Apesar de toda expectativa gerada nos últimos dias em torno do projeto que envolve a Starlink, rede de satélites da SpaceX, do bilionário Elon Musk para levar acesso à internet a lugares remotos, a realidade é que o uso deste tipo de tecnologia envolvendo satélites não chega a ser uma novidade na América Latina. Um exemplo disso é a empresa Sencinet, integradora de telecomunicações e serviços em nuvem, que está em fase de operação em dois projetos de internet por satélite há mais de seis meses.

Em outubro do ano passado, a empresa venceu duas licitações neste sentido. Uma delas se refere ao Programa Educação Básica para Todos (MINEDU/26), do Ministério da Educação do Peru. O outro é relativo à conexão entre a Sede da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Amazonas e suas unidades jurisdicionais do interior do Estado.

O MINEDU da Sencinet tem como foco instalar e manter equipamentos, como antenas VSAT, por três anos em mais de mil escolas em áreas de difícil acesso em território peruano para conexão via satélites nas bandas Ka e Ku. A operação, que está em fase de execução, permitirá que cerca de 200 mil estudantes peruanos tenham internet disponível em seus estabelecimentos de ensino até o final deste ano.

 no caso do poder judiciário amazonense, o serviço envolve a utilização de satélite na banda Ku, contemplando o fornecimento de equipamentos, instalação, operação, manutenção e gerência proativa dos serviços contratados.

O diretor executivo de vendas e marketing da Sencinet, Jayme Ribeiro, explica que ao longo da história, a empresa  desenvolveu  inúmeros projetos semelhantes em países como Brasil e Colômbia, levando conexões de qualidade a regiões remotas da floresta amazônica que só podem ser alcançadas de barco, por exemplo. “O satélite é usado como um link de comunicação primário ou backup para garantir a flexibilidade e escalabilidade de rede ao permitir aumento da largura de banda larga para novas aplicações e crescimento em locais remotos”, completa.

O executivo comenta ainda que novas tecnologias como a “Spot beam” – feixe pontual, sinal de satélite especialmente concentrado em energia para cobrir apenas uma área geográfica limitada da Terra – facilitam ainda mais a consolidação dos satélites nesse tipo de uso. “Esse novo modelo de atuação permite que a potência do sinal do satélite seja direcionada para pontos específicos do país, ao contrário do modelo tradicional, no qual toda a potência do sinal é distribuída por uma larga cobertura, como um país inteiro ou um continente inteiro. Essa inovação permite o reuso de frequências e o uso de feixes específicos que cobrem cada região,  entregando maior potência a menores custos”, afirma.