Como as relações humanas e uma liderança consciente podem ajudar na regeneração do planeta? O tema foi debatido por Caito Maia, fundador da Chilli Beans, e Thomas Batt, CEO da Seguros Sura no Brasil, em uma live realizada esta semana no Fórum Nova Consciência com a mediação de Pedro Ivo, autor do livro Empresas espiritualizadas, e Guba, fundador do Instituto Ecoa.

O Fórum de Inovação da Nova Consciência Organizacional, promovido desde 2017 pelo Instituto Ecoa, nasceu pelo desconforto de Guba (Gustavo Barros) e outras pessoas, em ver um mercado insustentável para a saúde mental e emocional das pessoas. A iniciativa engloba não apenas a saúde, propriamente dita, mas outros fatores negativos e improdutivos que o mercado pode gerar à um projeto, negócio, equipe ou organização.

Assim, com o objetivo de propor uma reflexão dos executivos sobre as novas visões conscientes do mundo, a última live do #desafioregenera contou com a experiência de Caito Maia no mercado de varejo com franquias no Brasil, e em outros países, e de Thomas Batt sobre o mercado de altos riscos.

Caito ressalta como a liderança consciente pode mudar o futuro, principalmente após pandemia. “As pessoas não vão ser mais crachás, as pessoas vão ser pessoas e vão ser respeitadas. Óbvio, é uma coisa muito simples, quanto mais você respeita, mais essa pessoa fica feliz, mais ela produz, mais ela entrega e mais produtividade acontece”.

Como fundador da marca de óculos Chilli Beans, Caito diz que para uma liderança consciente é importante o fortalecimento das relações humanas através da conversa e escuta. Segundo o empreendedor, o ato de conversar com o time e dar voz a ele, traz enormes resultados positivos, tanto pessoais como profissionais. “Mais do que nunca as pessoas e as empresas têm que ter a clareza de quanto um ser humano é importante”, afirma.

Neste momento, além desse estreitamento das relações humanas, Caito aconselha a outros líderes que procurem se posicionar. Ele conta que após um período incerto com a pandemia, onde até mesmo ele estava sem perspectiva, o posicionamento como líder o ajudou a passar segurança ao ecossistema, mobilizando assim, todo o time da Chilli Beans, os franqueados e toda a rede de varejo brasileira.

Para Thomas, o momento é de transformação. É nesse momento que as empresas devem mostrar para que vieram, pois é em momentos de instabilidade que surge também a oportunidade de mostrar, por exemplo, o lado humano das corporações.

À frente da Seguros Sura ele conta como essa estratégia mudou o padrão de atendimento, no qual o cliente passa a ser enxergado também como pessoa e não apenas um número. Assim, segundo ele, esse cuidado torna a empresa mais sustentável e relevante perante ao mercado.

Thomas Batt, CEO da Seguros Sura no Brasil

Thomas fala também sobre a importância de utilizar a inteligência emocional estrategicamente a favor dos negócios. Para o empreendedor, o autoconhecimento possui papel indispensável, não só no meio profissional, mas também no pessoal e familiar, principalmente em momentos desafiadores como o que a sociedade está passando devido à covid-19.

Assim, ao passo que a pessoa sente essa emoção, a reconhece e entende como ela influencia a si mesmo e ao outro, consegue trabalhar nela para transformá-la em algo positivo e produtivo em relação aos negócios. Para fazer isso, portanto, o líder deve elevar o estado de ânimo da empresa através da confiança e energia.

“A empresa nada mais é do que uma roda de conversa, ou um propósito, pessoas que se confiam, o estado de ânimo. E para se confiar tem que ter emoções positivas, então tem que trabalhar as emoções”, resume ele.

Esse trabalho gera no ambiente corporativo um modelo de colaboração entre a equipe, que segundo Thomas, é muito mais poderoso que o modelo de competição, já que é um movimento sustentável. “Tocar o coração das pessoas é o que vai gerar a curto, médio e, principalmente, a longo prazo, mais confiança”.

Liderança consciente

Caito fala também sobre a liderança consciente em momentos de crise. Como gestor de uma empresa com 6 mil funcionários, ele revela que evita assumir o papel de ‘Super-Homem’ e age sempre com sinceridade.

O empreendedor compartilha que, diante do atual cenário, uma das principais coisas que ajudou a equipe em geral foi a conversa e a relação mais próxima. “Neste presente momento você mostrar um equilíbrio e mostrar, com verdade no coração, quem você é, aproxima demais e é muito especial”.

Caito acredita ainda que o coronavírus está trazendo às pessoas um ensinamento silencioso, mas que deixará marcas para sempre. Segundo ele, os discursos e preocupações, em geral, já mudaram, bem como os novos questionamentos que surgiram devido à pandemia.

Thomas concorda com Caito e ressalta também que os ensinamentos variam de pessoa para pessoa, mas, de forma geral, a humildade e as relações humanas, que tornaram-se mais intensas com o isolamento social, devem se destacar entre as lições aprendidas neste período.

Além disso, ele diz que a pandemia veio mostrar às pessoas, que viviam em uma ilusão falsa de certeza, que a vida é incerta. “Isso também gera uma uma nova relação, novas oportunidades”, afirma.

Thomas também destaca que essa incerteza prepara os empreendedores para lidarem com a instabilidade do mercado. “Para quem queria curso de liderança, agora é Phd. Porque é a liderança na incerteza, colocada no mais alto grau de realidade. E não é treino, é jogo”, explica.

Sobre o legado que deve deixar sobre sua liderança, Caito conta quer ser lembrado, assim como a empresa, por fazer o bem, além de proporcionar às pessoas que passaram pela Chilli Beans o poder de tocar as suas vidas de forma que, ao final do dia, a felicidade delas prevaleça.

Assim como ele, Thomas também acredita no potencial de fazer o bem como líder e quer ser lembrado por tocar o coração das pessoas com palavras e conselhos, além de ajudá-las a expandir seus potenciais de forma que vivam em equilíbrio.

Relembre

Caito Maia bateu um papo com a Camila Farani e contou a história da sua trajetória para o Startupi. Confira: