* Por Luana Ribeiro

Falar sobre empreendedorismo não é mais novidade, entretanto, o perfil dos novos precursores de negócios tem mudado muito com o passar dos anos. Com vontade de fazer aquilo que ama, além de objetivos financeiros e profissionais bem definidos, jovens entre 18 e 30 anos têm surgido no mundo corporativo propondo ideias e serviços inovadores para o mercado, alcançando o sucesso cada vez mais cedo. De acordo com o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, realizado com o apoio do Sebrae e do IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), 59% dos brasileiros desejam ter um negócio próprio.

Entre uma das principais mudanças que impulsionaram o crescimento dos negócios criados pelos jovens empreendedores está a pandemia. Com a crise econômica instaurada em diversos setores do país, o efeito dominó acabou estremecendo também o mercado de trabalho para muitas pessoas. Dessa forma, grande parte da população teve que aprender a se reinventar para sobreviver a esta nova fase.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), no primeiro trimestre deste ano, a taxa de desocupação entre a população de 14 a 17 anos chegou a 46,3%; entre os de 18 a 24 anos, o desemprego foi de 31%; e, de 25 a 39 anos, ficou em 14,7%. Também de acordo com dados do Sebrae, em um levantamento realizado em 2020, o empreendedorismo individual por necessidade ganhou força. O número de empreendedores iniciais motivados pela falta de oportunidade de emprego saltou de 37,5% para 50,4%. 

Além de fugir do desemprego, muitos jovens estão em busca de satisfação profissional, independência financeira, flexibilidade para a tomada de decisões e, para os casos mais ousados, investidores que acreditem em serviços que tenham um diferencial. Estas são, inclusive, características importantes para o atual momento de transformação digital vivido dentro das instituições. Com a chegada das novas tecnologias, o mundo corporativo passou a buscar e integrar soluções cada vez mais ágeis e eficientes, por meio de ideias muitas vezes desenvolvidas por jovens empreendedores.

No Brasil, o cenário de empreendedorismo caminha a passos largos. Ainda assim, a trajetória para o jovem torna-se um pouco mais desafiadora. Isso porque, apesar das dificuldades econômicas, muitos profissionais se deparam com alguns empecilhos no mundo dos negócios. A falta de amadurecimento profissional, a insegurança para elaboração de projetos, uma rede de contatos pouco abrangente e até mesmo um certo descrédito do mercado – devido à falta de experiência – são alguns exemplos.

Incentivar o empreendedorismo jovem significa estimular a criação de ideias inovadoras, além de oferecer condições para uma boa retomada econômica do país. A persistência e a dedicação na busca pelo protagonismo mantêm o foco não apenas na atualidade, como também nas transformações que ainda estão por vir. Saber o que é tendência, conhecer seu público-alvo e ter um olhar criterioso do mercado, do seu desempenho, e determinar aonde quer chegar, são aspectos fundamentais para a construção dos primeiros passos.


LuanaLuana Ribeiro, é executiva, CEO e uma das fundadoras da DevApi. Com formação em Sistema da Informação pela Universidade Paranaense (Unipar) e com Master of Business Administration de Projetos pela faculdade Cidade Verde, a paranaense é exemplo de profissional disposta a incentivar o movimento feminino no setor de tecnologia, a fim de provar que o lugar da mulher é realmente onde ela quiser.