* Por Carlos Cavalcanti

Desde o final do ano passado, quando o Facebook mudou o nome da sua empresa para Meta, o termo Metaverso ganhou grande relevância nos mercados B2B e B2C. 

Enquanto as companhias mais pragmáticas tentam entender como essa tecnologia vai funcionar na prática, os modelos de negócio mais arrojados já começaram a migração para essa nova realidade que promete mudar a maneira como nos relacionamos com a internet.

Primeiros passos: a mudança das marcas para o Metaverso

Veja o caso do McDonald’s, por exemplo. O objetivo do restaurante é criar uma loja virtual para entregar os lanches e combos conhecidos mundialmente, conectando o real com o virtual. Enquanto estiver dentro desse ambiente digital, a pessoa vai até a loja que também estará localizada nessa nova realidade, faz o seu pedido e recebe o produto em casa, no mundo real.

O pedido da rede de restaurante dos “Arcos Dourados” teve mais de dez marcas envolvidas e ela não é a primeira empresa a dar esse novo passo rumo à digitalização. Carrefour, Itaú, Renner, Nike e a marca de luxo Ralph Lauren também buscam seu território dentro desse novo universo. 

Artistas transitam nessa nova realidade, só que dentro dos games

Uma amostra dessa nova realidade foi o primeiro show feito por um brasileiro dentro do Fortnite, o do Emicida. O conteúdo ficou disponível por 72 horas e contou com seis músicas reproduzidas em quatro palcos diferentes. 

Quem se apresentará em outro jogo no modo Battle Royale é a Anitta, que tem data marcada para sua estreia no Free Fire. Eventos, modas, compras, transferências bancárias, trabalho, tudo deve estar dentro do Metaverso em breve. 

Por isso, é essencial que as grandes empresas garantam seu território nesse universo com segurança.

Por que é importante que as empresas façam o seu pedido de registro de marca para o Metaverso?

Se, no mundo real, a preocupação com a Propriedade Intelectual, registro de patentes e marcas já é constante, no online, onde a exposição é muito maior, a atenção dos criadores precisa ser dobrada. 

Segundo um estudo levantado pela Gray Scale, empresa especializada em Digital Currency Investing, o mercado global de bens e serviços dentro do Metaverso em breve valerá aproximadamente US$ 1 trilhão. Assim, garantir que as criações sejam protegidas será fundamental para a competitividade da empresa nesta nova realidade. 

Registrar as marcas no Metaverso é importante, pois o registro de marca deve ser utilizado para serviços e produtos para os quais eles foram registrados. Como o Metaverso ainda é uma novidade, é necessário proteger as marcas para esse novo ambiente também no INPI. 

Como garantir essa segurança?

O passo inicial é fazer uma análise cuidadosa e completa sobre os riscos e os direitos dos autores e idealizadores que decidem participar do processo de digitalização dos seus projetos. Para cada uma dessas inovações tecnológicas, existe uma série de questões jurídicas e regulatórias que devem ser levadas em consideração.

Um caminho adotado por muitos especialistas em Propriedade Intelectual é usar e registrar como referência o local onde esse ativo digital se encontra, ou seja, um bem digital representado por um determinado código, o qual, quando registrado, garante ao autor os direitos sobre essa criação. 

Portanto, é importante analisar documentos, contratos, termos e auditorias para entender os direitos e garantias sobre o uso de determinado ativo. 

Papel NFT e blockchain podem ajudar na regulamentação dos processos

Neste cenário, os tokens não fungíveis e a tecnologia blockchain são importantes para controlar essas informações com base nos dados desses produtos digitais. Aliados ao Metaverso, eles podem registrar todas as informações sobre determinado ativo, o que é fundamental para garantir a Propriedade Intelectual dentro das leis nacionais e internacionais. 

Concluindo…

Mesmo sendo bastante comentado e pontuado como uma tendência que deve mudar o comportamento do consumidor, o Metaverso ainda é bastante incerto. Sendo assim, pela minha experiência na área jurídica, o melhor a fazer é ler e estudar bastante sobre todas as oportunidades e os riscos dessa nova tecnologia. 

Afinal, para garantir que a empresa aproveite ao máximo o potencial dessa inovação, é preciso que haja segurança. E, neste contexto, a Propriedade Intelectual pode fazer toda diferença. 


Carlos André Cavalcanti é advogado especializado em marcas e patentes com mais de 20 anos de experiência na área de Propriedade Intelectual, sócio de Cavalcanti e Cavalcanti Advogados e sócio-gerente da Moeller IP Brazil, subsidiária da Moeller IP Advisors, escritório de advocacia com mais de 90 anos de experiência especializado em uma gama completa de Serviços de Propriedade e Assuntos Regulatórios em toda a América Latina. É parceiro no gerenciamento de bens de Propriedade Intelectual, para que seus clientes foquem na inovação, garantindo processos seguros.