* Por Marcelo Navarini

Após dois anos de muita incerteza, em decorrência do período pandêmico, fomos forçados a nos adaptar e nos reinventar de forma abrupta. Nesse processo, criamos novas oportunidades para os negócios com reflexo direto nos hábitos de consumo de muitos brasileiros, que deixaram o receio de comprar on-line e, por necessidade ou talvez comodidade, descobriram e adotaram novos canais de compra. A mudança na jornada de compra acelerou a transformação digital de muitas indústrias, em especial, o segmento varejista cada vez mais multicanal. 

Mesmo com esse contexto conjuntural mais desafiador, os dados demonstram o potencial do mercado brasileiro e, por isso, segue atraindo novos players e gerando oportunidades para novos canais de venda e distribuição, exemplo, das gigantescas do varejo, como: Magalu, Mercado Livre, B2W e a chegada de novos entrantes como Amazon e mais recentes Aliexpress, Shopee, e Meta (Facebook, Instagram e Whatsapp). 

A inflação recente vem pesando no poder de compra das pessoas, resultando em um desempenho mais fraco do varejo, conforme dados apresentados na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Embora alguns segmentos apresentem uma quantidade transacionada superior aos meses anteriores à pandemia, resultado também da mudança do comportamento de compras do consumidor, a alta dos juros e a escalada da inflação apontam para o momento mais desafiador da nossa economia. 

Como resultado, as expectativas de mercado convergem e a demanda terá um menor impulso no próximo ano. Mesmo que seja estendido o auxílio emergencial, o impacto será menos significativo. Ainda, o Banco Central (BC) vem sinalizando maior preocupação com o nível de preços, realizando aumentos da taxa de juros que certamente irão ter impacto no consumo dos brasileiros ao longo do próximo ano, com expectativa de crescimento do PIB em torno de 1%.

Ainda que existam riscos associados à pandemia, na medida que se acompanha novas ondas em diversos países, a incerteza do mercado tende a ser menor, uma vez que os agentes econômicos, pessoas e empresas, estão mais preparadas, tanto do ponto de vista do conhecimento sobre possíveis medidas e restrições de governos, quanto ao tecnológico; relacionado ao acesso a canais de venda e soluções de gestão das operações e de relacionamento com clientes, para navegar em águas turbulentas, caso necessário. Esses fatores, sem sombras dúvidas, contribuirão com o cenário econômico de 2022. 


MarceloMarcelo Navarini é COO do Bling, sistema de gestão do Grupo Locaweb. O executivo é Administrador e Mestre em Economia Internacional. Antes do Bling, Navarini atuou como Investment Officer na CRP Cia de Participações, em transações de Venture Capital e Private Equity, além de outras experiências em empresas do setor financeiro e de bens de consumo.  Atualmente acumula, também, o cargo de Diretor de Operações da Pagcerto.