* Por Rafael de Albuquerque

O ano de 2020 mal tinha começado, quando o mundo foi impactado fortemente pela pandemia do coronavírus. Rapidamente as pessoas mudaram seus hábitos e rotinas, e um termo surgiu nas mais diferentes áreas: o “novo normal”. Mas, afinal, do que estamos falando?

Passados mais de seis meses que a covid-19 chegou ao Brasil, eu entendo que a pandemia foi o maior acelerador de inovação desde a Segunda Guerra Mundial. A forma hoje como as pessoas enxergam a tecnologia, por exemplo, foi
potencializada centenas de vezes, afinal, elas perceberam que passar pelo que estamos passando, sem essas inovações tecnológicas, seria muito pior.

Nesta guerra invisível contra o vírus, muita gente teve acesso a tecnologias que não tinham antes. Do streaming aos meios de pagamentos, do delivery em grandes volumes à videoconferência, boa parte dos brasileiros conheceram novidades que há 15 ou 20 anos nem imaginavam. Além disso, outra revolução aconteceu e a questão da higiene também veio para ficar. O medo de pegar a covid impulsionou um distanciamento natural e levantou dúvidas sobre o contato, sobre a “fricção”.

O mundo agora então se abriu e está entendendo o conceito de “contactless” (menos contato) ou “frictionless” (menos fricção). E como fazer isso sem informação e tecnologia? Impossível. Se antes os dados eram os vilões, agora a maioria já entende que se seus dados forem usados de forma ética, correta, de acordo com a legislação, podem criar experiências muito diferenciadas e trazer benefícios reais em algum momento. As pessoas estão mais adeptas a isso e saem da pandemia com a mentalidade mais apurada, aguçada para enfrentar esse novo normal.

Se antes a gente vivia no “vamos ver se dá certo”, agora é tudo realidade. Os locais não podem mais oferecer o que tinham no passado, como um cardápio físico num restaurante. Hoje o QR Code funciona muito bem e você pode escolher o que quer comer, onde quer sentar-se, sem contatos desnecessários. Se, ao entrar num hotel, o
cliente não precisar passar pelo check-in tradicional, ele economiza 5 minutos e ganha esse tempo para descansar ou fazer algo que seja do seu interesse.

Se ao fazer uma compra de mercado ele opta por um aplicativo e resolve tudo em minutos, sem sair de casa, ele ganha mais alguns minutos para fazer o que realmente tem interesse. Somando tudo, no fim do dia, faz uma grande diferença. Em resumo, as novas tecnologias estão oferecendo aquilo que não se pode comprar: o tempo.

Entendo que as pessoas estejam saindo da pandemia com outro mindset: “conheci e usei coisas legais e agora quero que elas continuem na minha vida”. Com dispositivos ao alcance da mão, tudo isso ficou mais fácil e prático, adquirir produtos e serviços ficou muito mais rápido. E tudo o que funcionou será levado como legado, assim como foi no passado com tecnologias criadas em períodos de guerra.

* Rafael de Albuquerque é CEO da Zoox Smart Data.