Apesar de ser essencial na vida das pessoas, seja profissional ou pessoal, a internet ainda não é uma realidade acessível para quem mora nas favelas. A dificuldade na instalação de cabos e antenas faz com que, nem sempre, a qualidade da rede seja boa, dificultando o download de arquivos mais pesados, como fotos e vídeos, que exigem uma velocidade maior de dados. Diante dessa realidade, o Outdoor Social desenvolveu o NoFluxxo, primeira rede de wi-fi gratuita na favela, que oferece internet em pontos estratégicos para os moradores.

Segundo Emilia Rabello, fundadora do Outdoor Social, negócio que atua no mercado brasileiro de publicidade, instalando painéis publicitários para a comunicação nas periferias e no desenvolvimento de pesquisas de opinião e consumo com este público, o novo produto será mantido pela comercialização de anúncios. “Nós encontramos uma forma de democratizar o acesso à internet de qualidade nas comunidades, por meio do patrocínio de marcas”, comenta.

Em maio, a empresa escolheu Heliópolis, que compõe o G10, bloco econômico formado pelas 10 maiores comunidades do país, e, em parceria com a Associação de Moradores, lançou um projeto-piloto. Nos primeiros 30 dias, mais de 29 mil pessoas passaram no raio de alcance do wi-fi. Foram mais de 20GB de transferência de dados, somando 292 horas de acesso, o equivalente a mais de 12 dias online.

Para ter acesso a internet, o processo é bem simples: basta procurar a rede “Nofluxxo” no celular e preencher o cadastro. O sinal gratuito tem um alcance de 70 metros da antena, por isso, para evitar aglomeração em tempos de coronavírus, é recomendado uma distância mínima de 1,5 metros entre as pessoas.

Ponto de wi-fi instalado em Heliópolis, São Paulo.

A iniciativa é uma excelente oportunidade de publicidade para marcas já que, de acordo com levantamento feito pelo Outdoor Social, 12 milhões de pessoas vivem em 6.329 comunidades e periferias brasileiras, com um potencial de consumo de R$ 9,6 bilhões por mês e de R$ 168 bilhões por ano.

“As classes C, D e E representam 76% da população brasileira, mas são constantemente negligenciadas em planejamentos de comunicação, muito focados atualmente em mídias exclusivamente digitais, que simplesmente não chegam a esse público. Com o NoFluxxo, oferecemos uma mídia exclusiva para marcas que, de fato, serão vistas por essas pessoas, com dados precisos de acesso”, comenta Emilia. “Além disso, realizamos constantes pesquisas de opinião com este público, o que nos ajuda a desenvolver um conteúdo mais estratégico, alinhando produtos e mensagens à essa realidade”, finaliza.

O projeto-piloto já tem plano de expansão com pré-disposição de pontos estratégicos nas 14 maiores comunidades do Brasil.