A economia no pós-pandemia

* Por Henrique Volpi

Estamos chegando ao final de 2020. Um ano que ficará marcado para todos com muitas tragédias, dificuldades e desafios. Aqui fica um abraço para todos os que tiveram familiares e amigos que foram afetados pelo vírus, esperando um ano melhor e com a perspectiva da implantação das diversas vacinas em escala global.

Aqui fica um grande aprendizado: a vida é muito frágil e os negócios não são necessariamente perenes. Centenas de milhares de pequenos negócios no mundo inteiro foram impactados totalmente pelas medidas de restrições e o isolamento social. Estamos falando de bares, restaurantes, padarias, docerias, etc. Enfim, o pequeno comércio.

Atualmente, estima-se que o mercado brasileiro abriga 10,4 milhões de microempreendedores individuais inscritos no Simples Nacional (dados do Portal do Empreendedor de 2020). Essa marca representa 99% do número de negócios registrados no país.

Em um momento de forte instabilidade econômica e redução acentuada dos postos de trabalho devido ao “lockdown” global, esse regime de trabalho teve papel essencial para geração de renda nas famílias brasileiras. Só no período de janeiro a abril de 2020, o número de inscritos no Portal do Empreendedor registrou alta de 10,6% comparado ao fim do ano passado. 

Acredita-se ainda que a atividade como microempreendedor individual responde pela única fonte de renda de 1,7 milhão de famílias no país, ou seja, 5,4 milhões de pessoas no país dependem exclusivamente da renda de um MEI (dados do Sebrae de 2019). 

Esses pequenos empreendedores brasileiros estão espalhados por todo o país e trabalham, em sua maioria, em estabelecimentos ou locais fixos (54% do número total de inscritos). Comércio e serviços são a principal atividade aliada ao setor. 

Em contrapartida à suma importância do segmento para a economia brasileira, a penetração de seguros neste segmento ainda é bastante baixa. Isso não quer dizer, porém, que não estejam expostos a uma gama de riscos iminentes no seu cotidiano – não só riscos ao estabelecimento comercial, mas também riscos de natureza pessoal que expõem o dono do negócio, principal agente de trabalho no segmento.

Além disso, a atual crise do coronavírus traz à tona uma importante questão: o impacto imensurável que situações de calamidades públicas, desastres e “fenômenos catastróficos” podem gerar nos pequenos negócios e, consequentemente, na vida de milhares de famílias. 

Entraria em cena então um seguro contra pandemias! Como poderíamos ao menos compensar parcialmente pelas perdas financeiras e operacionais? Com o advento das insurtechs no Brasil e as novas startups com tecnologias como “Machine Learning” podem automatizar o processo de análise dos danos durante uma pandemia e indenizar rapidamente um segurado. 

Um seguro humano e atual, resolvendo um problema real dos nossos empreendedores. Ele poderá inicialmente recuperar parte da receita perdida durante o período de restrições, mantendo empregos, aluguel do ponto comercial e todos os fornecedores envolvidos na cadeia de produção deste estabelecimento. Pode ainda eventualmente oferecer coberturas tradicionais como incêndios, enchentes e arrastões. Talvez uma parte da solução dos problemas, não acham? 


Henrique Volpi é sócio-fundador da Kakau Seguros, formado em Administração pela PUC-SP, com especializações em fintech pelo MIT e em liderança do futuro pela Singularity University. Trabalhou em empresas como BMC, EMC Dell e Servicenow. Foi co-autor do livro “The INSURTECH Book: The Insurance Technology Handbook for Investors, Entrepreneurs and FinTECH Visionaries”.

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