* Por Dagoberto Hajjar

O tema é antigo, mas a falta de mão de obra em TI está chegando em um estado tão crítico que você tem que parar e pensar uma nova estratégia para sua empresa. Acredite, é uma questão de sobrevivência.

O mercado Brasileiro de TI reclama de falta de mão de obra, seguramente, há mais de 10 anos. No começo tínhamos grande falta de programadores e desenvolvedores. Nos últimos 5 anos começaram a faltar, também, os profissionais responsáveis por desenhos e implementações de projetos, impactando fortemente as empresas de consultoria e serviços. Em 2020 a crise se agravou e passamos a ter uma falta generalizada de profissionais de TI, incluindo vendas, pré-vendas, marketing, consultores, arquitetos, operadores de sistemas e centrais de monitoramento, profissionais de sustentação e tudo o mais. 

Nos anos de 2018, 2019 e 2020 o mercado Brasileiro de TI cresceu, em média, 10% ao ano. Em 2021 o mercado crescerá 21%. A demanda cresceu muito e o mercado acadêmico simplesmente não consegue abastecer o mercado com profissionais em número suficiente. E só vai ficar pior… em 2022 o mercado crescerá de 22% a 25%.

A demanda está alta também na Europa e USA e as empresas estão vindo para o Brasil para fazer suas contratações, permitindo que os colaboradores continuem morando aqui.

As empresas maiores têm ofertas de emprego mais atrativas, pagam mais, tem mais benefícios, tem uma marca que fica bonita no currículo do profissional. As empresas menores estão perdendo seus  profissionais preciosos, e com eles se vai a capacidade de produção, operação e muito conhecimento que estava “na cabeça deles”. O mercado está altamente inflacionado, pagando salários exuberantes para atrair e reter os talentos. Este é um jogo que pode custar muito caro para algumas empresas, caro até demais para que a empresa continue nos negócios.

A maioria dos empresários acha que é obrigação do RH resolver o problema de falta de mão-de-obra. Então, começou uma onda de RH criativo com ideias inusitadas para atrair e reter os talentos, incluindo espaços bem transados e coloridos para o pessoal trabalhar, benefícios diferentes como massagem no dia do aniversário, e discursos de contratação altamente elaborados usando as melhores técnicas de marketing, vendas e persuasão.

Alguns empresários perceberam que esta falta de mão-de-obra poder ser um grande diferencial competitivo para quem trabalhar “direito”. Estes empresários sabem que RH sozinho não vai resolver nada. Estes empresários estão criando processos para tudo dentro da empresa, estão automatizando e robotizando tudo o que podem e usando tecnologia para ganhar eficiência. É um investimento grande, mas que está permitindo fazer MAIS atividades com MENOS pessoas e pessoas mais baratas, portanto, transformando a falta de mão-de-obra em oportunidade de negócio.

A maioria dos empresários pensa que criar processos é desenhar fluxos de trabalho ou de documentos. Eu digo que os processos podem ser tão simples quanto ter uma proposta comercial padronizada fazendo com que os vendedores economizem um tempão e usem este tempão para vender ainda mais. Hoje, em média, um vendedor de TI gasta 40% do seu tempo com atividades que não estão diretamente relacionadas a vender, e gasta mais 20% do seu tempo fazendo coisas que poderiam estar padronizadas. Já pensou em ganhar 60% do tempo dos seus colaboradores?

Nestes novos tempos fazer treinamento é fundamental. Você tem que afiar o machado antes de sair cortando as madeiras. Em especial marketing e vendas evoluíram muito nos últimos 2 anos. Tem muitas técnicas novas que vão permitir que os profissionais de marketing e vendas tenham melhor desempenho, ganhando 30 a 35% de eficiência. Já pensou em ter vendedores trazendo 35% a mais de vendas?

Este assunto de falta de mão-de-obra está criando uma oportunidade inacreditável para que os empresários repensem as estruturas de suas empresas, criem processos, usem ferramentas para ganhos de eficiência e implementem mecanismos de treinamento continuado, gerando grande aumento de desempenho, e, servindo de diferencial competitivo.


Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, 2 anos no Banco ABN-AMRO, e 9 anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de Diretor de Internet, Diretor de Marketing e Diretor de Estratégia. Atualmente é sócio fundador da ADVANCE – empresa de treinamento e consultoria para quem quer aumentar as vendas.