* Por Fabiano Nagamatsu

Trabalho com startups há aproximadamente onze anos. Já mentorei startups de praticamente todas as áreas de atuação e acredito fortemente que este esforço é essencial para construir um Brasil melhor, com uma economia mais sustentável. No meio deste ano, de uma conversa com meu amigo Jorge Yamaniski Filho, nasceu mais um projeto: a Osten Moove, uma aceleradora que investe smart money em negócios empreendedores de tecnologia de ponta. 

Dentre as primeiras startups nas quais decidimos investir, são empregadas duas das tecnologias mais discutidas ultimamente: o blockchain e a inteligência artificial. Esse rebuliço no mercado tem um motivo: elas têm um potencial muito alto de mudar paradigmas na nossa sociedade. 

Nosso país passa por um momento delicado, marcado por crises. Mas vejo uma característica fundamental em comum entre o startupeiro e o espírito brasileiro: a resiliência. Vamos voltar. O Brasil tem um mercado imenso a ser explorado e existe bastante espaço para unicórnios em nosso ecossistema que, segundo estimativa da Abstartups, nos próximos cinco anos deve acolher cerca de 100. 

Nossa aposta em investir no blockchain e na inteligência artificial passa por uma questão lógica e estratégica. Democratizando o acesso à segurança da informação e livrando o ser humano de tarefas repetitivas, podemos proporcionar mais tempo para o trabalho que só ele pode desempenhar. Mas vamos analisá-las separadamente para explicar melhor sua relevância. 

O blockchain é, traduzido literalmente ao português, uma cadeia de blocos. Ou seja, quando eu faço um registro ou uma transação, esses dados ficam arquivados em diversos lugares. Por isso, a questão da segurança: é muito mais difícil um vazamento ou um ataque hacker a uma informação em blockchain porque ele é um código grande que deve ser quebrado em vários servidores ao mesmo tempo. 

Garantindo a segurança, aumenta a confiança do consumidor final quanto à utilização da criptomoeda, que o permite eliminar o intermediador e as taxas e juros que ele traz consigo. A transação é feita em segundos e com confiança. Hoje, temos visto a tecnologia sendo utilizada em cartórios e até pelo Governo Federal pela sua solidez técnica. 

Já a inteligência artificial promete boas perspectivas para aumentar a qualidade e eficiência do tempo de trabalho do ser humano. Imagine só: usando machine learning, os próprios bots são capazes de realizar não só tarefas repetitivas mas também de aprender com a rotina que está sendo imputada. Isso pode ser útil de inúmeras formas, desde algo mais simples como a emissão recorrente de notas fiscais até a busca de preços de competidores online ou de dados de consumo para focar estratégias de marketing. 

A questão de tirar o ser humano de trabalhos repetitivos passa longe de qualquer julgamento quanto à dignidade deste tipo de trabalho. Na verdade, a relevância disso é justamente permitir que o trabalhador exerça funções que só o cérebro humano é capaz de fazer. 

Dentro de uma empresa, um colaborador bem treinado e escolhido para a função adequada, tem capacidades infinitas de análise, estratégia e criatividade para encontrar recursos, soluções e novos caminhos. Este profissional é quem eleva a qualidade do trabalho entregue ao consumidor. 

É por isso que investir em tecnologia de ponta, não só vai abrir espaço para novos unicórnios no ecossistema nacional, como também vai permitir que o trabalhador brasileiro se especialize e alcance todo seu potencial dentro do mercado de trabalho. Não seremos substituídos pelas máquinas – elas nos permitirão alcançar outro patamar de produtividade.


Fabiano Nagamatsu é cofundador da Osten Moove e mentor de negócios no InovAtiva Brasil, maior programa de aceleração de startups da América Latina, indicado dois anos consecutivos entre os 10 mais influentes em mentoria e investimento do Startup Awards 2019, iniciativa da Abstartups, e finalista como mentor do ano em 2020 e 2021.