A Meta, ex-Facebook, está de olho na América Latina para atingir seu objetivo de conectar cada vez mais comunidades ao redor do mundo. Agora, a divisão de Experimentação de Novos Produtos (NPE, na sigla em inglês), lança o NPE Ignite. O programa fomentará negócios inovadores em toda a região, especialmente no Brasil, através de investimento de capital, mentorias, parcerias e conexões. A tese é que os próximos superprodutos e soluções tecnológicas para transformarem a internet sejam desenvolvidos longe dos EUA. E a Meta quer apoiar essas criações.

Em entrevista ao Startupi, Rodrigo Schmidt, head de NPE da Meta, diz que o objetivo da área de novos produtos é inovar em soluções para problemas reais da sociedade. “Nós olhamos para comunidades e áreas da sociedade que são mal atendidas. Queremos trazer para perto da Meta inovações que possam ajudar a criar uma sociedade mais inclusiva e conectada”, afirma o executivo.

Desde seu lançamento, em 2019, a área de Experimentação de Novos Produtos da Meta dedicou seus esforços para fomentar negócios em países africanos e asiáticos. Um exemplo é a startup Ami, de Cingapura, plataforma B2B que oferece tratamento de saúde psicológica por meio de plataformas como o WhatsApp. Na Nigéria, há um time focado em ferramentas e produtos para educação e, na Coreia do Sul, profissionais do NPE olhando para soluções que melhorem a qualidade de vida da população do país, que é a que mais envelhece no mundo.

Na América Latina os investimentos já começaram a acontecer. Na última semana, o time de NPE anunciou investimento na OlaClick, startup peruana que permite que os restaurantes facilitem a venda online diretamente ao consumidor, fornecendo serviços de ponto de venda (POS) e gerenciamento de clientes (CRM), além de digitalização de menus.

Assim como a startup asiática, uma das principais plataformas utilizadas pela OlaClick é o WhatsApp. Mas Rodrigo garante que as startups selecionadas para serem impulsionadas pela Meta não precisam, necessariamente, ter ligação com produtos e serviços da companhia. O objetivo, diz o executivo, é que elas tenham sinergia com a visão de futuro da Meta. “Nossa missão é empoderar comunidades e conectar pessoas. Não olhamos especificamente para uma área, mas para a missão da startup que está buscando nossa parceria. Nosso interesse é avançar o ecossistema de empreendedorismo coisas que não estaríamos fazendo necessariamente aqui dentro, diversificar as ideias”, afirma.

Rodrigo Schmidt, head de NPE da MetaRodrigo Schmidt, head de NPE da Meta

Rodrigo Schmidt, head de NPE da Meta

Como o programa NPE Ignite é recém-lançado, a Meta ainda está descobrindo as melhores formas de apoiar essas iniciativas de inovação. O objetivo, entretanto, é que todas as startups apoiadas – seja por aporte, parcerias e conexões – estejam em fase early stage. Embora participe de rodadas de investimento, a Meta não as lidera. “Queremos ter uma conexão mais direta com as empresas, não apenas como investidores. Nosso objetivo é fazer com que essas iniciativas cresçam e impactem as pessoas, por isso queremos olhar de perto para cada uma delas”, diz Rodrigo, ao explicar o porquê de investirem com menor participação nas rodadas em que participam.

A Meta não especifica os valores dos investimentos a serem realizados em startups ou a quantidade de empresas que pretende apoiar na América Latina, mas garante que, caso as ideias apresentadas tenham potencial de impacto, não há uma quantidade limite de empresas a entrarem para o projeto. Os empreendedores interessados em apresentar suas soluções para o NPE Ignite podem aplicar pelo site da iniciativa em parceria com a Plug and Play.