro tem sazonalidades e outros fatores que demoram mais para chegar no break even (quando o negócio começa a se pagar e para de dar prejuízo)”, diz.

Ao perceber que os aportes em agtechs eram restritos para investidores do agronegócio, a The Yield Lab lançou um programa de scale-up para ajudar startups do segmento a receberem investimentos de Venture Capitals de outros setores e chegarem em Series A. Como foi o caso da TerraMagna, que conseguiu investimento do SoftBank. “Quando a gente investe na startup damos a ela visibilidade, não só aqui, mas globalmente. Somos conhecidos como os experts do agro, quando investimos é porque acreditamos, e os outros fundos usam isso como uma forma de validar essa ideia”, completa Kieran.

Após completar o fundo de US$ 50 milhões e buscar as melhores startups para investir, a gestora está com um plano de envolver mais as empresas tradicionais do agro dentro do seu modelo. “Elas têm muito interesse em criar seus próprios CVs, mas não têm muito conhecimento”, diz o managing partner.

Futuro do segmento

Além dos próximos passos da gestora, Kieran compartilha sua visão sobre o futuro do agronegócio na América Latina. Ele diz que a maior dor do produtor, que é o acesso ao crédito, já está sendo resolvida através de tecnologia. “Antigamente o banco não tinha visibilidade, ele emprestava o dinheiro para o produtor e esperava meses para ver o que aconteceria. Hoje, com tecnologia, é possível ver [os riscos e resultados] em tempo real. A possibilidade de medir o risco de crédito permitiu o crescimento do segmento”, explica.

Para o próximo passo deste setor, Kieran aposta na mensuração do impacto ambiental no campo. Para ele, a fiscalização sairá do manual e poderá ser avaliada de forma remota com tecnologia. “Assim podemos monetizar quem faz o bem. É uma forma de incentivá-los usando modelos novos de pagamentos socioambientais. Vamos incentivar o produto a fazer diferença no planeta. É um modelo capitalista, mas funciona”, completa.


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