Já ouviu falar em construção modular? Esse modelo, diferente de obras tradicionais, traz a estrutura desejada já pré-montada das fábricas, possibilitando assim, uma montagem mais rápida e com menor custo. Foi com essa técnica que a startup Brasil ao Cubo, em parceria com a Gerdau, construiu duas unidades hospitalares em menos de 35 dias.

Fundada em 2016 e especializada em empreendimentos modulares, a construtech ainda não tinha trabalhado em projetos focados na área hospitalar. O primeiro empreendimento do projeto, no entanto, ficou pronto em 33 dias, sete antes do previsto.

Entregue em abril, a construção do anexo para o Hospital do M’Boi Mirim, localizado na zona sul de São Paulo, teve o apoio também da prefeitura de São Paulo e o Hospital Israelita Albert Einstein – atual gestor do local. Pós-pandemia, a unidade, que atualmente trata pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) com covid-19, integrará a rede municipal de saúde.

Um mês depois, a segunda unidade hospitalar foi entregue, dessa vez, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O novo Centro de Tratamento de Combate ao coronavírus foi construído de forma anexa ao Hospital Independência com um investimento de R$ 10,4 milhões feitos pelas empresas Gerdau, Ipiranga, Hospital Moinhos de Vento e o Grupo Zaffari, em parceria Prefeitura de capital Gaúcha, e bateu o tempo recorde em uma obra hospitalar no Brasil: 30 dias.

A unidade, que tem a gestão feita pela Rede de Saúde Divina Providência, ganhou 60 leitos e deverá atender exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ricardo Mateus, CEO e fundador da empresa, conta que o sistema plug and play adotado nesse modelo de construção é o que permite a rápida instalação. Resumidamente, essa tecnologia permite que módulos pré-fabricados sejam transportados ao local da obra e montados rapidamente, assim como legos.

Ricardo Mateus, CEO e fundador da Brasil ao Cubo.

Segundo ele, em alguns casos a entrega de um projeto pode ser seis vezes mais rápida. “A BR3, para um entendimento mais fácil, aplica técnicas de produção em série, largamente utilizadas no setor automobilístico para uma área ainda pautada pelo artesanal. Aliando competência, criatividade e tecnologia, o nosso sistema construtivo modular off-site BR3, é considerado o mais eficiente, rápido e menos poluente que existe frente ao sistema convencional brasileiro de alvenaria. Por isso, nosso processo reduz tempo, custos, desperdício e aumenta a precisão”.

Ele também ressalta que não há reaproveitamento de estrutura, como no caso de containers. Além disso, por ser produzido em fábricas, o projeto também não é exposto a interferências externas, como o clima, que geraria atrasos em uma construção tradicional.

A parceria com a Gerdau surgiu com a participação da Brasil ao Cubo no programa de aceleração Scale-Up Endeavor 2019. Assim, após conhecer o trabalho da construtech, a multinacional convidou-a em março para participar da entrega de novos hospitais para atender os pacientes com covid-19.

Ricardo conta que foi um desafio novo para a startup. “Sempre passamos por constantes desafios, tivemos diversos ao longo desses anos, desde a construção de grandes players do mercado e de diferentes segmentos, como a Ambev, da qual foi a nossa maior construção, sendo estruturado o seu centro de treinamento e expansão de um novo prédio de escritórios, mas, atualmente, nosso maior desafio foi a construção dos hospitais (M’boi Mirim em SP e Hospital Independência de POA), que ainda não havia sido construído nada do tipo por nossa empresa.

Para Ricardo, a parceria entre startups e grandes empresas é importante para que o setor não fique engessado, possibilitando assim, inovações e novos modelos de negócio. Além disso, ele fala sobre seu papel de atuação diante do atual cenário. “Está sendo muito gratificante fazer parte desses projetos, aliás, estamos vendo o quanto está sendo essencial para ajudar nessa época de pandemia, algo totalmente inesperado, mas que com nossos parceiros, unimos forças para lutarmos contra à covid-19.

Diante do atual cenário, ele ainda deixa um recado para outros empreendedores que querem passar pela crise. “Arrisque tudo! Só assim você vai se destacar. Saia da zona de conforto e faça mais do que você acredita que pode fazer”, finaliza.

Próximos passos

Segundo Ricardo, a ideia, primariamente, para a Brasil ao Cubo é a estruturação nacionalmente, mas que também estão abertos a desafios. “A construção modular off-site é uma tendência mundial e a Brasil ao Cubo deseja fazer parte disso, trazendo, não só nacionalmente, como mundialmente, a construção do futuro de um modo da qual focamos em constantemente elevar o padrão”.