* Por Gustavo Almeida

Quando se pensa em criar uma startup, muitas pessoas, por falta de experiência em tirar um projeto do papel ou pelo anseio em lançar algo rápido no mercado, acabam pulando algumas etapas necessárias para que aquele projeto realmente chegue a ser um negócio.

O primeiro pensamento é em um plano de negócios para mostrar que aquele projeto pode ser super rentável e lucrativo. Aí vem a busca por um investidor, equipe, ter dinheiro em caixa, fazer o produto perfeito antes de lançar, branding, entre outros. Essas são algumas das principais preocupações do empreendedor de primeira viagem querendo colocar no mercado a sua tão sonhada startup.

Antes de tudo, para tirar o negócio do papel de forma simples e sem gastar muito dinheiro e tempo comece seu negócio com um MVP (produto com mínimo viabilidade). A função principal do MVP, além de ser o seu termômetro para o início de jornada e te trazer feedback de clientes, é a possibilidade de mudanças rápidas no negócio como a dor que ele resolve, preço, funcionalidades do produto, design, entre outros.

O seu MVP tem que estar longe de ser o seu produto final. Se acontecer, ou você pulou muitas coisas do processo de conhecer o seu cliente para melhorar o produto, ou você perdeu muito tempo e dinheiro para entrar no mercado (e isso também pode ser falta). Temos um grande exemplo brasileiro da “Easy Taxi”: seu primeiro MVP foi um formulário de contato que coletava o endereço das pessoas. A equipe recebia os dados por e-mail e ligava para as companhias de táxi. Eu mesmo já criei uma startup de reservas de mesas em restaurantes com desconto no cardápio, em formato de marketplace, em que o meu MVP foi construído em 3 dias usando o WordPress.

O mais importante é: conheça bem seu público-alvo e seus concorrentes e tente trazer uma proposta de valor acima da que eles trazem para o mercado que você deseja atuar. A proposta de valor é o que o seu produto vai melhorar na vida do seu cliente.

O que mata muita startup no seu início de jornada é lançar um produto sem pensar no cliente, em quem realmente vai usar e pagar por aquilo. Não se preocupe muito com business plan ou o software perfeito, pois ele vai mudar diversas vezes conforme você vai pivotando novos modelos no seu negócio.

Imagine que lançar um produto com base no que você e seus sócios pensam e acham, sem antes conhecer bem seus clientes potenciais e saber se isso que vocês querem colocar no mercado realmente resolve algum problema, seria como lançar uma ótica em uma cidade em que todos são cegos, ou vender computador em uma cidade sem internet.


Gustavo Almeida é CEO e fundador da Menu Vip e sócio da Eletrika, formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Redes de Computadores, pós-graduado em gestão da inovação, já cofundou outras startups e hoje dedica um pouco do seu tempo livre para criando conteúdos para ajudar quem está começando empreender.