Você já deve ter ouvido falar das moedas digitais, não é mesmo? A mais conhecida delas é o Bitcoin, que tem atingido níveis elevados de valorização nos últimos tempos: no início deste ano, chegou a valer US$30 mil, 1000% a mais desde a baixa de março, quando a pandemia do novo coronavírus teve início.

Esse interesse maior na criptomoeda por parte de investidores do mundo todo foi acentuado, sobretudo, a partir do momento em que eles passaram a enxergá-la como uma forma de proteção contra a inflação, além de uma alternativa à desvalorização do dólar. Aqui no Brasil, a opção pelas moedas digitais tem ganhado setores importantes para a economia, como o café. 

Assim, como uma alternativa para acelerar a transformação digital do segmento, a Minasul, cooperativa localizada em Varginha (MG), criou o Coffee Coin, uma moeda digital que permite a troca de café por produtos de diversos valores. Funciona da seguinte forma: o café dos cooperados é convertido em um padrão monetizado que possibilita a troca do mesmo estocado por mercadorias diversas nas lojas da cooperativa. Desta forma, o associado pode adquirir desde um chapéu até um trator, por exemplo.

“Cada Coffee Coin equivale a um quilo de café verde no padrão comoditizado, atualizado diariamente com valores da bolsa de Nova York. Ou seja, o valor equivalente do Coffee Coin está sempre atualizado com o real valor comercial do café e tudo é processado automaticamente durante o processo de compra”, explica Luís Henrique Albinati, diretor de novos negócios da Minasul.

Luís Henrique Albinati, diretor de novos negócios da Minasul.

Estágio atual do Coffee Coin

Atualmente, o Projeto Coffee Coin está na chamada fase 1, onde o objetivo é testar os processos e a performance da aplicação na plataforma, levando em consideração as medidas de segurança e desempenho da mesma. “O número de transações efetivas ainda é pequeno conforme esperado, devido a estar limitado a transações de pagamento à vista e a produtos somente das lojas Minasul”, reforça. 

Segundo o diretor, isso se deve, dentre outros fatores, ao fato de os cooperados ainda utilizarem formas tradicionais de pagamentos, como cheques, dinheiro e cartão de crédito. Entretanto, ele acredita que esse comportamento deve ser mudado aos poucos. “À medida em que formas de crédito de baixo custo começarem a ser implantadas via Coffee Coins e com a expansão da abrangência dos pagamentos nessa opção, como combustíveis, produtos farmacêuticos e supermercados, por exemplo, acreditamos que haverá uma aceleração significativa na utilização do Coffee Coin pelos nossos associados”. 

A próxima fase do projeto consiste em “toquenizar” a monetização, possibilitando a utilização desse ativo no mercado aberto como uma criptomoeda que estará lastreada em ativo real, neste caso, o café depositado na cooperativa. “O impacto esperado é disponibilizar para os produtores novas opções de negócios envolvendo vendas futuras, vendas imediatas e transações com investidores”, destaca Albinati.

Imagem da Coffee Coin, moeda digital criada pela Minasul.

Tecnologia da Microsoft no meio cafeicultor

Todo o gerenciamento da cooperativa — inclusive do Coffe Coin — é suportado pelo Dynamics, sistema de gestão (ERP) da Microsoft. Dessa forma, a Minasul consegue gerenciar as variações do preço diário do café, bem como as compras dos associados em suas lojas simultaneamente na mesma plataforma. 

“Nossos processos envolvendo o produto Café foi todo desenvolvido pela Minasul em parceria com a Microsoft e Inove, empresa fornecedora de tecnologia, dentro do próprio ERP, além de estar integrado com todos os demais sistemas periféricos que utilizamos, como por exemplo, o controle automatizado de nossos armazéns. No momento, estamos concluindo a implantação do WMS (Warehouse Management System, Sistema de Gerenciamento de Armazém) da Microsoft em nossas lojas”. 

Imagem aérea da Minasul em Varginha (MG).

Pandemia e o futuro da tecnologia

O diretor lembra que a empresa também sentiu os reflexos negativos causados pela covid-19, porém, a implantação de tecnologias que facilitaram a comunicação durante o período ajudou a minimizar os impactos. “A gente sentiu principalmente na questão da comunicação com nossos associados, colaboradores, parceiros, fornecedores e clientes. Nesse quesito, passamos a utilizar o Microsoft Teams, ferramenta de colaboração e comunicação, intensivamente como ferramenta de apoio”, conta.

Além das inovações previstas para o Coffee Coin, Luís adiantou o que vem por aí no quesito inovação dentro da cooperativa. “Elevação do nível de segurança da informação, inteligência artificial (IA) aplicada no diagnóstico remoto de lavouras utilizando análise de imagens aéreas, na classificação automática de grãos, e no controle de armazéns, além da Internet das Coisas (IoT) nos processos de produção e rastreabilidade da produção. Essa é a nossa proposta inicial para o período 2021/2022”.

Por fim, o diretor reforça que o uso de tecnologia na cafeicultura se faz mais do que necessário. De acordo com ele, é um item de sobrevivência do negócio, principalmente para os pequenos produtores. “A Minasul se posiciona como uma fomentadora de inovações, transformando tecnologia digital disponível em serviços aplicados de baixo custo para seus associados, assim como implementando novas alternativas de negócios sustentados por tecnologia e focando também na cafeicultura 4.0″, conclui.