A demanda de água no Brasil vem crescendo continuamente ao longo dos anos, com destaque para o abastecimento das cidades, da indústria e da agricultura irrigada e cafeeiras. A retirada do fluido para irrigação aumentou de 640 para 965 m³/s nas últimas duas décadas e é o setor que mais usa água no país e no mundo, segundo o Relatórios Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Estima-se um aumento de 42% das retiradas de água nos próximos 20 anos (até 2040), passando de 1.947 para 2.770 m³/s, um incremento de 26 trilhões de litros ao ano extraídos de mananciais. Esses dados reforçam a necessidade de ações de planejamento para que os usos se desenvolvam com segurança hídrica, evitando crises hídricas e proporcionando os usos múltiplos da água, principalmente quando considerados os efeitos das mudanças climáticas no ciclo da água.

Pensando em amenizar a porcentagem de água nas suas propriedades cafeeiras, a Nestlé Brasil participou de um projeto para usar a plataforma da Agrosmart, que utiliza tecnologia e design para trazer inteligência climática ao campo e implementar práticas ESG ao logo de toda carreira agroalimentar.

A tecnologia foi implantada em 10 propriedades cafeeiras da Nestlé na região de Linhares, no Espírito Santo e os resultados mostraram a importância do digital para o produtor rural.

Como funciona a tecnologia?

A plataforma utiliza informações de 10 sensores de solo nas cafeeiras para medir a umidade, 10 pluviômetros que mensuram a quantidade de chuva, estação meteorológica que faz o monitoramento das condições atmosféricas, previsão do tempo e sistema de manejo do uso de água para orientar diariamente o produtor sobre a necessidade de irrigação da lavoura, assim como a quantidade ideal a ser utilizada. Diariamente, os cafeicultores recebem via WhatsApp as métricas obtidas através da tecnologia implementada e a recomendação para o período sobre a quantidade adequada e o tempo para acionar e desligar os sistemas de irrigação.

Resultados positivos

O projeto vem coletando dados, monitorando das cafeeiras, reportando e verificando parâmetros ambientais, sociais e de governança desde 2019. Agora, reporta seus primeiros resultados consolidados considerando o fechamento fevereiro/2021 a abril/2022. Com isso, considerando as 10 propriedades rurais, houve uma economia de 44 milhões de litros de água, o que representa uma redução de 56% no volume destinado à irrigação dessas fazendas parceiras. Na comparação com o manejo antigo, à base de turnos de rega, houve também uma economia de 63% no consumo de energia elétrica.

Objetivo do projeto

O objetivo do projeto é ampliar a eficiência hídrica ao otimizar o uso de água em regiões mais susceptíveis a períodos de seca, sendo fundamental para a produção de café conilon no Espírito Santo, principal estado produtor da espécie, segundo dados do Censo Agro de 2017 do IBGE, e para a Nestlé, uma das maiores compradoras deste café no País.

Essa é uma iniciativa dentro do programa Nescafé Plan, que no Brasil ganhou o nome de Cultivado com Respeito, que conta com técnicos agrícolas e agrônomos que trabalham com foco na sustentabilidade das propriedades rurais e na evolução do café conilon, oferecendo eventos como palestras e treinamentos técnicos, além de concursos de qualidade. Para esse projeto, foram consideradas propriedades familiares entre 5 e 20 hectares. “A gestão da água de forma eficiente é fundamental para criar soluções de negócios de longo prazo e impactar positivamente em práticas agrícolas mais sustentáveis e regenerativas”, diz Rodolfo Clímaco, gerente de Agricultura na Nestlé Brasil. “Ao termos um conjunto de dados em tempo real, conseguimos otimizar o uso de água e incluir tecnologias digitais no dia a dia dos produtores rurais parceiros.”

Os produtores participantes têm elogiado a economia e também a qualidade da lavoura. O produtor Douglas Peruchi, de Linhares, com mais de 25 anos de vivência com a cultura do café, conta que ao ter acesso a tecnologias digitais em seu dia a dia, e a um conjunto de dados em tempo real, conseguiu otimizar o uso de água e energia. “O uso consciente e correto do recurso na irrigação, associado a práticas de manejo, análises da umidade do solo e orientações para a adequada nutrição, tudo isso traz ganhos para economia de água e energia, mas também maior qualidade para a lavoura, com maior homogeneidade da produção”, complementa.

Metas para um futuro regenerativo

Em agricultura, para atingir a meta global da Companhia de ser net zero até 2050, será necessário acelerar a implementação de práticas agrícolas mais sustentáveis. Iniciativas como essa integram um amplo plano em regeneração e a jornada percorrida pela Nestlé dentro de seus compromissos em sustentabilidade no Brasil.

A Nestlé Brasil atua na agenda de sustentabilidade no setor da alimentação e a transição para sistemas alimentares regenerativos em escala. Dessa forma, são três pilares rumo à meta climática global de reduzir pela metade as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050: agricultura regenerativa, que gera impacto positivo por meio das principais cadeias fornecedoras, com foco em conservação, reabilitação e aumento de produtividade; circularidade, que reduz e elimina o desperdício na cadeia de embalagens; e bioeconomia, que valoriza os biomas brasileiros e suas comunidades por meio de negócios sustentáveis. Assim, foram definidas como metas para o Brasil até o ano de 2025: obter 30% das principais matérias-primas por meio de práticas regenerativas; coletar e reciclar o equivalente a todo o plástico colocado no mercado brasileiro; e conservar 300 mil hectares na Amazônia, gerando renda e promovendo educação para 4 mil pessoas.