* Por Sabrina Amaral

Estamos vivendo um momento de grande mudanças em nossas vidas, como diria Renato Russo, “0 futuro não é mais como era antigamente”. Um ser invisível, microscópico, tirou nossa liberdade, nossa renda, está obrigando os negócios a evoluírem 20 anos em 20 dias, fazendo os donos de pequenos negócios se reinventarem, e, para a mulher empreendedora, o impacto é ainda maior.

O isolamento social nos coloca dentro de casa, um sentimento latente de que temos que aproveitar o tempo para pensar em soluções criativas, novos produtos e serviços para driblar a crise e deixar nosso empreendimento longe do vermelho.

Claro, tudo isso entre todas as outras demandas: manter o negócio rodando atendendo aos clientes, dar suporte à lição de casa do filho que está em ‘homeschooling’, realizar as tarefas domésticas que se multiplicam pelo volume de pessoas que estão ali o tempo todo, preparar as refeições (haja apetite!), administrar os conflitos da convivência forçada, buscar uma lista interminável de brincadeiras na internet para entreter os pequenos que estão angustiados de ficar em casa. Tudo isso além de lidar com os seus próprios sentimentos internos de angústia, culpa, ansiedade, medo, TPM; sem enlouquecer.

Fácil né? Afinal, estamos em casa… estamos com “tempo de sobra”!  Há uma infinidade de conteúdo gratuito por aí que instituições renomadas abriram democraticamente pra quem quiser, é só ter “força de vontade”!  Isso sem mencionar as centenas de lives que acontecem alucinadamente nas redes sociais, rasas, superficiais, uma avalanche de informação estéril (com raras exceções), as quais assistimos avidamente pois temos uma pseudo sensação de produtividade, de estarmos recebendo conteúdo, de estarmos em contato com pessoas.  Contudo, se pudéssemos mensurar a taxa de retenção e aplicação prática deste conhecimento ele está longe do ideal.

A mais recente síndrome chamada de F.O.M.O. (Fear of Missing Out – tradução: medo de perder alguma coisa), explica aquele sentimento estranho de quando chega uma notificação do whatsapp e a gente não olha, mas fica com uma sensação de que está devendo ou perdendo alguma informação importante.

E assim, seguimos conectadas, em movimento constante, e contraditoriamente com uma sensação de travamento, do dia ter passado e nós não termos sequer saído do lugar.  Pois mesmo com esforço, ainda não temos as respostas super inovadoras que irão salvar nosso negócio. (Socorro!)

Mas como lidar com todas essas mudanças e nos estruturarmos?  Que caminhos devemos seguir para sair desta terrível sensação de travamento? Essas são as perguntas de um US$ 1 milhão (ou mais), e não tem receita pronta, porém existem sim alternativas que podem ajudar você a se colocar em movimento. Existem possibilidades de fazer a mesma coisa, ajustando pequenos detalhes de maneira diferente. Vamos conhecer algumas delas?

Respire 

Calma! Quanto mais pré-ocupada você fica com o futuro, menos oxigênio você vai ter para o seu cérebro criar, menos energia e espaço para as soluções inovadoras que você quer ter. Não precisa fazer grandes coisas não: 5 minutos de respiração diafragmática (Inspire pelo nariz em 4, retenha 2, expire pela boca 5), movimentar o corpo (fazer 10 polichinelos, 20 pulinhos e 5 abdominais já serve) e cuidar de você (estamos falando do  básico como passar um batom, tirar o pijama e melhorar sua autoestima). Acredite, quando você começa o dia cuidando de você, tem mais energia e disposição pra cuidar do resto.

Esperança x esperar

Apesar de terem a mesma origem semântica, essas palavras possuem uma grande diferença. A esperança implica em você pensar em alternativas, caminhos, possibilidades e soluções. Você pode se inspirar olhando a concorrência, fazendo pesquisa com pessoas próximas e principalmente observando quais são as “novas dores” que surgem da crise.  Lembre-se de anotar tudo no final para não ocupar espaço desnecessário na sua mente que já está sobrecarregada.

Deus me ‘live’

Pare de consumir conteúdo aleatoriamente, pegue um papel e uma caneta, liste que tipo de informação você precisa neste momento, que tipo de conteúdo que se você tiver, vai trazer o maior impacto positivo pro seu negócio. Então faça o movimento contrário – vá até à live, não deixe a live vir até você – e se você começou a assistir e achou que a informação não está agregando, desligue sem culpa!

Slow Content

É o nome de um movimento (tradução conteúdo lento), que implica em aprofundar o conhecimento. Pegue um tema e destrinche-o fazendo pesquisas no Google, lendo livros ou assistindo a vídeos, um de cada vez, sem presa: menos é mais!  Ao final, liste ações práticas que você irá tomar com base no que aprendeu, estabeleça prazos e separe isso em metas pequenas para fazer diariamente.

Busque apoio

Já tentou ler o rótulo de uma garrafa pelo lado de dentro? Fica meio difícil né? E está tudo bem! A gente não tem que dar conta de tudo.  Se está difícil se organizar em meio a tantas coisas, busque ajuda.  Conhece o termo dos alcoólatras anônimos chamado ‘companheiro de sobriedade’?

Pois é! Podemos adotar a mesma estratégia, então escolha uma amiga, alguém próximo que possa ajudar você no estabelecimento das suas metas, alguém para quem você tenha a obrigação de “reportar” seus resultados.  Somos melhores em nos comprometermos com os outros do que conosco próprios, não é mesmo? Vocês podem trocar numa ajuda mútua. Isso sem uma das maravilhosas rede de apoio como a Rede Mulher Empreendedora. Lembre-se: empreender pode ser um caminho solitário, mas não precisar ser necessariamente.

Resumindo e concluindo, nós não sabemos ao certo quanto tempo a crise vai durar, ou quais os impactos que ela vai trazer para o futuro, a única certeza que temos é de que as coisas vão mudar, já começaram a mudar.

A crise é como um limão azedo, que a gente não queria ter, mas este limão pode virar uma mousse, uma caipirinha, tempero, suco e tantas outras receitas que estão aí, em potencial, dentro da sua cachola.  Então, acalme a sua mente, respire, ouça meditações guiadas, alongue, escute músicas tranquilas e dê espaço para esta máquina perfeita começar a trabalhar, tudo o que você precisa fazer é manter a disciplina de um passo pequeno de cada vez, ser um realista otimista, o qual sabe que as coisas não estão fáceis mas certamente têm solução.


Sabrina Amaral é embaixadora da RME na cidade de Campinas.