* Por Exame.com

O aplicativo indica ao usuário, com um código, uma localização aleatória que promete trazer soluções. Ficou confuso? Em seu site oficial, ele se define como um app capaz de colocar a pessoa “na cadeira do diretor de uma aventura a ser escrita” e que quem o usa pode “quebrar a rotina mundana e ter uma jornada aleatória no mundo ao redor de si mesmo”. É essa a proposta do Randonautica, que virou febre entre os adolescentes americanos.

O uso do aplicativo parece bem simples, a princípio. O usuário pensa em uma dúvida, preenche um formulário dentro do aplicativo, que gera coordenadas para algum local próximo, onde a resposta para a pergunta pode estar.

Mas antes de tentar trazer respostas para todas as angústias do usuário, o app pede a localização de quem está usando e recomenda ter cuidado no momento da exploração. O Randonautica também deixa claro que não se responsabiliza sobre o que for encontrado ou sobre o que acontecer durante a tal “aventura”.

O app todo funciona em forma de uma conversa com um chatbot que pergunta qual o tipo de situação que você gostaria de ver e depois envia uma localização que pode ser observada no Google Maps previamente. Para os algoritmos necessários para a viagem, o app usa um gerador de números aleatórios quânticos da Universidade Nacional da Austrália. Esses números são usados, na vida real, para “medir a flutuação quântica no vácuo”.

Para Fabro Steibel, diretor executivo do Instituto de Tecnologia Social (ITS), o app usa elementos dos jogos de RPG e da mágica para se tornar tão apelativo. “Ele é um aplicativo de imaginação que, dentro da cabeça do usuário, consegue criar uma narrativa. Para as pessoas que acreditam em coincidências, ou signos, ou outra coisas que não são explicadas pela lógica, ele tem usos mais reais”, explica.

Steibel também acredita que é impossível o aplicativo não ser totalmente responsável pelo que acontece com seus usuários. “Você vende uma faca, você não é responsável se a pessoa se cortar, mas existem alguns riscos iminentes que são necessários para o uso adequado do objeto. Você não pode se eximir de todas as coisas”, exemplifica. “A gente vai descobrir depois se vai acontecer algum caso, mas pode ser possível que, ao recomendar passeios pela cidade para as pessoas, você pode estar as colocando em risco, principalmente os menores de idade”, diz.

Mas é melhor tomar cuidado. Indo nessa onda, um grupo de adolescentes nos Estados Unidos teve teve uma aventura para lá de desagradável. Eles encontraram dois corpos dentro de uma mala, de um crime que tinha sido cometido pouco tempo antes.

Assim, para evitar maiores problemas, o ideal é que menores de idade sejam acompanhados sempre de um responsável durante o uso do aplicativo. Seus vídeos, publicados no aplicativo chinês TikTok, causaram uma febre entre adolescentes nos Estados Unidos.

Steibel define essa junção dos dois aplicativos como uma “química muito boa”. “O Randonautica é muito da experiência da gameficação que está acontecendo, quando junta ao TikTok, mais gente começa a falar do jogo e mais gente baixa ele”, afirma.

Para quem optar por fazer parte do jogo e for maior de idade, é importante lembrar que, assim como diversas outras aplicações, ele também terá acesso a dados pessoais no celular. “Dependendo da versão do seu Android ou iPhone, o app vai ter sua localização o tempo todo. Você vai estar fazendo uma transferência de dados com esse aplicativo”, diz Steibel.

A dica dele é: quando parar de usá-lo, delete sua conta e o aplicativo (e não se esqueça de fazer as duas coisas). Para ele, o segundo cuidado necessário é prestar atenção na cidade e, claro, não esquecer que estamos no meio da pandemia do novo coronavírus e que as regras de distanciamento social ainda estão valendo. “Se você for maior de idade, não precisa de pânico. Mas, na dúvida, leve um companheiro e um casaco e saiba o que você está fazendo”, finaliza.

Até o momento, segundo Steibel, o aplicativo não causou nenhuma situação que pudesse causar seu banimento das lojas do Android e do iPhone, por exemplo. “Se houver algum tipo de penalidade, o mais provável é que seja de adequação, como limite de idade”, garante.

* Por Tamires Vitorio, para a Exame.com