* Por Paula Bazzo e Viviane Ferreira

Como cuidar das contas do meu negócio:

– Tenha contas pessoais e empresariais separadas no banco: os bancos digitais possuem contas gratuitas que facilitam esse processo, sem gerar custos adicionais. Assim, você diminui o risco de misturar contas da empresa com contas pessoais. Mesmo que ainda não tenha o CNPJ aberto da empresa, pode ter uma conta no nome da pessoa física para ser usada para todas as entradas e saídas de dinheiro relacionadas ao seu negócio.

– Não confunda dinheiro da empresa com o seu dinheiro: apesar de parecer, não é verdade que o valor que você vende é o quanto você ganha. Sua empresa é uma “pessoa” (jurídica) e como tal tem suas obrigações, custos e imprevistos. Para cada venda que você faz, pague (1) os custos da prestação do serviço/venda do produto e (2) das despesas normais da atividade (imposto, contador, aluguel, internet, site etc.) e (3) sempre separe uma parte para fazer uma reserva e manter o caixa da sua empresa saudável. Isso é importante para estar preparado para momentos de imprevisto ou ter fôlego em períodos de baixo volume de vendas.

– Assim como você deveria receber um “salário” se trabalhasse para alguém, sua empresa tem que ser capaz de gerar uma renda mensal para você: inclua esse valor como despesa fixa do seu negócio. Isso significa colocar esse “salário” na construção do preço de venda. De tempos em tempos, se você tiver feito boas vendas, você poderá ter ganhos adicionais através da distribuição de lucros.

Essas distribuições do lucro adicional ao seu “salário” mensal pode ser distribuída a cada trimestre ou semestre. Assim, fica mais fácil de garantir o fluxo de caixa da empresa e ao mesmo tempo, você recebe um valor maior, o que facilita para investir e “enxergar” o dinheiro.

Definir esse “salário” fixo para sua pessoa física é fundamental para organizar as suas contas pessoais e ter clareza sobre o valor dos seus gastos e investimentos. Não ter essa clareza é a maior dificuldade que os autônomos e empreendedores encontram para organizar as finanças pessoais;

– Acompanhe as entradas e saídas de dinheiro do seu negócio através do fluxo de caixa: e lembre-se de incluir contas a pagar no futuro (boletos de fornecedores, contas mensais…) e contas a receber no futuro (compras que clientes fizeram no cartão, planos na modalidade mensal/assinaturas etc.).

– Rotina de acompanhamento das finanças da empresa: tenha uma rotina para acompanhar as finanças da sua empresa. Por exemplo: todos os dias, no primeiro horário, revise as entradas no dia anterior e previsão para o dia, olhe o saldo das contas da empresa para garantir saldo positivo. Se sua empresa tem pouco movimento, faça essa rotina pelo menos uma vez por semana, coloque na agenda um dia e horário fixo pra isso.

O que levar em consideração para colocar preço:

– Falando em números, toda construção de preços deve levar em conta despesas fixas do seu negócio e custos variáveis do produto/serviço vendido.

– Despesa fixa: é aquele tipo de conta que vai continuar existindo independente de você realizar vendas ou não. Por exemplo: aluguel, luz, água, pagamento de funcionários. Dentre as despesas fixas, existem aquelas que são de pagamento mensal, mas há outras que acontecem de tempos em tempos, como o domínio e hospedagem de site, taxas de associação de classe, seguros etc. Para essas contas anuais, calcule quanto seria se você pagasse por mês! Por exemplo: Suponha que você pague R$ 276 por ano com a hospedagem do site. Dividindo esse valor em doze meses, temos o equivalente a R$ 23 por mês! É mais fácil você guardar R$ 23 todos os meses do que ter que desembolsar os R$ 276 em um único mês. O mesmo vale para pagamento de décimo terceiro de funcionários.

– Inclua nas despesas fixas do seu negócio o mínimo que você precisa ter como renda para manter suas contas pessoais em dia. Você não tem que ficar com o que “sobra” do negócio! É importante prever o essencial para manter a dignidade de sua família e para você poder tomar decisões com tranquilidade e quando a empresa der um lucro a mais, você distribui parte dos seus lucros para ter uma renda adicional. E isso precisa acontecer.

– Despesa Variável: é toda a despesa que aumenta com o aumento das suas vendas. Por exemplo: taxas de cartão, comissão sobre vendas, imposto (caso não seja optante pelo MEI). Inclua aqui também o % de lucro e de reinvestimento desejado pelo seu negócio para incluir no preço do produto! Geralmente, para quem vende “produto” lucro + reinvestimentos giram em torno de 15 a 20% e quem vende “serviços” de 20 a 30%.

– Para quem vende “produto”, deverá considerar os custos para produção do objeto vendido. Não esqueça de incluir embalagens.

