O empreendedor tem sido visto como a figura heroica no mundo dos negócios, pois é aquele que apresenta insights geniais e, não raro, é quem “virou o jogo” e permitiu-se uma grande viagem pessoal e profissional em busca da realização dos sonhos.  “Será isso mesmo?” pergunta o consultor Kalil Lucena, especialista em networking e sócio fundador da Rede Kai, comunidade de empresários que proporciona networking com propósito aos seus membros.

Ele aborda outros mitos em torno do empreendedorismo. “Um desbravador corajoso, alguém que não tem medo de encarar nenhum desafio e enfrenta tudo para alcançar o sucesso. Contudo, é preciso entender que existem muitos clichês e ilusões apresentadas em torno do empreendedor atual e devemos entender que todo esse cenário fantástico, muitas vezes, não se aplica no dia a dia”, explica.

Por isso, ele recomenda esclarecer alguns mitos sobre o empreendedorismo e revela que pessoas com ideias inovadoras nem sempre fazem com que as coisas aconteçam de maneira simples e instantânea. “O objetivo é refletirmos sobre pontos importantes em relação a esses mitos e combater ideias erradas que podem frustrar pessoas que estão querendo seguir por um caminho que nem sempre é tão florido e iluminado”, aponta.

O empreendedor está atrelado à figura do herói

Ter ideias legais e estar em contato constante com inovações, não faz do empreendedor um super-herói. Até porque a ideia de super-herói é do personagem que sempre está à disposição de todos, animado, incansável e sábio.

Na vida real, o empreendedor não consegue estar acessível a todos, a qualquer hora e lugar. Seja por por conta de dúvidas, imprevistos e ressignificações sobre o trabalho que desenvolve.

Nenhuma grande ideia sai da cartola

Por mais que pareça fácil para alguns, os insights que empreendedores têm são fruto de muita concentração, de pensamentos, leituras, conversas, ou seja, de trabalho. Portanto, é comum para um empreendedor se sentir fadigado, sem energia e até mesmo sem ideias.

Até chegar a uma ideia final, quantos insights ficam soltos e perdidos? E quantos testes dão errado e precisam ser refeitos? Erros acontecem e fazem parte do processo de construção e desenvolvimento. Neste sentido, podemos falar que a imagem do empreendedor nem sempre deve estar atrelada a certezas.

Empreender é para quem tem dinheiro

Existem muitas pessoas endinheiradas que não praticam o empreendedorismo e pessoas em situação menos favorecida que se tornam empreendedoras e encontram neste caminho uma fonte de renda sustentável. 

Se a pessoa não tem grandes investimentos, não significa que não tenha uma grande ideia, uma inovação que possa ser promissora financeiramente. 

Quando se fracassa uma vez, isso sempre se repetirá

Grandes empreendedores já fracassaram e encontraram o sucesso depois. Porém, errar ou fracassar não é, obrigatoriamente, parte do processo para ser um empreendedor de sucesso. Então, é importante buscar alternativas de superação e saídas para não cometer erros novamente. 

Empreendedores trabalham e se estressam mais

A intensidade do trabalho e do estresse causado não tem relação com o empreendedorismo. 

A escolha da profissão e o caminho que as pessoas vão seguir é uma decisão individual e cada um fica responsável pelos percalços que encontrarão em sua trajetória.

A grande sacada nesse contexto é entender se: a atividade exercida tem sido mais prazerosa ou dolorosa? Tem dado mais felicidade ou infelicidade? Trazido mais bônus ou ônus? Estas questões podem estar ligadas ao tipo de negócio escolhido.

Empreender é legal porque não há chefe

Ser líder de si mesmo é o maior desafio que uma pessoa pode ter! A questão aqui não é ter chefe ou não ter, o ponto focal é você entender que em muitos momentos, você será autônomo de suas ações e responsável pelo seu desempenho, sucesso, produtividade e resultado.

Ter clareza dos obstáculos e das dificuldades encontradas faz com que tenhamos os pés no chão, pois o prejuízo emocional resultante de uma decisão infundada em uma fantasia de negócio pode ser gigantesco. Um empreendedor de sucesso precisa ser protagonista de suas ações, organizado e responsável pelos processos.