A Terracotta Ventures, empresa de venture capital especializada em startups voltadas à cadeia da construção civil e ao mercado imobiliário, depois de investir em quatro empresas, inicia agora um plano de investir R$ 100 milhões nos próximos quatro anos.

Prestes a completar dois anos de operação, a empresa reuniu investidores do calibre da incorporadora Cyrela e da produtora de aço Gerdau em uma rodada de captação encerrada em janeiro. “Nossa missão é apoiar empreendedores capazes de desenvolver negócios escaláveis que transformem a indústria da construção, ainda repleta de ineficiências e, justamente por isso, também cheia de possibilidades”, diz Bruno Loreto, Managing Partner da Terracotta Ventures.

Fundada em 2019, a Terracotta busca startups capazes de promover a inovação em todas as pontas no segmento, abrangendo desde a cadeia de suprimentos até as soluções para canteiros de obras, intermediação imobiliária, condomínios, serviços financeiros e outras demandas dos consumidores que habitam uma edificação. É um ambiente que viveu um salto de transformação digital nos últimos anos – e que, não por acaso, reúne alguns dos primeiros unicórnios do Brasil, como Loft e Quinto Andar.

Nos próximos quatro anos, a Terracotta investirá R$ 100 milhões em até 20 startups por meio do Terracotta Warriors I, veículo que realizará os aportes em construtechs e proptechs. Além de corporações, a empresa também atraiu o interesse de “family offices”, que fazem a gestão de grandes fortunas familiares do país, e de companhias de construção, engenharia e incorporação de mais de 10 estados. É o caso de grupos empresariais regionais como Bild Vitta, de São Paulo, Massai Construções, da Paraíba, Hydronorth, do Paraná, e Time Now, Mocelin e Fortes Engenharia, do Espírito Santo.

“O crescimento da produtividade da construção civil é um dos pilares estratégicos da Gerdau Next. Estamos entusiasmados com o investimento na Terracotta, reforçando a parceria já existente, ampliando nossas sinergias com as startups do setor, as construtechs. Alocamos capital em iniciativas que geram alto impacto para toda a cadeia através de novas tecnologias, novos materiais e demais inovações disruptivas”, diz Juliano Prado, vice-presidente da Gerdau.

Experiência em Corporate Venture Capital no setor

O ambiente de inovação voltado para a construção civil e o mercado imobiliário é um velho conhecido de Loreto e Marcus Anselmo, cofundador da Terracotta. Ambos são egressos da Softplan, uma das maiores empresas de tecnologia de Santa Catarina, e se dedicam ao segmento há pelo menos uma década. Eles foram responsáveis pela criação do Construtech Ventures, braço de corporate venture capital da companhia focado na área de construção. “Na época, o movimento era embrionário no Brasil”, conta Loreto. “Mas percebíamos que se acelerava no exterior desde 2010. Fomos precursores dele por aqui”.

Atualmente, o ecossistema de inovação na construção civil e no mercado imobiliário reúne mais de 700 startups no Brasil, com um crescimento de 281% nos últimos três anos, segundo o Mapa das Construtechs e Proptechs 2020. Trata-se do mais completo levantamento do país sobre o segmento, produzido anualmente pela própria Terracotta Ventures. Somente no ano passado, mais  R$ 1.5 bilhões foram investidos em negócios inovadores do setor. “A multiplicação do número de startups e de recursos destinados a elas são um termômetro do interesse que o setor desperta. Há uma visão muito clara de que é possível fazer mais, melhor e com maior eficiência no setor, que, em muitos casos, preserva um mindset tradicional”, avalia Loreto.

Desde que decidiram empreender, Loreto e Anselmo já investiram em quatro startups: EmCasa, plataforma que conecta compradores e vendedores de imóveis; Rede Vistorias, líder em vistorias em ativos imobiliários no país; InstaCasa, plataforma de projetos e realidade aumentada para o segmento de loteamentos; e OrçaFascio, software para orçamento de obras para construtoras, orçamentistas e órgãos públicos. Este portfólio de startups cresceu mais de 216% nos últimos dois anos e faturaram em 2020 mais de R$ 35 milhões.

Conexões e apoio à inovação no setor

Outra iniciativa da Terracotta para fomentar o desenvolvimento do setor é o MITHUB, maior ecossistema de inovação na construção civil e mercado imobiliário no Brasil. A empresa é embaixadora da comunidade, que busca apoiar o empreendedorismo e a aplicação da tecnologia na cadeia de valor do setor. Para tanto, o MITHUB dá suporte a startups e as conecta com grandes empresas que estejam em busca de soluções e oportunidades.

Entre as grandes empresas associadas ao MITHUB estão Cyrela, Brasil Brokers e Zap+, que participam da comunidade desde a fundação. Além delas, destacam-se ainda Duratex, Sienge, B3,  Gerdau, Superlógica, APSA entre outras. O público-alvo da iniciativa, segundo Marcus Anselmo, são startups que estejam dando os primeiros passos ou que tenham negócios em fase de validação. O objetivo é dar suporte para que encontrem clientes, confirmem seus modelos de negócios ou que alcancem o “product market fit”, como é chamado o ponto em que uma solução é capaz de atender uma demanda importante do mercado. “Com nosso conhecimento específico e nossa rede de relacionamentos, conseguimos contribuir com a geração de valor para os empreendedores e as empresas parceiras do MITHUB”, diz o executivo.

Nos próximos anos, a expectativa é de que alguns subsegmentos do setor ganhem destaque no mercado – e no portfólio da Terracotta. É o caso do “real estate as a service”, que reúne empresas focadas em prover moradia com experiência do cliente e serviço agregado. Na visão de Loreto, a tendência é de que também cresçam as empresas focadas em inteligência de dados, que proporcionam melhor tomada de decisão com base em algoritmos inteligentes. Além do fortalecimento da busca de produtividade no canteiro “Minha aposta é de que veremos ainda a industrialização da construção acelerar. Negócios usando a construção modular tornarão a jornada construtiva mais eficiente e o setor, mais sustentável”, diz. Além disso, tecnologias de sensorização do canteiro, captura de dados e digitalização da gestão das obras também devem se fortalecer.