* Por André Abreu

Já imaginou se a sua empresa não contasse apenas com os funcionários em sua folha de pagamento? A ideia de um ecossistema de inovação com talentos veio para mudar a forma como enxergamos o futuro do trabalho no Brasil, trazendo novas possibilidades e desafios para as empresas. Afinal, o que pode acontecer quando os talentos externos se tornam um recurso para o desenvolvimento de projetos?

Apesar de representar uma mudança de paradigma, a ideia de fornecedores externos não é novidade. O próprio modelo de trabalho freelancer já é muito utilizado por empresas que buscam mão de obra qualificada para atender a uma demanda temporária, o que naturalizou a ideia de contratos intermitentes – acima de tudo por projeto.

  1. Ecossistema de talentos no setor da tecnologia

Essa é uma tendência que vem tomando conta de todo mercado de trabalho nos últimos anos, e o setor de tecnologia não é exceção. Desafios comuns do setor, como a grande necessidade de agilidade e o crescente volume de trabalho (impulsionado principalmente após um ano de 2020 conturbado) são algumas das características que fazem com que os freelancers sejam cada vez mais cobiçados por essa indústria.

Como se esses fatores por si só não bastassem, as empresas do setor também estão se adaptando para tornar suas posições cada vez mais atraentes. Tudo isso porque existe uma alta disponibilidade de vagas por conta de uma escassez de mão de obra qualificada, o que aumenta o poder de barganha dos colaboradores.

Também, com as empresas adotando metodologias ágeis e aproveitando o máximo do trabalho remoto, esse é o cenário perfeito para o ecossistema de talentos, que pode revolucionar a forma que essas empresas trabalham. Ao que tudo indica, o futuro está aqui – e o ecossistema de talentos é um desses futuros.

  1. Colaboradores como protagonistas

Existem diversos desafios que têm sido superados pelas empresas ao longo dos últimos anos. Entre eles, a rápida adoção do trabalho remoto em decorrência da pandemia da Covid-19, a transformação digital e, principalmente, o desenvolvimento da inovação aberta.

As principais mudanças aconteceram em 2020, diante da adaptação de estratégias para a continuidade dos negócios a longo prazo. Agora, em um segundo momento, as empresas podem lançar mão de estratégias e programas para que o crescimento das empresas seja novamente uma realidade.

As principais mudanças giram em torno da agilidade empresarial, da popularização de modelos de trabalho flexíveis e da valorização da inovação aberta. E tudo isso se resume a uma coisa: colaboradores como protagonistas. E tem mais: beneficiam-se as empresas que se adaptarem rapidamente a esse novo futuro do trabalho.

  1. O impacto da mentalidade ágil para a inovação

Agora, diante de tantas mudanças, existe um novo desafio: Como as empresas podem gerenciar tanto seus talentos internos quanto os externos?

Esse desafio é fruto do conceito da inovação aberta, que entende que nem todos os talentos estão dentro da organização. Beneficiam-se, nesse cenário, as empresas que sabem gerenciar tanto seu ecossistema interno quanto o interno, extraindo o máximo de suas estratégias e alavancando o potencial desses talentos.

Portanto, para que as empresas alcancem essa agilidade, elas precisam ter um novo olhar para suas estratégias de inovação. Afinal, como podem procurar novos talentos? Como podem desenvolver projetos que atraiam esses profissionais? O que é preciso para retê-los para projetos futuros? E, mais importante, como gerenciar tudo isso com os talentos internos?

Todas essas questões são essenciais para a adoção desse ecossistema de talentos, e proporcionam mais agilidade para as empresas. O que, após a crise de 2020, são características fundamentais para seus planos de continuidade de negócio.

  1. Como começar?

Todo esse cenário de inovação aberta ainda está sendo desenvolvido, e não existe material melhor para entender esse recurso do que a própria realidade. Entretanto, uma visão de gestão de talento pode ser um ótimo começo para a adoção desse ecossistema flexível.

Em primeiro lugar, é preciso entender quais são os skills internos da empresa para localizar as demandas que podem ser atendidas externamente. Afinal, esse pode ser um ótimo caminho para otimização de recursos – tanto financeiros quanto humanos. Diversos colaboradores podem não saber de suas possibilidades dentro da empresa, e isso pode ajudar os negócios a reter seus talentos.

O RH também assume uma nova importância nesse cenário. Agora, a alçada do departamento não se limita apenas à atração e retenção de talentos e a gestão da folha de pagamentos. Muito pelo contrário: suas atribuições adquirem um papel cada vez mais estratégico, ajudando no desenvolvimento de produtos e auxiliando líderes de negócio no gerenciamento de novos projetos.

Além disso, investir no squad as a service, que nada mais é do que um time multidisciplinar e sob demanda, também pode ser uma boa porta de entrada para começar a estratégia de inovação na empresa. Muitas vezes, as demandas vão aparecendo e o time de tecnologia pode não conseguir abrangê-las, é importante contar com um planejamento sólido quanto a isso.

Ou seja, a possibilidade de cocriar e colaborar em conjunto com um ecossistema é importante, ou seja, a integração entre time interno, consultorias, agências e outros parceiros é a nossa visão sobre o Open Innovation no RH. Essas  equipes multidisciplinares com figuras de gestão de produto, design e tecnologia servem para conseguir tocar soluções digitais de ponta a ponta. E os nossos clientes e parceiros podem se beneficiar desse squad sob demanda e acessá-lo quando necessário. A melhor parte é que, enquanto times de RH tradicionais demoram de 90 a 110 dias para alocar uma pessoa num squad de tecnologia, a gente demora apenas 10 dias

Por fim, a agilidade deixa de ser restrita ao desenvolvimento de software e participa ativamente da mentalidade da empresa. Assim, estando presente na contratação, na gestão, na cultura de testes e na estratégia de inovação.

*André Abreu é cofundador da BossaBox