Este mês tivemos a estreia do primeiro episódio do Corporate Venture in Action!, uma série inédita, em vídeo e podcast do novo Programa Startupi Insights. Com a apresentação de novos colunistas especiais do STARTUPI, cada episódio terá um Expert convidado para debater de forma prática e com muita clareza, quais os caminhos para evitar falhas e quais as principais dificuldades na implementação de programas de open innovation e corporate venture nas empresas. Tudo de forma gratuita e digital, democratizando o acesso à informações relevantes para o mercado corporativo e para empreendedores que buscam vender no B2B.

No Episódio#01 de estreia, Fernando Freitas, Superintendente de Pesquisa e inovação do Bradesco, mostrou porque o Banco é um dos mais inovadores do País e o que aprenderam nestes seis anos de relação muito mais próxima com o ecossistema de startups.

Fernando Freitas do Bradesco

O Programa Corporate Venture in Action! é uma parceria entre Altivia Ventures, empresa de consultoria em fusões e aquisições (M&A), investimentos e inovação e o STARTUPI. Geraldo Santos, CEO do StartupiCassio Spina, CEO da Altivia Ventures, comandaram o primeiro Episódio e o bate papo descontraído com Fernando Freitas. 

Confira aqui os principais destaques dessa conversa e abaixo acesse na íntegra o programa completo em vídeo ou podcast.

Apresentadores e Fernando Freitas, expert convidado do Corporate Venture in Action! #01

Quando iniciar o processo de inovação dentro das empresas? 

Logo no início, Fernando destaca o papel crucial do manager no processo de inovação dentro das empresas: é ele que deve entender o que está acontecendo lá fora e como o seu core business pode estar sendo ameaçado pelos novos entrantes no segmento. “Hoje você tem uma briga de domínios do cliente e seu concorrente não é mais o seu setor, mas qualquer segmento da economia que consiga invadir a cadeia de valor. Tendo essa visão, acho que a discussão fica mais fácil. Mas esse é um momento de maturidade que o manager precisa ter que leva tempo”. 

Ainda segundo ele, esse processo é muito mais amplo do que ter um simples departamento de inovação. “Eu particularmente não acredito que ele sozinho consiga pensar o futuro da empresa, construir uma estratégia que leve a empresa para outro patamar, para outro modelo de negócio. Na minha experiência, isso não funciona: ou toda a empresa entra no processo de transformação ou é pouco provável que um departamento consiga fazer isso sozinho”, complementa.

Estratégias para gerar resultados

Feito este processo de pensar a inovação, Fernando aconselha que, em um primeiro momento, é preciso que a empresa delimite muito claro quais caminhos deseja seguir, de acordo com as estratégias implantadas. “Você tem que separar as camadas e os horizontes. Uma vez definido os objetivos, o próximo passo é definir um portfólio claro de onde nós queremos gastar energia, instrumentos de inovação que permitam fazer as inovações internas, mas também colocar o pé em inovações que hoje nós teríamos muita dificuldade de fazer dentro de casa”, explica. 

De acordo com ele, não ter essa clareza na hora de definir os rumos é um dos primeiros erros que ele enxerga nas corporações. “Eu quero começar a trabalhar com startups, mas eu não sei o que eu quero com as startups. E isso gera um conflito muito grande. Porque a startup pode ser sua parceira ou ela pode ser sua fornecedora com tecnologia. Quando você não tem clareza do que você quer, isso acaba gerando muitas dificuldades internas. Você começando pequeno, em um único ponto, conseguindo mostrar resultado, você consegue aos poucos, fazendo com que toda a organização avance nessa direção”.

Para Geraldo Santos, a partir do momento em que o líder consegue trabalhar a cultura interna, criar os squads e consegue pensar em sugestões e ideias inovadoras para resolver as dores dos departamentos, as equipes passam a ficar ainda mais motivadas, mostrando que é possível trabalhar e inovar a empresa inteira e não só um departamento em específico. “Isso muda completamente quando você gera resultado. Uma corporação não vive sem ROI. A partir do momento que você prova o ROI, independente do tamanho desse resultado, isso se dissemina na empresa de forma muito mais acelerada”, diz. 

