* Por Sergio Roque

Uma das certezas em qualquer processo de autoconhecimento é que cem por cento das pessoas que nos conhecem, incluindo nossos pais, irmãos, cônjuges e filhos não nos enxergam da mesma forma como nos enxergamos.

Todas as pessoas que passam por nossas vidas, quer tenhamos uma relação profunda ou superficial, têm uma ideia de quem nós somos baseados em alguns dos nossos comportamentos, atitudes e emoções, em relação direta a elas, e ainda de forma mais contundente, fazendo uma relação ao que elas conhecem de si mesmas.

Nós, em contato com alguém, “lemos” a pessoa e criamos em nossas cabeças uma “imagem” do que achamos que esta pessoa é. 

O convívio e uma relação profunda envolvendo amor e respeito vão trazendo esta “imagem” cada vez mais próxima do que seria a verdadeira imagem da pessoa, porém é muito difícil esta “imagem” ser o que somos na realidade, aquela que seria nosso Eu Verdadeiro.

O grande motivo para isto acontecer é que não conhecemos ninguém profundamente, sem conhecer profundamente a si mesmo, é impossível. Esta regra vale para o inverso: é impossível ser conhecido profundamente por outra pessoa se você não se conhece profundamente.

Ou seja, cem por cento das pessoas, inclui também a nós mesmos. Nós nos enxergamos e temos uma imagem irreal do que realmente somos. 

É claro que existem pessoas que têm uma inteligência intrapessoal mais desenvolvida, outras têm uma sensibilidade que lhes permitem fazer uma “leitura” mais correta das pessoas à sua volta e outras ainda parecem que tem uma alma tão velha que já nasceram sabendo alguns segredos do mundo, porém essas pessoas são raras.

É necessário explicar que aqui estou escrevendo sobre o “Eu Verdadeiro” do ponto de vista do autoconhecimento e não sob o olhar religioso, espiritual ou metafísico. Não estou falando de outros estados mais profundos da consciência humana que quando alcançados nos colocam de frente para o que somos: nosso Eu autêntico. 

Se não sabemos quem somos, nossos comportamentos, o que os impulsionam (aqui entra o lado sutil do autoconhecimento), nossa escala de motivações, nossa proposta de vida, como podemos saber se o que dizem de nós é verdade ou mentira? 

O que trazer o “Eu Verdadeiro” para a superfície tem de prático e bom para as nossas vidas? 

Talvez você possa pensar que ser autêntico lhe daria uma transparência não muito boa na corporação em que você trabalha. Talvez pense que se for assim metade da sua família brigaria com você e a outra metade lhe abandonaria. Talvez pense que mesmo seus amigos mais profundos não o entendam. Esse medo que temos não tem fundamento. 

Nos conhecendo profundamente mudamos o mundo à nossa volta. Na empresa tudo será substituído por respeito, na família por amor e com os amigos e na sociedade por honra e admiração.

O caminho para ser você mesmo é longo e difícil, mas na busca toda sua vida será muito mais intensa e cheia de significado.


Sergio Eduardo Roque é coach executivo e de vida com foco em processos de autoconhecimento na SerOQue Desenvolvendo Pessoas. Com formação em engenharia (FAAP) e marketing (ESPM) atua há mais de 25 anos no mercado como executivo e empreendedor.