* Por Alexey Krasnoselskiy

Vivemos um período de crescimento recorde no mercado de educação online no Brasil. Tecnologias e inovações estão sendo implementadas rapidamente a fim de facilitar o desenvolvimento do EAD e agora, além de aprender, os brasileiros enxergam o espaço online como um ambiente de oportunidade para compartilhar as suas próprias expertises e os seus conhecimentos.

É isso que aponta uma pesquisa recente realizada no Brasil*. Cerca de 55% afirmaram que têm uma habilidade ou um conhecimento especial que gostariam de ensinar no formato digital, inclusive para quem mora em outro país.

Além disso, o desejo de explorar e ensinar neste universo acompanha o crescimento das inscrições em aulas online no país. Nos dois últimos anos, 73% fizeram cursos na Internet, sendo que 30% começaram a estudar diversos tópicos neste formato por conta das restrições impostas contra o coronavírus e mais de 50% aumentaram a quantidade de aulas online.

Enquanto cursos de idiomas, finanças, marketing digital e carreira sempre geram grande procura online, o mercado tem percebido mais interesse de brasileiros em oferecer conteúdos regionais. A mudança comportamental vai de encontro ao aumento de inscrições em aulas que desenvolvem habilidades pessoais e culturais – quase 78% busca por atividades extracurriculares para desenvolver conhecimentos gerais e hobbies.

Das salas de aula à Internet: a cultura brasileira como tópico de ensino

O universo digital tem permitido que diversos assuntos sejam explorados – hoje em dia temos até mesmo aulas de natação e capoeira no formato virtual, o que possibilita uma conexão mais diversa para todos os alunos. Assim, a troca de experiências é enriquecedora e muitos estão cada vez mais se convencendo e aproveitando as oportunidades das aulas online.

Pensando na questão do desenvolvimento de hobbies e conhecimentos gerais, percebemos que há muitos brasileiros se interessando por ensinar online os seus conhecimentos de culinária, número que equivale a 29%. Entre os outros temas de interesse estão o futebol (21%), o artesanato (15%) e diversos estilos musicais típicos do país (14%).

Essas estatísticas revelam que o e-learning tem ajudado em um acesso maior à educação, que deve continuar se expandindo mesmo com o retorno das atividades presenciais. A mudança tem possibilitado o enriquecimento da aprendizagem, através da troca de experiências e vivências de maneira virtual.

Os dados representam ainda o desejo dos profissionais de explorar novas áreas e compartilhar conhecimentos com públicos maiores, uma vez que o território e o ambiente da Internet são ilimitados e muito maiores do que as salas de aula. Assim, percebemos que a educação virtual está abrindo espaço para mais pessoas darem cursos e ainda facilita o ensino dos alunos.

Se no começo de 2020 esta modalidade assustava quem se deparava pela primeira vez com aulas remotas, hoje, a oportunidade de aprender e compartilhar conteúdos sem sair de casa se tornou uma tendência global. Além disso, a educação online vai funcionar cada vez mais como ferramenta de geração de renda dos docentes e deve auxiliar na democratização de informações em todo o mundo.

*A pesquisa da GetCourse foi realizada em parceria com a Toluna em outubro de 2021, com 1000 indivíduos das classes A, B e C, segundo critério de classificação de classes utilizado pela ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, onde pessoas da classe C2 têm renda média domiciliar de R$ 4.500 por mês. O estudo foi feito com pessoas acima de 18 anos de todas as regiões brasileiras com 3 pontos percentuais de margem de erro e 95% de margem de confiança.


* Alexey Krasnoselskiy é head de expansão internacional da GetCourse.