* Por Vivaldo José Breternitz

Hoje, os dados são um dos ativos mais valiosos que qualquer empresa pode possuir, mas descobrir como maximizar esse valor é algo que muitas organizações continuam tentando.

Dado esse cenário, fica cada vez mais evidente a necessidade de uma forte liderança na área, em tese a ser exercida pelo Chief Data Officer (CDO), executivo cada vez mais presente nas organizações, que deve definir estratégias de dados e gerenciar ativos de informação.

No entanto, de acordo com pesquisa da Exasol, uma empresa alemã que produz software para gerenciamento de bancos de dados, não há consenso acerca de qual deve ser o exato papel do CDO, com 50% deles acreditando que as expectativas das organizações sobre suas responsabilidades estão equivocadas.

A pesquisa ouviu 250 CDOs no Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha, tendo descoberto também que demandas irrealistas das empresas estão levando muitos desses profissionais a deixarem seus empregos prematuramente. Metade dos CDOs ouvidos disse sentir que o valor de seu trabalho não era reconhecido por sua empresa, enquanto quase a mesma proporção disse que as expectativas das organizações para o papel exercido são muito altas e mal fundamentadas.

Isso ajuda a explicar por que as organizações têm dificuldades para contratar e manter CDOs; apenas 8% deles permanecem em seus cargos por mais de mais de três anos. Além disso, pelo fato de essa ser uma função relativamente nova, os requisitos exatos e as especificações de trabalho para a função variam muito de organização para organização, assim como suas áreas de foco e os problemas urgentes, não rotineiros, que tem que enfrentar. Além disso, sua área de atuação é variada – de governança de dados a ciência de dados – e as decisões de contratação são frequentemente feitas por pessoas que não entendem totalmente os desafios a serem enfrentados ou variedade de habilidades necessárias à função.

Os CDOs não vivem uma situação confortável: 23% dos entrevistados relataram falta de suporte e recursos e 18% disseram que sua função não estava claramente definida, aumentando a frustração e gerando dificuldades de relacionamento com as lideranças da empresa, que usualmente não tem as habilidades e conhecimentos suficientes acerca de dados e não entendem que problemas diferentes exigem habilidades diferentes para a contratação. Assim, fica claro que uma organização precisa ter claramente definidos seus objetivos e, só então, recrutar o CDO com o conjunto de habilidades e experiência corretos para auxiliá-la a atingir esses objetivos.

Há também outra área delicada: o relacionamento entre o CDO e o CIO. Embora suas funções tenham alguns pontos de contato e até mesmo de sobreposição, suas funções se complementam, havendo um ditado na área que diz que “o CIO cuida do balde, enquanto o CDO cuida da água”, já sendo claro que o CDO precisa ter um conjunto de habilidades diferente das do CIO.

Recrutar pessoas para as funções da profissão apresenta outro desafio; 63% dos entrevistados disseram que o sistema educacional não faz o suficiente para mostrar as oportunidades na área e para formar adequadamente esses profissionais, apesar de as qualificações formais não terem tanta importância no momento da contratação de um CDO, sendo a experiência anterior e um histórico comprovado de entregas requisitos tidos como mais importantes.

Esse cenário deve ser válido também para o Brasil, mostrando como são grandes os desafios que nossas organizações devem enfrentar no caminho para a transformação digital, essencial para nosso futuro.

* Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.