* Por Sarah Resende e Karol Borges

Antes de começar esse artigo, é importante fazer uma observação: ele foi escrito a 4 mãos e sob duas perspectivas diferentes. Do outro lado de cada uma dessas experiências, a certeza da liderança que queremos desenvolver aqui na Tarken. A vulnerabilidade é um poder, não uma fraqueza.

Choro não é sinônimo de fraqueza

O primeiro emprego após a formatura veio permeado de incertezas e de vontade de aprender. Ao ingressar em um programa de trainee, acreditava que aquela era a oportunidade de me formar como líder tendo a mentoria de pessoas experientes no mercado.  

Foi em uma dessas mentorias que escutei da minha gestora a seguinte frase: “é um programa para formar lideranças e líderes que choram não são respeitados. Se você quiser liderar, tem que parar de chorar e de mostrar suas fraquezas para seu time.” 

Ela, inclusive, me deu como exemplo uma experiência que viveu em sua última empresa. Para ela, o fato de sua então líder, após cometer um erro grave, a procurar com lágrimas nos olhos para desabafar foi um divisor de águas que destruiu sua credibilidade.  

Aquilo não me desceu. Como assumir seu erro e mostrar vulnerabilidade poderia ser uma fraqueza de um líder? 

Mostrar vulnerabilidade requer coragem. Assumir nossos erros requer coragem. Pedir ajuda requer coragem. Chorar não é um motivo para que a credibilidade como gestora seja colocada em cheque, muito pelo contrário, é um ato de coragem.

A grandeza da vulnerabilidade 

Assumir um papel de liderança sendo jovem e mulher foi um grande desafio. Para a minha sorte, tinha como exemplo duas mulheres incríveis. 

Num ambiente como o de uma redação de jornal, há de se imaginar que não existe tempo para empatia e sensibilidade. A demanda por informação é urgente. Se não dermos a notícia primeiro e melhor, nossos leitores vão escolher um novo canal. 

No entanto, foi nesse ambiente que entendi que o melhor não é o mais completo ou o mais imparcial. A melhor história é aquela que nos leva a pensar. Depois de uma cobertura pesada, de passarmos dias e noites entre a redação e o local de um grave acidente, vi minhas líderes chorarem ao ver um material editado. 

Naquele momento entendi que nosso trabalho tinha um objetivo maior. Que toda a exaustão e fadiga valeriam a pena! Aquela história precisava ser contada. 

Assuma suas vulnerabilidades

Líderes que assumem suas vulnerabilidades não são fracos. Pelo contrário. Um líder não é um ser superior que controla 100% das suas emoções e tem razão o tempo inteiro. É preciso muita coragem para se mostrar por completo. 

Grandes líderes são aqueles que realmente se conectam com o time, que têm empatia, que entendem a complexidade de cada um e investem tempo conhecendo as suas motivações. Conectar-se com alguém sem mostrar vulnerabilidades não é empatia, é manipulação.

Não somos só nós que estamos dizendo. Um famoso estudo conduzido pelo Google, chamado Project Aristotle, cujo objetivo era montar um time perfeito, provou que conexões humanas são tão importantes no trabalho como em qualquer aspecto da vida.

 Ele mostrou que os comportamentos que criam na gente a sensação de segurança emocional, como empatia e espaço de troca, fazem parte das mesmas regras implícitas que usamos como indivíduos quando precisamos estabelecer uma conexão. As conexões humanas são tão importantes no trabalho quanto em qualquer outro lugar. 

O estudo mostrou algo que nós já acreditamos. Nas melhores equipes, as pessoas se escutam e se mostram abertas e sensíveis aos sentimentos e necessidades do outro. 

Chorar. Por que não?

Sendo mulher, é ainda mais complexo. Somos obrigadas a engolir o choro a qualquer custo para não sermos taxadas de difíceis, sensíveis demais ou instáveis. 

Porquê? Logo o choro, uma coisa tão natural do ser humano. Nascemos chorando. Choramos de alegria, de emoção, de raiva, de frustração, de tristeza… O choro nos acompanha em algumas de nossas melhores e piores memórias.

Em uma startup como a Tarken, muita coisa acontece em um dia. Tem dias que dá tudo certo e dá vontade de sair pulando de felicidade!  Tem dias que tudo que você planejou dá errado e você se vê tendo que recomeçar, sem ter nem ideia de como fazer isso.

Somos apaixonadas por esse dinamismo, acreditamos na resiliência como uma virtude importantíssima e entendemos a beleza dos recomeços. Porém, tem hora que tudo o que precisamos é de nos trancar numa sala, chorar as pitangas por 15 minutos com nossa equipe, recolher os caquinhos e, aí sim, voltar para o jogo.

Isso não nos torna mais fracas ou menos respeitáveis como líderes.

Isso mostra que um time é uma rede, que se conecta não só nas habilidades técnicas como também nas emocionais.

Portanto, repetimos: aqui, o choro é livre!


Sarah Sarah Resende  é Especialista de Novos Negócios da Tarken, startup membro do Cubo Itaú. Formada em Engenharia de Produção pela UFMG e pós graduada em Finanças pelo Insper.

 

 

 


KarolKarol Borges é Head de Conteúdo na Tarken, startup membro do Cubo Itaú. Formada em comunicação integrada com ênfase em publicidade e pós-graduada em Gestão de Marcas e Identidade Corporativa, ambas pela PUC Minas