* Por Sérgio Roque

O mundo de hoje tem horror ao insucesso. Mesmo que todos nós tenhamos uma definição diferente de sucesso, ainda assim todos nós repelimos interiormente, mesmo que inconscientemente, as histórias que contam nossas vulnerabilidades, fraquezas, erros e escolhas erradas.

As histórias de insucesso somente são aceitas se seguidas bem de perto de uma história de sucesso bem clara, poderosa e forte. Então elas passam a serem consideradas por todos como uma escola para aquele que finalmente alcançou um sucesso grandioso.

Todos nós sabemos que não existe empreendedor ou executivo de sucesso que não aprendeu desta mesma escola. E todos são categóricos em afirmar que estes tropeços são essenciais.

E porque hoje talvez, o Homo Sapiens existe dentro de outra classe maior, completamente à mercê das ondas da economia, o “Homo Economicus”, o único sucesso considerado, o único objetivo a ser alcançado é a vida de claro sucesso material. Não importando a classe social, cultura, lugar ou qualquer outra coisa.

Nossas conquistas na família, na sociedade e em nosso caminho interior somente são válidas se aprovadas pelo “Homo Economicus”, ou seja, se você antes de tudo, tiver sucesso financeiro concreto e bem estabelecido.

O “Homo Economicus” forma Sapiens doutores, mestres e se forem internacionais com Phds muito melhor. Muitos deles apenas emergem suas cabeças das águas do oceano e contemplam o céu para mergulhar novamente retornando às profundezas da busca por lucro e reconhecimento.

O homem de hoje, apesar de todas as postagens de frases bonitinhas nas redes sociais, só pensa a vida sob este ponto de vista. Hipnotizado. Sob um preconceito de si mesmo.

Nossos valores mais profundos somem nas brumas da vida cotidiana em busca do dinheiro que em tese comprará nossa paz.

Aqui tenho que concordar com Yuval Harari (autor que gosto, mas leio sempre brigando e discordando dele) nossa religião mudou. 

Jovens e crianças arderam no fogo, pilhas de discos do Beatles, quando John Lennon afirmou que eles eram mais famosos que Jesus Cristo. Ele poderia ter dito Allah, Yaveh ou qualquer outra representação humana de Deus. Ele estava certo.

Veja, não sou contra a melhor formação, a melhor carreira, o melhor negócio, possíveis. Somente acredito que para sermos felizes precisamos de propósito e, o sucesso nesta dimensão é medido em todas as áreas da vida.

O sucesso não é medido somente em dinheiro acumulado. É medido em tempo, dedicação, amor e evolução. Evolução da nossa família, do mundo em que vivemos e de nós e o nosso trabalho, como seres humanos.


Sergio Eduardo Roque é coach executivo e de vida com foco em processos de autoconhecimento na SerOQue Desenvolvendo Pessoas. Com formação em engenharia (FAAP) e marketing (ESPM) atua há mais de 25 anos no mercado como executivo e empreendedor.