– Para quem vende “serviços”, deverá estimar qual a sua capacidade de produzir em número de horas e dividir as despesas fixas do negócio pela capacidade produtiva.

– E claro: o cálculo do preço é um número de referência. Com ele, você estipula metas de venda, sabe qual o mínimo a vender sem ter prejuízo, entre outras coisas! Você também observará como estão seus preços em comparação com o mercado e seu preço de venda pode ser muito maior que o número calculado se o valor percebido pelo seu cliente também for maior! Portanto, foco naquilo que realmente traz benefício para seu consumidor.

Como controlar e planejar o crescimento da empresa:

– Controle de entrada por tipo de produto: faça uma estimativa do faturamento que você terá a cada mês ao longo do ano para cada tipo de produto que você vende.

– Acompanhe mensalmente quanto você vendeu da cada produto que possui, assim você poderá analisar qual produto você vende mais e qual te dá mais lucro.

– Separe as despesas nos mesmos itens necessários para o DRE (Demonstração de Resultado do Exercício): O DRE deve ser feito anualmente por todas as empresas (exceto as MEIs) e assinado pelo contador. Porém, usar o DRE como ferramenta de gestão no seu negócio traz eficiência para esse relatório.

As despesas devem ser separadas em:

– Impostos: DAS (SIMPLES), ISS, PIS, COFINS.

– Despesas Fixa administrativas: são despesas para o funcionamento da empresa como por exemplo: aluguel, condomínio, IPTU, contabilidade, depreciação de equipamentos, papelaria, anúncio, telefone, empréstimos e tarifas bancárias.

– Despesas Fixas com Pessoas: são todas as despesas fixas relacionadas às pessoas como: salários, INSS, assistência médica, FGTS, pró labore, freelancers, alimentação, assessoria de imprensa.

– Despesas Operacionais: é custo direto com o produto. Por exemplo: custos de matéria prima, correio, gasolina, estacionamento, motoboy, transportadora, vídeo.

– Despesas Comerciais: despesas relacionadas à venda em si dos produtos. Por exemplo: comissão/prêmio de vendas, taxa de cartão de débito, taxa de cartão de crédito, tarifa emissão de boletos, taxas de meios de pagamento.

– Faça um planejamento das receitas e despesas para o ano todo com uma estimativa a cada mês até dezembro: faça a mesma estimativa para 2021. Essa estimativa vai ser um norte para seu crescimento e também é o que vai te ajudar a definir as metas de vendas para alcançar o faturamento estimado para cada produto.

Precificação:

Na hora de precificar, levar em consideração essas 5 “gavetas”:

– Despesas O: Operacionais – colocar todo o valor gasto com a produção do serviço/produto, até a entrega, inclusive dos freelancers e profissionais específicos para a entrega do produto.

– Despesas F: (fixas e pessoais) – essas despesas devem entrar o no preço, senão a empresa não sobrevive. As despesas pessoais que entram aqui são aqueles com funções administrativas na empresa.

– Despesas C: Comerciais – são as despesas ligadas à venda em si como comissões e taxas de cartão.

– Impostos – aqui entra o percentual da alíquota de imposto que sua empresa paga cada vez que emite Nota Fiscal. Se sua empresa ainda não tem o CNPJ aberto, coloque mesmo assim o valor do imposto que será cobrado, para garantir a viabilidade do seu negócio. Não adianta a empresa crescer e não conseguir se sustentar com o preço de venda do produto.

– Lucro – o percentual de lucro que deseja ter. Pode ser por produto ou médio para todos os produtos.

Cada produto que você vende deve ter seu preço composto por todos esses itens. Ou seja, o valor de cada venda ter uma percentual definido para pagar cada coisa na sua empresa. Isso te ajuda a definir a meta de venda mensal.

– Descubra o percentual de cada item para seu produto: várias informações podem ser tiradas do próprio DRE. Por exemplo, no seu histórico de DRE pegue o valor total da despesa fixa e divida pelo total das despesas. Você vai saber o percentual % que as despesas fixas ocupam do seu custo total. Esse percentual será utilizado no cálculo do preço do seu produto. Após descoberto esses percentuais, o preço será obtido com a seguinte fórmula: Preço = Despesa O (R$) / (100% – (%Despesa A + %Despesas C + %Impostos + %Lucro)).

Depois de aplicada a fórmula, analise se o valor ficou muito baixo ou muito alto comparado com o mercado. Se o valor for muito alto, inviabilizando a venda, significa que a meta de venda do produto deve ser maior. Ou seja você vai precisar vender maior quantidade de produto para cobrir as despesas e dar o lucro desejado.

Se o valor for abaixo do mercado, significa que seu produto é lucrativo. Porém, esse número é fundamental para determinar sua meta de vendas e de faturamento no mês para alcançar os resultados desejados.


* Paula Bazzo é mentora de negócios e finanças da RME e Viviane Ferreira é sócia e mentora da ElaInvest.