* Por Exame.com

A startup brasileira Sii Technology desenvolveu um sistema de desinfecção para o novo coronavírus usando luz ultravioleta do tipo C (UVC), que consegue esterilizar até mesmo o ar. A empresa está validando o método e faz os primeiros testes operacionais com a frota urbana de ônibus da cidade de Contagem, em Minas Gerais.

A tecnologia funciona através da exposição de ambientes possivelmente contaminados à luz UVC por alguns minutos. O professor Pedro Guatimosim Vidigal, da Faculdade de Medicina da UFMG, afirma que a luz UV do tipo C é efetiva para inativar diversos microrganismos, como bactérias, vírus e fungos.

Apesar de poucos estudos comprovarem os efeitos da luz especificamente sobre o novo coronavírus, o professor diz que existem “fortes evidências” de que o Sars-Cov-2 também seja suscetível a esse tipo de procedimento, já que os outros coronavírus são.

Primeiros testes

Em Contagem, a Sii Technology testa qual o tempo ideal que um ônibus urbano precisa ficar exposto à luz para ficar 99% desinfectado. Hoje a startup trabalha com variações entre 15 segundos e 4 minutos.

“Nas áreas de incidência direta, a desinfecção é bem rápida, demora cerca de 30 segundos. Nas áreas refletidas, acreditamos que pode levar três ou quatro minutos”, diz Felipe Gasparo, fundador e presidente da empresa.

O método, além de rápido, é vantajoso por não precisar expor funcionários da limpeza a ambientes contaminados e nem a produtos químicos fortes. Na verdade, para que a luz UVC possa ser ativada, nenhum pessoa pode estar presente, já que a radiação é nociva para a pele e para os olhos.

A Sii Technology, no entanto, não descarta a necessidade de uma limpeza posterior do espaço após o uso da luz. O professor Vidigal concorda: “é consenso na literatura científica, que a limpeza mais adequada e segura deve incluir mais de uma abordagem de desinfecção de superfície, com agentes químicos, por exemplo, além da luz UVC”.

Outras aplicações 

Em outras cidades do país, empresas também testam a tecnologia. Segundo a revista Pesquisa FAPESP, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo avalia o uso de radiação UVC na limpeza dos trens do metrô da capital com os robôs da empresa Zasso. Alguns hospitais também estão utilizando um rodo que emite luz UVC, criado por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo.

Em Nova York, a tecnologia também está sendo utilizada para desinfectar ônibus e metrôs desde maio. O projeto, que ainda está em fase inicial, utiliza 150 dispositivos móveis para fazer a limpeza dos trens, ônibus e estações. No total, a cidade espera gastar cerca de 1 milhão de dólares com o novo sistema.

Futuro da empresa

A Sii Technology foi fundada em 2017 para fazer gestão de ambientes corporativos com sistemas autônomos de controle de entrada, temperatura e salas de reunião. Antes da crise da covid-19, a empresa, acelerada pela Fábrica de Startups no Rio de Janeiro, trabalhava atendendo escritórios, hospitais e hotéis.

Em meados de março, quando a maior parte das empresas brasileiras optou pelo trabalho remoto, a startup começou receber pedidos de postergamento dos pagamentos e até cancelamento dos serviços. Para sobreviver, a empresa decidiu que era hora de mudar o negócio e apostar suas fichas no desenvolvimento de uma tecnologia com UVC.

Por enquanto, a Sii está focada em oferecer uma solução específica para o transporte urbano, mas não deixou de pensar nos clientes corporativos. Para esse público, a startup desenvolveu um sistema automático de desinfecção do escritório usando as luzes UVC.

Com sensores de presença, a startup consegue garantir que não há nenhum humano no espaço e ativar as luzes. “Em três ou quatro intervalos durante o dia de trabalho, o sistema avisa todos os funcionários da desinfecção, os sensores confirmam que não há ninguém no ambiente e iniciam o ciclo de esterilização”, diz Gasparo.

Apesar da tecnologia diminui a taxa de contaminantes no ambiente, ela não impede totalmente a contaminação caso haja uma pessoa doente no escritório. “A UV sozinha não resolve todos os problemas, é preciso ter uma série de medidas para garantir a segurança dos funcionários”, diz o fundador da startup.

* Por Carolina Ingizza, para Exame.com