O Founder Institute é uma incubadora baseada no Vale do Silício e atualmente está presente em mais de 180 cidades em diversos países. Em Goiânia, a iniciativa acontecerá pela segunda vez e está com inscrições abertas até o dia 23 de agosto.

Foi de uma dor de sua família que a advogada e consultora Gabriella Gonçalves Bezerra, 30 anos, tirou a ideia para desenvolver e colocar no mercado sua primeira startup. “A minha avó há alguns anos sofreu um acidente de carro e ficou paraplégica e por muito tempo precisou dos serviços de um cuidador profissional. Então a ideia de criar a CuidoSim foi baseada num caso pessoal da minha própria família. Fui pesquisar e percebi que várias famílias também precisavam do serviço e decidi ir para o mercado”, relata.

A empreendedora digital foi uma das participantes da primeira turma do Founder Institute em Goiânia, realizado no ano passado. A iniciativa, que terá uma nova temporada este ano, tem como objetivo acelerar ideias, startups na fase early stage e spin off (projetos de inovação dentro de empresas já constituída).

Presente em mais de 180 cidades em diversos países e baseada na experiência da região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, berço da cultura de tecnologia e inovação mundial, a formação já capacitou mais de 4.300 fundadores de tecnologia nos cinco continentes. No Brasil, desde 2015, mais de 1.200 empreendedores passaram pelo programa, destes, mais de 300 se graduaram.

Em Goiânia, o Founder Institute conta com a parceria do Instituto Gyntec Academy, maior hub de inovação do Centro-Oeste. “Participam dessa formação os maiores empresários e empreendedores no mercado de startups. Queremos dar um choque de gestão, levar aos participantes uma mentalidade vencedora, aumentar o contato dos goianos no mercado nacional e internacional. Nosso objetivo é criar empreendedores de classe mundial em Goiânia, e prepará-los para tracionar seus negócios e aumentar os investimentos em Goiás em tecnologia”,  destaca Marcos Bernardo, cofundador do Gyntec Academy.

Para o executivo e investidor digital, trazer a cultura de tecnologia e inovação para Goiás é de suma importância, já que segundo ele, o Estado é um dos que têm mais potencial no país para este mercado. No Brasil, segundo dados da plataforma Startupbase, já são mais de 13.200 startups, dos quais 663 estão no Centro-Oeste, e cerca de 200 em Goiás. Conforme a plataforma, só entre 2015 e 2019, o crescimento do empreendimento digital foi 207%.

Da ideia à startup

Gabriella conta que a participação no Founder Institute foi fundamental para desenvolver sua ideia até virar uma startup. Segundo ela, no meio da formação foi desafiada a apresentar mais dois projetos para serem desenvolvidos. “Eu abri mão do projeto com a qual entrei inicialmente e fiz este do “CuidoSim” que achei mais viável e acabou dando certo”, revela a empreendedora digital, que apesar de estar com os serviços da startup suspensos, devido à restrições impostas pela pandemia, com pouco mais de um mês de funcionamento já cadastrou cerca de 100 cuidadores profissionais, com clientes em Goiânia e Anápolis e recebeu R$ 100 mil em investimentos para desenvolver o MVP.

A CuidoSim, um dos cases de sucesso da última temporada Founder Institute em Goiânia,  conecta famílias de idosos ou de pacientes acamados à profissionais de saúde com conhecimento técnico em enfermagem e registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren). “Os profissionais cadastram no app os dias e horários que têm interesse e prestam o serviço de forma autônoma. E as famílias compram plantões de 12 horas ou de seis horas, contratando cuidadores com a capacitação adequada para cada paciente”, explica Gabriella.

Inovação em 14 semanas

De acordo com o advogado Rafael Pinto, CEO da InovaLaw e um dos mentores do Founder Institute, o programa do Founder Institute é baseado em 14 semanas de muita execução e mão na massa.

“Ao final, o objetivo é ter uma empresa pronta, com produto rodando e clientes pagantes”, diz o mentor. Em cada uma das 14 semanas do programa, existe um sessão ao vivo (que em 2020 será online devido a pandemia) de conteúdo com mentores de alto nível.

No ano de 2019, 24 empreendedores participaram da primeira turma do programa de aceleração do Founder Institute em Goiânia. Destes empreendedores, sete passaram à fase de constituição de pessoas jurídicas. “A CuidoSim foi um dos nossos cases de sucesso, mas também tivemos a ArqColab, que auxilia arquitetos e designers de interiores em tarefas repetitivas e a ID Flow, que atua na otimização de processos hospitalares”, conta.

Aptidões

Apesar de as inscrições para o programa de aceleração estarem abertas e serem gratuitas, Rafael Pinto explica que os inscritos precisarão passar por testes de aptidão para recrutamento dos participantes. “Oferecemos um programa bastante difícil, que exige alta capacidade de execução e entrega por parte dos empreendedores. Por isso, apenas selecionamos os melhores para participar do programa. Fazemos isso com base em um teste desenvolvido com o apoio de cientistas sociais. O teste tem como objetivo identificar traços de empreendedores de sucesso, independente da ideia ou estágio do negócio”, afirma o mentor do programa.

Segundo ele, alguns sinais identificados nos testes de aptidão são: “Inteligência Fluida”, baseada na capacidade de aprendizado e aplicação prática de conhecimentos; “Abertura”, baseada na busca constante por experiências, aprendizados e alta curiosidade; e  “Concordância Moderada”, baseada na flexibilidade do empreendedor, em sua capacidade de, ao mesmo tempo, cooperar e discordar, compreender e questionar.

Segundo Rafel, o programa do Founder Institute é voltado para pessoas que estão nos primeiros anos da jornada de criação de uma startup. Ele explica que empreendedores que possuem apenas uma ideia, ainda que vaga, são bem-vindos, mas pondera: startups que estejam em momentos iniciais de faturamento e que ainda não alcançaram investimentos de risco ou market fit (as startups de “pré-seed”) podem aproveitar melhor o programa.

Para melhorar

Entre as primeiras graduadas no Brasil pelo programa Founder Institute, Paloma Lecheta é hoje uma das mentoras nacionais do programa de aceleração de startups e de spin off. Ela avalia que o Brasil tem trilhado um bom caminho rumo à inovação dos negócios e de uma economia digital. Mas pondera que ainda faltam incentivo do setor público e que a legislação precisa ser aprimorada.

“A burocracia para as startups precisa ser reduzida no Brasil, o que poderia ajudar na aceleração do desenvolvimento de novos projetos. Também é necessário desenvolver a legislação que favoreça o investimento-anjo e os regimes tributários específicos para as startups”, pontua Paloma. A empreendedora é fundadora da Peacelabs, uma plataforma criada para ajudar empresas a saber quanto, onde e como investir em projetos sociais.

As inscrições para o programa devem ser feitas no link até o dia 23 de agosto.