A GreenAnt, energytech brasileira que oferece soluções para gestão de energia, foi adquirida pela AES, gigante norte-americana especializada na produção e distribuição de energia elétrica. Em 2018, a startup tinha captado R$ 1,6 milhão através da plataforma de venture capital EqSeed, à época o maior valor já visto numa rodada via equity crowdfunding no país. Ao todo, 109 investidores tiveram retornos financeiros com a transação. Este é o quinto exit da história da EqSeed desde 2020, e o terceiro somente em 2021, gerando assim retornos significativos para os investidores. Os valores da aquisição não foram revelados.

Além da GreenAnt, outras quatro startups cujos aportes foram viabilizados pela EqSeed já foram compradas por gigantes dos seus setores. A fintech Dindin, em 2020, foi o primeiro caso, sendo adquirida pelo Bradesco dois anos após a rodada via equity crowdfunding. No mesmo ano, foi anunciada a aquisição da startup de logística Pegaki. Já em 2021, a plataforma registrou as vendas das fintechs APP Renda Fixa e da IOUU.

“Este já é o quinto caso de EXIT em nossa plataforma em menos de um ano e meio. Isso confirma nossa taxa de sucesso em encontrar e filtrar as melhores startups do mercado e entregar retornos financeiros significativos para nossos investidores. Ter compradores do porte do Bradesco e da AES, gigantes dos setores financeiro e energia, é uma grande demonstração da qualidade das oportunidades que oferecemos para quem investe via nossa plataforma”, afirma Anthony Mc Courtney, sócio e diretor de relacionamento com investidores da EqSeed.

De acordo com Mc Courtney, o caso ilustra o bom momento para investimentos em startups no Brasil. “Estamos começando a vivenciar um fluxo maior de exits no mercado de equity crowdfunding o que é extremamente animador, a cada exit, este modelo de captação, totalmente online, se consolida cada vez mais, aumentando a visibilidade e interesse por essa opção de investimento”, completa.

O ano de 2021 viu triplicar o investimento em empresas que oferecem soluções inovadoras: só nos nove primeiros meses deste período, foram aplicados R$ 33,5 bilhões em startups no país, com uma concentração de investimentos em fintechs e de empresas de software que atendem a diversos setores.

A aquisição

De acordo com comunicado oficial das companhias, a união com a AES, líder americana na área de geração e distribuição de energia que figura entre as companhias Fortune 500, foi pensada a fim de aproveitar as oportunidades que virão com as transformações na área. Com o processo de transição energética acontecendo globalmente, a tendência é de que haja a necessidade de atender às demandas do mercado de forma cada vez mais específica e completa.

Raphael Guimarães, cofundador da GreenAnt explica: “O cliente de energia vai passar a participar do mercado de forma muito mais ativa. Ele vai precisar ter informação e vai precisar saber gerir esses dados. A presença da AES em diferentes territórios vai nos ajudar a atender à crescente demanda desses mercados por conhecimento e inovação.” O objetivo é que além de continuar atendendo ao mercado brasileiro, a GreenAnt leve sua expertise a países como Chile, Colômbia, México, Argentina e Estados Unidos.

O vice-presidente de Novos Negócios da AES América do Sul, Ítalo Freitas, não revelou valores da transação entre as companhias, mas explicou: “O que despertou nosso interesse na GreenAnt foi o profundo conhecimento que a empresa detém tanto sobre o setor elétrico quanto sobre tecnologia. Seu time altamente qualificado possui a capacidade de integrar as duas áreas e desenvolver produtos digitais que, na minha opinião, são fundamentais para apoiar a revolução que estamos vendo acontecer.”

Sobre o futuro do setor elétrico, Freitas ponderou: “À medida que os órgãos reguladores reduzem a demanda contratada mínima necessária para se migrar para o mercado livre, as outras barreiras de movimentação de clientes comerciais e industriais para esse novo formato precisam diminuir. Hoje, apenas cerca de 35% do mercado brasileiro é livre. A ampliação prevista pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a baixa tensão pode aumentar muito a movimentação de consumidores brasileiros para esse ambiente. E essa mesma mudança já está ocorrendo em diversos outros países.”


* Foto de destaque: Thiago Holzmeister (cofundador), Pedro Bittencourt (cofundador e CEO) e Raphael Guimarães (CFO) da GreenAnt.