* Por Maria Rita 

De tempos em tempos, vemos surgir uma nova sigla que aos poucos se torna importante e parece direcionar os investimentos e até a visão de mundo de quem investe, empreende ou atua em uma corporação. Atualmente essa sigla é ESG, que reconhece a inclusão de práticas empresariais ou de investimento que consideram os aspectos ambientais, sociais e de governança (Environmental, Social and Goverance –na sigla em inglês) no processo de tomada de decisão.

Muitas empresas já tinham programas e iniciativas relevantes em relação a seus impactos no meio ambiente, várias motivadas por regulamentação específica, que as obrigavam a tratar resíduos ou a mitigar o impacto de seus processos produtivos, por exemplo. A governança também não é um tema novo, em especial para grandes empresas que têm capital aberto ou sócios institucionais. Em relação ao social, muitas tinham programas de filantropia ou de apoio a pessoas vulneráveis em seus locais de atuação.

O que muda com o ESG? A proposta é que essa visão passe a ser integrante do negócio, sendo considerado em tudo o que a empresa faz para gerar e capturar valor, e não apenas como um programa lateral e desconectado do centro do negócio. Traz uma visão mais completa que considera impactos diretos e indiretos em todos os que participam ou são impactados pela atuação da empresa.

E negócios e investimentos de impacto, o que são? Podemos usar a definição da Artemisia, organização da qual eu tenho a honra de participar do Conselho: “Negócios que podem trazer melhorias em nossa sociedade de forma escalável por meio de produtos e serviços desenhados para os desafios da população em situação de vulnerabilidade social e econômica.”

Olhando para os dois conceitos vemos que são complementares, mas não idênticos. Como disse Daniel Izzo no último Webinário de Impacto que promovemos na Anjos do Brasil: “ESG está preocupado com o COMO você faz as coisas e o Impacto com O QUE você faz”. Se quiser assistir o evento inteiro, pode entrar na playlist de Investimento de Impacto do canal do Anjos do Brasil no Youtube! Uma empresa pode ter definido que seus processos de uso de água sejam efetuados de tal forma que isso não agrida o meio ambiente e não crie externalidades negativas, o que seria um posicionamento ESG, mas o fazer ou deixar de fazer isso em nada impactaria seus resultados financeiros ou mudaria seu negócio.

Já um negócio de impacto não pode deixar de ter impacto, à custa do negócio deixar de existir ou ser tão transformador que não é mais o mesmo negócio. É possível exemplificar a ideia com a Incentiv.me, startup investida pela rede da Anjos do Brasil. Eles se definem como uma startup de inovação tributária (taxtech), que conecta o ecossistema de leis de incentivo fiscal, oferecendo produtos e serviços para patrocinadores, incentivadores, proponentes e toda a sociedade. A Incentiv.me foi criada para que pessoas e empresas multipliquem o impacto social, contribuindo juntas para um mundo melhor. Podemos perceber que o negócio e o propósito estão intimamente conectados e, se deixarem de gerar impacto, deixam de existir como negócio.

Ser uma empresa pautada pelas diretrizes de ESG é uma necessidade e pode trazer um resultado muito positivo, além de atrair investidores, motivo pelo qual esse processo tem acontecido em muitas empresas. O desafio é ir além e entender como é possível tornar sua empresa um negócio de impacto, transcendendo ao simples alinhamento com as diretrizes ESG.


MariaMaria Rita Spina Bueno é diretora Executiva do Anjos do Brasil.