Como superar a incerteza da inovação?

Segundo Cassio Spina, inovação depende de pessoas que, se tiverem barreiras culturais para mudanças, geram a inércia, que é uma tendência do ser humano, e que somado a aversão ao risco normalmente existente nas grandes empresas, impedem que os processos andem com mais velocidade. “Isso tudo gera incertezas e se não houvesse incertezas não seria inovação, seria algo que já existe”, afirma.

Levar a inovação para dentro das empresas demanda tempo e dependendo dos objetivos que as mesmas estiverem procurando, aquilo que deveria trazer uma série de benefícios pode representar um risco, sobretudo se o foco dos resultados for a partir do médio prazo. “Se a inovação em alguma maneira canibaliza o curto prazo para pensar o médio, ou ela invade setorialmente alguma empresa que é um stakeholder da sua cadeia de valor, dificilmente você consegue atravessar, a não ser que o CEO tenha muita clareza de onde quer chegar. A canibalização da receita é crucial e isso afeta muito o processo de inovação”.

Ainda de acordo com Freitas, o medo de falhar também tem muito a ver com a carreira interna do executivo. Por isso, ele aconselha que os gestores devem concentrar suas atenções no curto prazo. “Os meus principais talentos estão no curto prazo, então dificilmente você consegue trazer dentro de uma corporação talentos para você pensar no médio prazo com a incerteza do projeto. Se eu não consigo pensar a médio/longo prazo com os principais talentos, como eu vou ao mercado e consigo trazer parceiros que me ajudem a acelerar se o cliente está disposto a pagar por aquele novo modelo de negócio?”, aponta.

Como o Bradesco tem implantado a inovação

Fernando lembra que a relação Bradesco-Startup começou em 2015 e, desde então, tem investido de forma maciça em inovação. Os resultados obtidos comprovam essa afirmação: mais de 130 experimentações com startups, cerca de 25 parcerias com empresas e 12 delas investidas com ticket de R$ 200 à R$ 250 milhões, aproximadamente.

Através do Inovabra Habitat, lançado há 3 anos, o Bradesco atua como um ambiente de coinovação no qual startups, grandes empresas e investidores trabalham de forma colaborativa para gerar novos negócios. Já com o Inovabra Startups, o banco cria parcerias estratégicas com startups que têm soluções aplicáveis ou adaptáveis a serviços – financeiros ou não – que podem ser oferecidos ou usados pela organização. O Bradesco ainda possui o Inovabra Ventures, time de investimentos de venture capital que buscam oportunidades com potencial de alcance global, em diferentes estágios e setores.

“Nós tínhamos uma visão de que o papel de uma grande empresa é gerar demanda para o ecossistema empreendedor e foi nessa direção que a gente remou. Ao longo desse projeto, a gente foi quebrando pedras. Começar um relacionamento de parceria entre a startup e a grande empresa e ela não conseguir mostrar para a startup o que espera, a probabilidade desta ficar num processo muito longo de compra é grande”, afirma.

Parceria empresa e startup: o que fazer?

Para uma parceria de sucesso, visando os melhores resultados, Fernando aconselha que a startup tenha um bom relacionamento com a empresa. “Ter a clareza que você tem nichos diferentes, com propósitos diferentes: do lado da startup, isso é fundamental para que ela consiga se relacionar com uma grande empresa”.

Já para as organizações, ele recomenda que elas reflitam qual o problema que desejam resolver. “Uma vez feito isso, eu começaria no [problema] de menor complexidade. O segundo ponto é fazer melhorias incrementais no meu modelo de negócio e usar as startups para melhorar a capacidade de entender o cliente”, destaca. “Certeza ninguém tem. O que a gente tem são caminhos e possibilidades”.

Quer saber quais são os critérios utilizados pelo Bradesco para a escolha de startups? Confira o Programa em vídeo ou podcast abaixo:


Ouça o podcast do episódio:


O Episódio#02 do Corporate Venture in Action! acontece dia 20 de maio, às 8h, com a presença de Bruno Stefani, Diretor Global de Inovação da AB InBev. Para participar, confirme sua inscrição aqui.