* Por Caio Bretones

Nosso setor de meios de pagamento está entre os mais modernos do mundo e a agenda regulatória implementada pelo Banco Central nos últimos anos contribuiu e tem contribuído para que o Sistema Financeiro Nacional continue sendo uma referência positiva ao redor do mundo. Os bancos e as instituições de pagamento têm investido cada vez mais em tecnologia com o objetivo de aperfeiçoar a experiência do cliente, ampliar o acesso aos serviços financeiros, sem abrir mão da segurança e da privacidade, ao passo que também reduz os riscos envolvidos nas transações, evitando o colapso do sistema como um todo.

Com isso, podemos dizer que atualmente temos as ferramentas mais convenientes, rápidas e seguras de cobrança e pagamento que fazem parte da realidade brasileira. Todo esse movimento de pioneirismo e implementação não é recente e trata-se de algo que vem sendo construído há muitos anos. Com o nosso país atravessando um período de hiperinflação nos anos 90, as instituições financeiras passaram a investir em novas tecnologias para proporcionar maior velocidade às transações financeiras, fazendo com que o dinheiro estivesse sempre girando para que não perdesse o seu valor. Essa ação levou ao surgimento dos boletos, DOC e, posteriormente, o TED.

Presente na vida dos brasileiros desde meados dos anos 50, os cartões foram essenciais para fomentar o poder de compra dos usuários. Mesmo tendo sido idealizado em outro país, no Brasil a funcionalidade logo ganhou proporções gigantescas, já dando indícios do que hoje seria um dos grandes ecossistemas de serviços financeiros do mundo ocupando, atualmente, a primeira posição da América Latina, segundo dados do estudo “2021 Global Fintech Rankings”, da Findexable em parceria com a Mambu.

O Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central, completou recentemente seu primeiro ano e acumula recordes e paradigmas quebrados. Criado como uma opção para os que buscam por transferências bancárias instantâneas e gratuitas, disponíveis todos os dias da semana, a modalidade facilmente caiu no gosto dos brasileiros figurando entre os meios de pagamento preferidos, competindo diretamente com cartões de débito e dinheiro vivo. 

Os números em torno da mais recente modalidade de pagamento são bastante expressivos e surpreendeu até os mais otimistas com a implementação. O número de transações via Pix superou o de movimentações por meio de cartões de crédito ou de débito no país, em comparação ao quarto trimestre de 2021, sendo a primeira vez que o pagamento instantâneo assume a liderança entre os instrumentos mais utilizados.

Essas e outras séries de inovações vêm demonstrando o quanto os bancos e as instituições de pagamento estão preparados para continuar a digitalização das relações de consumo, criando ferramentas que não apenas trazem celeridade às transações, como também proporcionam confiança para o consumidor final, que é peça chave para a evolução de qualquer produto ou serviço financeiro.

Além disso, não podemos deixar de citar o Open Finance, considerado um dos sistemas mais completos do mundo e desenvolvido em tempo recorde. Com a promessa de ampliar o acesso das instituições às informações de clientes de todo o sistema financeiro, a novidade é vista por especialistas do setor como uma “revolução maior que o Plano Real”. Trata-se de mais uma grande iniciativa brasileira com potencial de nos catapultar para posições ainda mais altas quando pensamos em referência mundial.

No demais, o Banco Central está em busca de impulsionar a inclusão financeira, a competitividade no sistema financeiro nacional e incentivar o uso de meios eletrônicos de pagamento no varejo, fazendo com que grande parcela da população que ainda não conseguiram acessar os serviços financeiros básicos, acessem de forma rápida e segura. 

Em paralelo, há cada vez mais startups financeiras disputando esse mercado com bancos tradicionais, o que impulsiona a competitividade e a oferta de produtos. Algumas fintechs que na prática tornaram-se mini bancos, conquistaram bastante representatividade e foram autorizadas pelo Banco Central a funcionarem sem nenhum tipo de dependência em relação a serviços de instituições financeiras tradicionais. De acordo com dados do hub de inovação Distrito, dentre as 741 fintechs brasileiras, 122 são do segmento de meios de pagamentos.

Segurança, funcionalidade e agilidade têm guiado as transformações pelas quais o Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB) tem passado ao longo dos anos, e elas foram muitas e expressivas. Até 2002, a movimentação de valores era extremamente insegura, além de demorada. As recentes inovações não apenas mudaram o sistema de pagamentos para melhor, mas trouxeram segurança em relação aos tradicionais. Entre oportunidades e desafios para o sistema financeiro, uma coisa é certa: todas as instituições vão precisar viabilizar infraestrutura, conectividade e segurança para lidar com os novos desafios, assim como em muitos cenários se reinventar para não ficarem à mercê das novas tecnologias.


CaioCaio Bretones é sócio-fundador e CEO da Mobile2you, mobile-house especializada no desenvolvimento de aplicativos financeiros sob medida (tailor-made), com especialidade em fintechs e soluções digitais. A Mobile2you foi adquirida pela Dimensa Tecnologia, subsidiária da maior empresa de software da América Latina, a TOTVS em sociedade com a B3 S.A. – Brasil, Bolsa Balcão, ampliando assim a oferta de produtos e serviços para seus clientes e fortalecendo sua posição de liderança no segmento de tecnologias B2B para o setor financeiro e de fintechs.