* Por Eduarda Espindola          

Também chamado de viés confirmatório ou de tendência de confirmação, segundo a Wikipédia, é a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar por informações de maneira a confirmar crenças ou hipóteses iniciais. Faz parte da dinâmica do nosso cérebro: buscamos informações que confirmem o que já acreditamos. O processo de formação de uma conclusão é invertido: ao invés de buscar informações que permitam chegar a uma definição, já temos uma conclusão pré-concebida e, então, vamos buscar informações que sirvam de respaldo ao que concluímos. Nesse ínterim, no meio desse processo, tendemos a ignorar ou não dar tanta importância às informações que apontam para uma conclusão contrária.

Não fazemos isso de forma consciente, é do comportamento humano. E, como cientistas, também são humanos, sujeitos a isso, porém, se não adotamos medidas para driblar o viés de confirmação, há um perigo real de publicarem opiniões como fatos. Um artigo do Dr. John Loaniddis, intitulado “Why Most Published Research Findings Are False”, apresentou fortes evidências de viés de confirmação entre cientistas profissionais. Ao analisar 49 conceituadas descobertas de pesquisa na medicina, afirmaram encontrar 45 intervenções eficazes. Dessas 45, em estudos subsequentes com amostras maiores, 7 foram contraditórias. Mas calma, não estamos totalmente indefesos contra o viés de confirmação. Segundo Cassie Kozyrkov, cientista e estatística de dados sul-africana, fundadora do campo de Inteligência de Decisão no Google, podemos adotar comportamentos para driblar esse viés, e abaixo replico a visão da estudiosa.

Não seja tão apegado às suas opiniões pré-estabelecidas:

Fácil falar, difícil fazer. Um bom exercício mental não adotar sua opinião como verdade absoluta, mesmo que seja baseada em toneladas de dados. É importante ser capaz de absorver novas informações e admitir o erro, se for o caso.

Ênfase na decisão, não na opinião:

Se uma ideia não leva a uma ação, qual o problema? Por exemplo, posso acreditar no coelhinho da Páscoa, e, desde que isso não impacte minhas decisões, tudo bem. Mas quando há uma decisão a ser tomada, é importante, antes da opinião, definir quais informações serão necessárias para me guiar durante a definição.

Foque no que temos controle:

Se uma determinada ação foge ao seu controle (distanciamento social, por exemplo), não importa a minha opinião sobre o assunto (obviamente sou a favor da ciência, mas vamos seguir com o exercício mental), temos que manter o distanciamento e pronto!

Mude a ordem em que você aborda as informações:

“O melhor antídoto para o viés de confirmação é planejar a decisão antes de buscar a informação”. Delimitando regras para cada potencial decisão, evita-se o risco de apoiarmos a balança para as informações que favoreçam a nossa opinião.

Para trabalhar com Analytics é fundamental seguir essas boas práticas que evitam o viés de confirmação e nos permite obter os melhores resultados que irão pautar as decisões do negócio. É essencial lembrar que, o real valor dos dados está diretamente relacionado às etapas analíticas que devem ser seguidas no processo, e que envolvem potenciais informações que, inclusive, possam combater nossas hipóteses. 

Caso contrário, não estamos usufruindo do real valor da ciência de dados, mas sim, buscando confirmações de crenças pessoais ou daquilo que tentamos afirmar. É preciso fugir dos vieses, pois, além de nos induzir ao erro ao tomar decisões às cegas, numa sala escura, nos afasta da clareza e da luz que os dados podem trazer.


* Eduarda Espíndola, a “Duda”, é Líder de Data Science da Fhinck, startup de alta tecnologia que ajuda empresas a terem maior desempenho operacional, produtividade e qualidade de vida dos colaboradores, a partir da geração de dados inteligentes, e Mestrado em Informação e Ciência de Dados pela UC Berkeley School of Information.