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Conheça a Cajuína Valley, comunidade de startups e inovação do Piauí

Piauí é um estado brasileiro conhecido por seus parques nacionais, que possui um grande potencial a ser explorado em inúmeros setores e que apresentou um ótimo desempenho de crescimento nos últimos anos. Teresina, sua cidade mais populosa, conta hoje com mais de 868 mil habitantes e é uma referência regional para o turismo de negócios por sua localização, além de ser um polo de saúde, educação e gastronomia.

Mas você já ouviu falar na Cajuína Valley? Esse é o nome da comunidade de startups da região que hoje possui aproximadamente 80 pessoas entre empreendedores, fundadores e entusiastas que trabalham para construir um ambiente cada vez mais propício ao desenvolvimento de novas ideias e reunir pessoas com um propósito em comum, que contribuam para o desenvolvimento do cenário local.

Tudo isso começou em 2013 em uma edição da Campus Party, uma das maiores experiências tecnológicas do mundo. Joselé Martins, integrante da comunidade e frequentador de eventos de games e tecnologia em São Paulo, resolveu levar Cajuína, uma bebida típica do Piauí, considerada Patrimônio Cultural do Estado feita com suco de caju, para oferecer aos outros participantes e chamar a atenção para o estado. Para dar ainda mais destaque, ele colocava um rótulo na garrafa com o nome de Cajuína Valley e um logotipo que ele mesmo criou. Foi assim que o nome “pegou”.

Ecossistema empreendedor 

Desde então, a Cajuína Valley, primeira comunidade de inovação e tecnologia do estado do Piauí, tem conseguido reunir pessoas com o mesmo propósito de criar um ambiente cada vez mais propício ao surgimento de novas iniciativas mesmo diante das dificuldades enfrentadas por um estado de tradição e cultura ainda baseado em métodos tradicionais.

Em entrevista ao STARTUPI, Livia Saraiva, representante da comunidade, contou que o ecossistema vem se expandindo e hoje conta com um pouco mais de 30 startups ativas, 85,7% criadas após 2015. A maior parte delas se encontra em fase de operação ou tração.

“O Piauí é um grande polo de educação de qualidade no Norte e Nordeste do Brasil, também é um polo de referência em serviços de saúde. Essas potencialidades podem ser exploradas para que tenhamos profissionais qualificados em inovação e tecnologia e mercado para consumir serviços”, destacou.

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, os segmentos que mais se destacam na região são Educação, Saúde e Bem-Estar seguido de Vendas e Marketing.

Fonte: Associação Brasileira de Startups

Na região também existem iniciativas de inovação como os hubs Sebraelab e o The Hub e coworkings como Thex, The Doors e Teresina Coworking. Além de iniciativas públicas que oferecem capacitação, aceleração, mentoria e recursos financeiros para que os empreendedores locais consigam tirar suas ideias do papel.

Um exemplo é o Programa Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), operada pela Fundação CERTI e, no Piauí, executada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI). Outras iniciativas incluem Sebrae Like a Boss e Inovatec.

Desafios 

Se você pensa que desenvolver um negócio fora dos centros de inovação badalados como São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis é fácil, você esta enganado. Existem uma série de desafios como a diversidade de culturas, falta de acesso a informação e até mesmo o preconceito que pode existir, o que faz com que muitas vezes buscar clientes, ganhar mercado, tracionar, escalar uma startup seja tão ou mais difícil quanto internacionalizar sua operação para outros países.

“O primeiro conselho que alguém que está fundando uma startup no Piauí sempre recebe é “tenha endereço e linha telefônica em São Paulo”. E sabemos que isso está ligado ao preconceito social e econômico que ainda é forte”, destacou Livia.

Livia Saraiva, representante da Cajuína Valley.

Pensando em diminuir essa dor, o STARTUPI anunciou recentemente o lançamento de núcleos de jornalismo locais para atender demanda das Comunidades de Startups em todo País além da realização do evento Innovation Tour, para imersão e matchmaking, em todos os estados brasileiros nos próximos meses.

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Livia destaca que, outro desafio do ecossistema local é a captação de financiamento. “Boas ideias e iniciativas acabam não encontrando apoio dos investidores que estão em sua quase totalidade no sul do País. Acredito que mais rodadas de investimentos com foco em iniciativas da nossa região poderiam ajudar dando mais visibilidade a esses empreendedores e empreeendedoras. A presença de investidores-anjo e fundos de investimento facilitam no processo de tração das empresas e ajuda na criação e crescimento de novas iniciativas”.

Nesse sentido, a ReCB, fintech que oferece gestão de cobrança e pagamentos via boletos bancários, vem ganhando destaque na região sendo a única iniciativa mapeada em fase scaleup, que em 2017 recebeu um investimento da venture builder Superjobs, equivalente a uma participação de 11,11%.

Casos de sucesso

A presença das mulheres, apesar de ser bem ativa na comunidade, ainda é minoria na região. Um exemplo é Duana Cunha, Cofundadora da Tron Robótica Educativa. A startup surgiu como uma alternativa viável para a inserção tecnológica por meio de robótica educativa para preparar as novas gerações para o crescente uso de tecnologia.

Toda a ideia foi inspirada em tecnologia criativa colaborativa, trabalhando aspectos Open Source do movimento de Robótica, principalmente a tecnologia Arduino, conjunto de ferramentas de prototipagem eletrônica que visa tornar mais fácil a criação de aparelhos eletrônicos. Atualmente ela está presente em 50 escolas do País distribuídas nos estados: Piauí, Ceará, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Goiânia e Brasília atendendo 12 mil alunos. A startup possui uma média de 40 colaboradores no Piauí e 30 no restante do País.

Por fim, Livia deixa uma dica para quem está desenvolvendo uma comunidade local: “A força de uma comunidade vem da capacidade que seus membros possuem de estarem unidos na busca de seus objetivos. Essa integração que promove auxílio mútuo e troca de experiências é que pode gerar um ecossistema que se desenvolve de forma sustentada. É preciso que as pessoas se sintam pertencentes, realizar muitas atividades que gerem engajamento das pessoas com a comunidade e que incentive essas pessoas a trocar experiências e se ajudarem mutuamente. O networking com outras comunidades e com grupos de apoio e com o mercado também são essenciais”, finaliza.


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Jornalista pela Anhembi Morumbi, especialista em mídias digitais, com atuação na Rádio Metropolitana e Portal R7. Quer ter seu texto publicado no STARTUPI? Envie um e-mail para contato@startupi.com.br.

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