Uma das principais gestoras fora do eixo Rio-São Paulo de recursos de venture capital, destinados às startups, a catarinense CVentures, de Florianópolis, está em fase de captação do seu fundo de investimento Primus II.

A ambição é chegar a um capital de R$ 100 milhões para aportes em empresas de tecnologia com alto crescimento na receita – as chamadas scale-ups. Para chegar a esse valor, os gestores do Primus II estão indo atrás de empresas dispostas a aderir à Lei da Informática, que dá benefícios fiscais aos negócios de pequeno ou médio porte com algum tipo de investimento em inovação, como um departamento de pesquisa e desenvolvimento de produtos, os famosos P&D.

A lógica aqui é: em vez de as empresas criarem projetos de P&D do zero, e correrem o risco de chegar a lugar algum em virtude das barreiras para fazer ciência num país como o Brasil, a começar pela falta de mão de obra qualificada, os gestores do Primus II querem convencer as empresas a aportar os recursos diretamente em startups, negócios de tecnologia por essência inovadores.

Como cartão de visitas para o fundo está a expertise da Certi, fundação de pesquisadores ligados à Universidade Federal de Santa Catarina de onde surgiu a CVentures. Criada em 1984, com sede em Florianópolis e filiais em Manaus e em Brasília, a Certi desenvolve projetos de inovação em temas como indústria 4.0, transformação digital, gestão da qualidade e integridade, energia sustentável e mobilidade elétrica, bioeconomia, inovação corporativa e empreendedorismo inovador.

Na última década, a primeira versão do fundo Primus aportou R$83 milhões em 15 startups da região Sul e de São Paulo. Desse total, quatro acabaram sendo compradas por gigantes, como a desenvolvedora de softwares para o varejo Hiper (adquirida pela concorrente Linx) e a plataforma de fidelização de clientes Zygo (agora uma empresa do sistema de pagamentos PagSeguro).

Algumas viraram referência em suas áreas de atuação, como é o caso da Exact Sales, desenvolvedora de softwares para vendas entre empresas – as chamadas vendas “business to business” ou B2B. O Fundo terá prazo de 10 anos, sendo os seis primeiros para investimentos e o restante para desinvestimentos, com alocação gradual entre rodadas Seed (empresas em fase iniciais) e Growth Stage (fase de crescimento), permitindo rodadas de follow-on nos principais projetos.

O fundo tem a perspectiva de investir entre 12 e 15 empresas, com aportes em média de R$3 milhões por startup, e com orientação de investir pelo menos 2/3 do capital em empresas de Santa Catarina.

“O fato de estarmos dentro do ecossistema de inovação de Santa Catarina, um dos mais ativos do país, mostrou que os resultados para os aportes feitos em empresas catarinenses foram muito assertivos”, diz Adonay Freitas, Diretor de Investimentos da CVentures. O Fundo Primus II deve priorizar empresas em oito verticais de atuação: aplicações em telecom, smart cities, indústria 4.0, smart devices, soluções voltadas para healthtech e agrotech, aplicações em energia e em logística.

O momento atual é de avaliação das empresas que receberão os novos investimentos. “Estamos interagindo e conversando com algumas empresas, entendendo o projeto, a dinâmica da empresa, se está dentro da tese que o fundo pretende alocar, olhando eventualmente um possível aporte a partir do segundo semestre do ano que vem”, diz Freitas.

* Por Leo Branco, para a Exame.com