* Por André Dratovsky

Estamos vivendo uma era de muitos avanços tecnológicos, que vão exigir novas capacidades para profissionais e empresas. A Inteligência Artificial (IA) é uma das mais poderosas ferramentas deste século e ela irá impactar indivíduos, carreiras e os negócios de muitas empresas. Será cada vez mais comum nos depararmos com máquinas inteligentes, com capacidade de aprender, raciocinar e decidir sozinhas.

Apenas para exemplificar, segundo a International Association of Artificial Inteligence, os robôs já são capazes de compreender o contexto e extrair informações relevantes de uma conversa, planejar e otimizar, falar, interagir e responder adequadamente a um problema gerando frases e histórias, reconhecer um objeto, negociar, aprender padrões e seguir regras estabelecidas.

Um mundo em transformação nos exige muita abertura ao desconhecido, para lidar com o não vivido. E isso nos desafia a dar novos contornos a diversas soft skills que nos serão fortemente exigidas, as competências essenciais para os novos tempos e habilidades do futuro para o profissional do agora.

Se pegarmos os últimos 10 anos o mundo mudou muito, imagina daqui para a frente. Quem vai fazer a diferença são aqueles profissionais que desenvolverem habilidades intrinsecamente humanas, as chamadas soft skills, e entender isso é essencial para se reinventar. Pensar fora da caixa agora se faz mais do que necessário.

O modelo clássico de carreira e evolução profissional que você conheceu está chegando ao fim e, à medida que as inovações avançam, esse formato de carreira e vida vai se redesenhando. A carreira linear, originada do pensamento da era industrial, na qual o conceito trazido se pautava em primeiro fazer a sua obrigação e depois vem o descanso, foi traduzida por anos e anos, como a mentalidade ideal de carreira, ou seja, você sai da faculdade, entra como estagiário e vai galgando novos cargos até chegar ao topo. Depois se aposenta para então poder desfrutar do que angariou.

Hoje, o modelo de carreira passa a ser muito mais integral. É pautado no pensamento da era digital, no qual você pode fazer várias coisas ao mesmo tempo. A vida não é só trabalhar ou só relaxar, mas, sim, fazer intersecções saudáveis equilibrando o trabalho com maior liberdade nas rotinas e entregando resultados, visar à saúde, à vida pessoal, aos estudos, ou seja, integrar mais as diversas áreas da vida e interesses, buscando o equilíbrio e a felicidade.

Com o aumento da expectativa de vida e da longevidade, principalmente ocasionado pelos avanços da medicina e da obstinação altamente positiva em se ter uma vida saudável, o profissional agora irá construir sua carreira de uma maneira completamente diferente, baseada nas suas habilidades pessoais e não necessariamente fundamentado na sua área de estudo e nas hard skills. Muito provavelmente ele terá de 6 a 8 carreiras na vida.

Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, autor do best-seller “A terceira onda”, nos preparou para a realidade atual quando escreveu que o analfabeto do século XXI não será aquele que não conseguir ler e escrever, mas, sim, aquele que não aprender a desaprender para reaprender.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças de hoje vão trabalhar em atividades que ainda nem existem. Segundo estudos recentes da Deloitte, 80% das pessoas não têm as habilidades necessárias para 60% dos empregos dos próximos 5 anos.

Criativos, empreendedores e resilientes.

Sim, essa é a cara da nova geração. Como preparar esses talentos e trazer as soft skills do futuro para dentro do contexto deles? Uma coisa é certa: qualificar pessoas é verdadeiramente olhar para o futuro e acompanhar as mudanças pelas quais passam o mercado de trabalho. A aquisição de habilidades não será mais um processo com fim, é o meio.

Neste momento, o mundo todo acompanha a COP 26 que está comprometida em rever as políticas ambientais e propor novas formas de proteger e melhorar o ecossistema. Ao mesmo tempo, suscita e reforça a necessidade da qualificação de pessoas com novas habilidades justamente para pensar e executar essas metas de forma inovadora, garantindo um futuro próspero para todos.

Veja como tudo está interligado, educação profissional, meio ambiente e pessoas – este último o ator principal de todo o processo.

De um lado, temos a incongruência do desequilíbrio entre a alta demanda de ofertas de vagas no mercado x a falta de mão de obra qualificada para ocupá-las, do outro, jovens destemidos e ávidos, porém pouco preparados para os novos desafios.

Calma lá, isso é um bom problema para se ter. O mercado está aquecido, sedento por determinadas especificações, mas precisa de pessoas qualificadas. É certo que as empresas têm uma boa participação nisso, ao passo que compreendem o imenso potencial de investimento e impacto social que representa investir em educação profissional (soft skills), treinamentos e qualificação.

A educação profissional, que visa o desenvolvimento humano antes de emprego e renda, não pode ser vista sob a ótica de custo e sim um investimento contínuo e sustentável na direção do futuro. O que te trouxe até aqui não necessariamente te levará daqui para frente, e isso é preciso estar na nova mentalidade que se espera.


 *André Dratovsky é CEO e fundador da Elleve, fintech de financiamento estudantil. É formado em Administração de empresas pela ESP, é que o artigo foi escrito com coautoria.