* Por Ana Damasio

Lembro-me como se fosse ontem, eram meados de 2021 e o talibã tomava posse do governo Afegão, limitando o direito das mulheres a empregos, estudo, política e a liberdade de expressão. 

Na mesma época, a porcentagem de mulheres fundadoras à frente de negócios inovadores e escaláveis de tecnologia batia a triste marca de 4,7% segundo o estudo Female Founders Report, realizado pelo Distrito. 

Mas a verdade é que a desigualdade atinge níveis ainda maiores, segundo um artigo da época na Harvard Business Review, que mostrava que quando falavam sobre investidores, investidores anjos, interesse em investir em negócios com líderes mulheres e a preferência pelos pitchs, todos eram para os homens. Apenas 7% do total dos investimentos nos mercados eram destinados a negócios liderados por mulheres. 

Queria eu que esses fatos fizessem parte de um passado distante e já superado, mas infelizmente, o presente é aqui, onde essas notícias são costumeiras. Parece que somos um universo à parte, sabe?

Em diversas vezes, todos os dias e em muitos lugares, nos deparamos com situações constrangedoras e angustiantes de linguagem racista, feedbacks desproporcionais para mulheres e outros grupos minoritários, assédios, exemplos negativos, cultura desviada e pedidos de desculpas vazios e sem intenções. A pressão é grande. 

Em meio à maior conscientização social de todos os tempos, um longo e cansativo caminho é visto e sentido por nós, mulheres. E esse caminho se torna ainda mais difícil quando acrescentamos outras características particulares como: raça, cor, gênero, não-gênero e entre outras definições. 

O mundo está em desconformidade e a evolução retrocede. É preciso romper barreiras, compreender significados, praticar empatia, se desvincular de todos os padrões que levamos de geração em geração e seguir em frente, sempre. 

Que sejamos o exemplo, que tenhamos voz na frente de quem nos cala, que tenhamos consciência de tudo o que somos capazes e que mesmo com receios, medos, inseguranças, a gente vá, com tudo isso mesmo.

Um texto de uma mulher que espera chegar ao topo o quanto antes, para você que também pode chegar lá! 


AnaAna Damasio tem 28 anos e é Analista Financeira na Hybri, startup membro do Cubo Itaú.