Com o nascimento de sua filha Laura, que é intolerante à proteína do leite, Pedro Campos teve que mudar a forma como encarava a alimentação dentro de casa. Ao buscar produtos que ela pudesse ingerir sem problemas, o pai entendeu que existia uma escassez de alimentos vegetais e resolveu empreender.

O ex-executivo da Coca-Cola e Natural One, juntou suas experiências no mercado alimentício e, com a informação de que cerca de 70% da população brasileira apresenta algum nível de dificuldade de digestão de enzima lactase, segundo o Instituto Datafolha, criou em 2021 a The Question Mark Company – foodtech que desenvolve leite e iogurte plant-based usando tecnologia para garantir nutrição.  

Para chegar no modelo de negócio da startup, o fundador viajou para estudar o setor alimentício no exterior. “Durante os últimos dois anos, visitei os Estados Unidos e fiz uma profunda imersão em feiras e eventos do segmento. Conheci ótimas ferramentas para implementar no meu negócio”, explica. 

Pedro Campos – fundador da The Question Mark Company

Os produtos da Question Mark não possuem conservantes, gomas, corantes e aromatizantes. Então, para manter o sabor, o segredo da empresa é o nanoencapsulamento, tecnologia que permite maior biodisponibilidade (absorção pelo organismo) dos nutrientes e melhor aproveitamento dos recursos do planeta. “Os alimentos nanoencapsulados são adicionados ao iogurte através da máquina de bioimpressão, o que permite o uso adequado de cada dosagem.” 

Além disso, os produtos são preparados com ingredientes ricos em “gordura do bem”, como coco, inhame e castanha de caju. A startup também utiliza o processo de fermentação com cepas probióticas veganas, ou seja, fermentos que são cultivados em meios não animais. 

Para Pedro, o mercado brasileiro de plant-based, no que se refere à alternativos lácteos, ainda é novo e tem muito a ser explorado. Segundo ele, só no Brasil existe uma população de 27 milhões de vacas leiteiras. “A nossa nanofábrica produz até 50 toneladas [de leite] por mês, esse volume equivale a 1000 vacas leiteiras. Imagine o tamanho do potencial quando as pesquisas apontam que 46% dos brasileiros possuem interesse em consumir a categoria de alternativos lácteos”, comenta. 

Iogurte personalizado: o novo passo da startup

Após gerar resultados com os produtos Milk? e Yogurt?, a foodtech abriu uma nanofábrica em Cajamar, em São Paulo, que produz iogurte personalizado, com base nas necessidades de cada organismo. Para o processo de personalização, é usada uma bioimpressora desenvolvida para aplicação de nanoingredientes no produto. 

A ideia é que o cliente responda um questionário personalizado, ou faça um teste genético, e receba o iogurte feito exclusivamente para ele. “Com base nas informações apontadas pelo teste, os produtos podem conter até 34 ingredientes, além de sua formulação base, por exemplo: Vitamina C, Vitamina D, Vitamina B12 e diversos minerais. Tudo de forma personalizada e formulada para atender às principais necessidades de cada pessoa, sem esquecer das matérias primas vegetais”, complementa Campos.

Hoje o produto está em etapa de MVP (em fase de teste), em razão de uma captação-anjo de R$ 2 milhões, e os formulários estão sendo preenchidos pelos embaixadores da alimentação personalizada. No futuro, os clientes poderão respondê-los pela plataforma digital da startup. O fundador espera ter os produtos personalizados para o comércio em 2023.

Testes genéticos para nutrição 

Com relação aos testes genéticos para fins nutricionais, Pedro Campos afirma que isso é um processo revolucionário e que já é aplicado em diversos segmentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem mais de 1 milhão de pessoas com o resultado de seus testes para fins de nutrição e no Brasil, pelo menos 10 empresas de testes genéticos já estão em operação.

“Nós acreditamos que estamos passando por uma terceira onda de testes genéticos. A primeira veio dos testes de ancestralidade e a segunda veio em decorrência do ‘efeito Angelina Jolie’, com a utilização dos testes para apontar predisposições a doenças. Agora, é o momento dos testes genéticos para fins nutricionais”, explica o fundador da Question Mark.

A startup acredita que os testes para nutrição são pequenos guias sobre como o corpo metaboliza alguns alimentos e o mundo está reconhecendo os seus benefícios para alimentação e outros segmentos. “A tendência é que os testes se tornem cada vez mais acessíveis, assim conseguiremos atuar, de maneira simultânea, em duas vertentes: prevenção e tratamento, com o único objetivo de contribuir para melhorar a saúde do público final”, finaliza Pedro.