A jornada dos empreendedores não é uma tarefa fácil e, com a competitividade por novos clientes, expectativas de crescimento acelerado, estabilidade e, ainda, tornar-se visível para fundos de investimentos, por exemplo, é um grande desafio, especialmente para as startups. Sabemos que nem sempre é possível seguir com os recursos próprios para tirar do papel determinado projeto e, por este motivo, muitos empreendedores optam por buscar investimentos no mercado.

De acordo com dados do ranking da 100 Open Startups, plataforma líder em open innovation, cerca de 80% dos acordos de inovação aberta registrados no último ano implicam em transferência de recursos da empresa maior à startup. O valor médio desses contratos cresceu de R$ 140 mil, em 2020, para R$ 270 mil, em 2021 – valor total de contratos de inovação aberta entre corporações e startups em estágio inicial no período foi de R$ 2,2 bilhões.

Para João Alfredo Pimentel, investidor fundador do SCALEXOPEN, fundo de investimento Venture Capital para startups em estágio seed e pré-seed, as startups devem mostrar que são capazes de entregar resultados positivos e que encontraram, de fato, uma dor no mercado (Product Market Fit), que poderá ser sanada com a solução do novo modelo de negócio. No entanto, outros pontos também devem ser levados em consideração, conforme aponta Pimentel:

Visão estratégica: O empreendedor precisa estudar e analisar o cenário de sua empresa atualmente, e entender que os fundos também estão interessados no crescimento do negócio. Desta forma, é importante buscar investidores que se ajustem à cultura da empresa, bem como seus interesses.

Concorrência: Ter um plano de negócio e um projeto bem estruturado é imprescindível, além de, claro, comprovar que o empreendedor conhece os seus próprios desafios, além da solução de seus concorrentes. “Mais do que ter referências externas, é importante compreender como é possível melhorar um serviço já existente ou até mesmo oferecer uma solução nova no mercado. No entanto, toda essa análise só é possível se o empreendedor souber como os seus concorrentes estão se posicionando”, diz Pimentel.

Smart Money: Normalmente, os fundadores das startups estão sozinhos em seus objetivos e ainda têm o desafio de fazer seus negócios crescerem. Assim, com o apoio de investidores experientes que enfrentaram, inclusive, este cenário por diversas vezes, torna-se possível ajudá-los a encontrar novas soluções para problemas já conhecidos por esses profissionais.

“A fim de receberem auxílio para evoluírem em seus processos internos, essas empresas acabam necessitando muito mais do conhecimento dos investidores, adquirido ao longo da carreira profissional (Smart Money), do que apenas do money, propriamente dito. Desta forma, os investidores passam a colaborar não apenas com o dinheiro, mas, com a experiência profissional do investidor, adquirida ao longo da carreira”, conta.

Ainda segundo Pimentel, no geral, essa é uma estratégia implementada pelos gestores quando o objetivo da startup é ganhar espaço no mercado, se desenvolver e crescer em seu ambiente de atuação. “As empresas brasileiras estão cada vez mais na mira dos investidores, principalmente porque passamos a contar com a chegada de novas companhias que carregam com si ideias e soluções disruptivas”, finaliza.