Ir para o conteudo

O futuro dos shoppings é não ter shopping

Por Henrique Volpi

Richard Warren Sears nasceu em 7 de dezembro de 1863, em Stewartville, Minnesota (EUA) e foi um dos maiores empreendedores e inovadores no varejo de toda a história. Ele começou vendendo relógios em estações de trem em uma época de expansão da malha ferroviária por todos os lados.

Em 1883, cada cidade tinha o seu próprio “horário” e assim existiam 300 fusos horários em todo os Estados Unidos. As companhias de trem, visando padronizar, implantaram 4 fusos horários para que assim os trens partissem no horário correto. Criou-se então a demanda por relógios, que eram vendidos por Sears a US$ 14, 60% mais barato do que os seus concorrentes, foi um estouro de vendas!

Em 1889, o catálogo da Sears já tinha 196 páginas e contava com a ajuda do serviço postal. Nos 10 anos seguintes, o livro já tinha 500 páginas e era conhecido como a Bíblia do consumo.

Em 1920, com a chegada da urbanização, a Sears abriu mais de 300 lojas e, em 1935, US$ 1 em cada US$ 100 era gasto na Sears. Depois de 132 anos de sucesso, no outono de 2018, a empresa fechou mil lojas e perdeu $ 6 bilhões de receita.

O sucesso da Sears se deu por conta de algumas tecnologias: trens, catálogos e serviços postais. Mas a tecnologia começou a derrubar a Sears em 1980, com as digitais inicialmente implantadas pelo Walmart e outros varejistas modernos. Eles entendiam o que era mais vendido e o comportamento dos usuários e assim podiam comprar em escala aquilo que era os campeões de venda do momento.

De 2006 a 2019 as vendas da Sears caíram 100%, do Walmart cresceram 202% e da Amazon por sua vez, impressionantes 5.103%. 

Quais serão as novas Sears que deixarão de existir? Qual o futuro dos shoppings e lojas?

IA, Robôs, RV e impressão 3D

Em no máximo 10 anos, você poderá escolher e “vestir” as suas roupas virtualmente, utilizando-se de Realidade Virtual. Alguém poderia argumentar: Mas e a experiência de compra? Ela será ainda mais interessante. Você poderá mostrar este modelo desenvolvido pela sua assistente virtual (IA) para amigos e familiares que também estarão inclusos no mesmo processo e aplicação de realidade virtual. 

Ao escolher as roupas, você será debitado no meio de pagamentos prediletos, e a sua roupa será impressa na sua casa, em uma impressora 3D. Todo o processo poderá durar questão de minutos e você poderá utilizar designs exclusivos de outros países. Os materiais serão todos recicláveis e o seu armário não precisará ser grande. Com uma escala global, os preços serão obviamente muito mais democráticos.

Para aqueles itens mais complexos, que em um primeiro momento não podem ser impressos em uma impressora 3D caseira, serão levados até a sua casa por robôs-drones assim que você escolher e também em pouco tempo, direto de centros de distribuição do seu bairro. Este centro terá as impressoras 3D mais sofisticadas para quase todos os produtos que você precisar.

Uma parte importante e relevante dos “shopping centers” são as suas praças de alimentação ou restaurantes. Mas, que tal você ter um robô chef 3 estrelas Michelin? Ele poderá cozinhar todas as receitas previamente carregadas em seu sistema. Um dia você pode optar por comida tailandesa, em outro italiana e para diversão das crianças, pizzas e bolos de marcas renomadas de todo o mundo. A melhor parte, ele mesmo sabe quais ingredientes serão necessários e já vai pedir isto antecipadamente para você. Você terá sempre aquilo que precisa na medida, evitando desperdícios. 

O robô chef, inclusive acompanha eventuais promoções e poderá sugerir ou mesmo efetivar as compras diariamente ou semanalmente.

“Algorithmic Commerce”

Os algoritmos hoje em dia nos conhecem muito melhor do que nós mesmos. Você já se impressionou com as sugestões do Spotify? Netflix? Amazon.com? São baseadas em milhares de sinais que você oferece gratuitamente todos os dias e em suas navegações, pesquisas e perfil de consumo.

O TikTok que já teve mais de 2 bilhões de downloads tem hoje o que é considerado os algoritmos mais avançados do mundo, em particular o “For You”. O algoritmo analisa de 100 a 300 sinais por segundo e acaba sendo melhor em recomendar conteúdo para você do que você mesmo. 

Segundo o professor Scott Galloway, estamos entrando na era do A-commerce ou “Algorithmic Commerce”, onde algoritmos especialistas em comércio eletrônico irão buscar automaticamente aquilo que precisamos e ainda nem sequer temos ideia.

Neste cenário, com a compra da operação americana do TikTok pela Oracle e pelo Walmart, a empresa fundada por Sam Walton aparece como uma aposta interessante para o futuro dos shoppings.


henrique volpiHenrique Volpi é sócio-fundador da Kakau Seguros, formado em Administração pela PUC-SP, com especializações em fintech pelo MIT e em liderança do futuro pela Singularity University. Trabalhou em empresas como BMC, EMC Dell e Servicenow. Foi co-autor do livro “The INSURTECH Book: The Insurance Technology Handbook for Investors, Entrepreneurs and FinTECH Visionaries”.

ESPAÇO DO EMPREENDEDOR
Espaço Exclusivo para Empreendedores transmitirem conhecimento, desafios e experiências sobre aceleração, captação de investimentos, planejamento de marketing, escalabilidade, feiras e missões comerciais, internacionalização; know how sobre modelagem de negócios, mentoria, MVP, pivotagem, relação com investidores, com sócios, com clientes…e muito mais!

Matérias Relacionadas